SPFC 24 Horas
·18 janvier 2026
Fio Tricolor: Impeachment – Nada Como Um Dia Após o Outro!

In partnership with
Yahoo sportsSPFC 24 Horas
·18 janvier 2026


Reprodução
Nada como o dia seguinte a uma vitória para escancarar os contrastes do São Paulo Futebol Clube. Enquanto o time profissional venceu o São Bernardo por 1 a 0, com gol de Luciano, pelo Paulistão 2026, e a base goleou o Operário-RS por 5 a 1 na Copinha, o clube viveu, paralelamente, um de seus capítulos políticos mais turbulentos dos últimos anos. Dentro de campo, o alívio momentâneo; fora dele, a crise institucional ganhou protagonismo.
Por um lado, o resultado no Morumbis reforçou a competitividade do elenco e deu respiro ao trabalho esportivo. Por outro, a diretoria enfrentou uma batalha decisiva, marcada pela pressão crescente por renúncia ou impeachment do então presidente Julio Casares. Assim, o contraste entre bola rolando e bastidores em ebulição tornou-se impossível de ignorar.
Esse texto, inclusive, começou a ser produzido logo após o apito final da vitória do time principal. No entanto, à medida que os fatos se desenrolaram, a narrativa precisou ser atualizada para refletir a gravidade do momento político. Afinal, o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou, na sexta-feira, o impeachment de Julio Casares, mudando radicalmente o rumo da gestão.
Reunido no salão nobre do Morumbis, o Conselho votou pela destituição do mandatário, cujo nome apareceu envolvido em recentes escândalos policiais. Ao todo, 188 conselheiros votaram a favor do afastamento, número expressivo que sinaliza não apenas insatisfação pontual, mas um rompimento institucional profundo com a atual gestão.
Com a decisão, Julio Casares foi oficialmente afastado da presidência do São Paulo Futebol Clube. Consequentemente, o vice-presidente Harry Massis Júnior assumiu o comando de forma interina, herdando um cenário marcado por instabilidade política, desconfiança interna e desafios financeiros imediatos. Nesse contexto, a transição ocorre sob forte vigilância da torcida e dos próprios conselheiros.

Harry Massis, vice-presidente que assume o posto de Casares interinamente
(Foto: Marcos Ribolli/SPFC)
Durante a sessão, Casares discursou em tom emocional, segundo relato de Caio Forjaz, um dos conselheiros signatários do pedido de impeachment. De acordo com ele, o presidente afastado tentou sensibilizar os presentes ao mencionar família e problemas de saúde. Ainda assim, como afirmou Forjaz, o discurso não foi suficiente para reverter a percepção de desgaste e quebra de confiança.
A partir de agora, o processo entra em sua fase final. Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, terá a responsabilidade de definir a data da Assembleia Geral dos Sócios, última instância do rito de destituição. Dessa forma, caberá aos associados a palavra definitiva sobre o futuro de Julio Casares no comando do clube.
Até a realização da Assembleia, Casares permanece afastado de suas funções. Caso os sócios confirmem o impeachment, ele perderá o restante do mandato, que se estenderia até o fim de 2026. Em contrapartida, se a maioria votar contra a destituição, ele retornará automaticamente à presidência, algo que, hoje, parece politicamente improvável.

(Foto: André Costa | Gazeta Press)
Mesmo em caso de destituição definitiva, Casares continuaria como associado do São Paulo e poderia concorrer a outros cargos no futuro. Ainda assim, o desgaste institucional deixado por sua gestão tende a marcar por muito tempo qualquer tentativa de retorno ao cenário político do clube.
Paralelamente, aliados do presidente afastado indicam a possibilidade de renúncia antes mesmo da Assembleia Geral. Se isso ocorrer, o rito de impeachment pode ser interrompido, alterando novamente o desfecho do processo. Contudo, independentemente da forma, o fato é que a gestão Casares chega ao fim sob forte contestação.
Nesse cenário, a responsabilidade de Harry Massis Júnior é imediata e estratégica. Primeiramente, ele precisa organizar a casa, blindar o elenco e restaurar um ambiente mínimo de estabilidade. Além disso, torna-se urgente quitar salários e pendências financeiras, encerrando a prática recorrente de atrasos justificados por problemas de fluxo de caixa.
Por fim, o clube exige planejamento real. A curto e médio prazo, Massis precisa contratar um nome forte para comandar o futebol e dar sequência às negociações do Tricolor. A longo prazo, a nova gestão deve conter o crescimento da dívida em 2026, estancar feridas abertas e direcionar investimentos, sobretudo, para a base. Somente assim o São Paulo poderá alinhar vitórias em campo com credibilidade fora dele.









































