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·27 juin 2026
Jackson Martínez: “Eu diria que Rafael Leão pode ajudar muito mais”

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Jackson Martínez destacou-se ao serviço do FC Porto e continua a ter residência na Invicta, dividindo o seu tempo entre a Colômbia e Portugal. Em declarações a O JOGO, o antigo avançado falou do grande duelo desta noite, revisitando as emoções de um povo que se entusiasmou em 2014, quando Cha Cha Cha integrava a comitiva que seguiu para o Brasil, numa altura em que James Rodríguez vivia o melhor período da sua carreira e se afirmava como uma das grandes figuras dessa edição do Mundial.
O ex-avançado colombiano, autor de muitos golos pelos dragões e fustigado por lesões ao longo da carreira, já tirou as suas conclusões dos primeiros jogos e espera que as suas seleções favoritas deem boa imagem neste confronto. “Vi as estreias de ambas. Não considero um fracasso o empate de Portugal, surpreendeu-se perante rival fisicamente forte e uma equipa rápida e intensa. A Colômbia também teve de melhorar do primeiro para o segundo jogo, muito mais focada contra o Congo”, referiu Jackson, reconhecendo a “confiança recuperada” de Portugal. “Não há jogos fáceis, temos seleções mais desconhecidas e por isso é uma competição que leva a surpresas. Mas acho que Portugal e Colômbia estão agora mais tranquilas e vão querer ganhar esta partida. Vai ser interessante, porque são equipas muito técnicas, que procuram jogar bem. A Colômbia tentará equilibrar e Portugal tentará impor o seu jogo”, acrescentou Jackson, uma das figuras da seleção cafetera em 2014, que chegou aos quartos de final no Mundial do Brasil. Marcou dois golos em três jogos. “Isso envolve muita emoção, porque participei nesta grande prova com a minha seleção. Sei que deixei boa imagem, lembro o momento com muita gratidão. Foi uma pena o jogo contra o Brasil. Estávamos a sonhar com mais, como, agora, é legítimo sonhar-se em chegar mais longe. Temos ferramentas para um grande jogo contra Portugal, vamos desfrutar e desejar o melhor no que vier”, avaliou Cha Cha Cha Martínez.
A propósito das armas de cada lado, o antigo avançado, hoje músico ligado ao hip hop urbano, salientou vários pontos fortes de Portugal. “É uma seleção com grandes valores individuais, que aprecio bastante. Por conta disso tem capacidade para ganhar o Mundial, mas precisa mais do que o talento, precisa de um grupo unido e comprometido”, descreveu, destacando em particular um jogador que tem sido suplente. “Podia falar muito do Vitinha e do Ronaldo, mas eu acho que o Rafael Leão é alguém que pode ajudar muito mais. Vai depender dos momentos que o treinador entenda contar com ele, mas eu aprecio imenso as características dele. Tem tudo para marcar a diferença”, disse Jackson, deixando ainda outras leituras. “O Bruno Fernandes é outro líder. Portugal tem jogadores que querem ter bola, são protagonistas e não se escondem. O Nuno Mendes é um lateral muito importante, mas ando à volta de gostos pessoais”.
Num olhar mais detalhado, Jackson analisou os papéis de James, seu companheiro no Mundial de 2014, e de Cristiano Ronaldo, ídolos nos respetivos países, mas também alvo de críticas. “Não posso opinar sobre o estatuto de serem incontestáveis. O James tem demonstrado mesmo nos piores momentos físicos um alto compromisso com a seleção. É um competidor incansável e de mentalidade ganhadora. Vai continuar a dar muito à Colômbia. A relevância em campo de James e Ronaldo diz-nos que são jogadores que podem marcar diferenças”, sublinhou, entendendo que o resto depende da dinâmica interna, capaz de os elevar ou não como peças centrais. “Sei que também geram críticas, mas a prova está no que fazem, no que jogam e na imagem de darem tudo pelas seleções”, elogiou.
Sobre o ambiente na Colômbia com o Mundial a disputar-se nos Estados Unidos e com um jogo desta dimensão em Miami, onde a comunidade amplia a sua presença e encontra um espaço de pertença longe de casa, Jackson explicou aquilo que espera ver em Portugal. “No nosso país se joga a seleção, todos vestem a camisola, andam com esse manto pelo trabalho, acordam assim. Se alguém de fora chegar sem saber que há jogo, vai questionar-se sobre o que se passa. Para mim foi difícil assimilar essa diferença em Portugal, em que as pessoas procuram sim arrumar o tempo para ver o jogo em casa, não vestindo tanto a camisola”, explicou o antigo goleador portista, descrevendo uma “euforia pura” em torno desta edição do Mundial.
“O povo colombiano voltou a acreditar muito desde o que viu em 2014. E agora acredita que pode ir ainda mais longe do que fomos. Miami empurra mais esse pensamento, as comunidades latinas apoiam as suas seleções”, destacou, revelando ainda conversas com amigos portugueses. “Sabem que será muito difícil, mas ficaram mais entusiasmados com este 5-0. Vai haver respeito, mas a Colômbia não vai ficar atrás à espera, a não ser que Portugal a obrigue com intensidade e posse de bola. Mas, no fundo, conhecem os nossos perigos e também sabem que temos jogadores técnicos, o Luis Díaz está como figura mundial”.
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