Jogada10
·3 avril 2026
Jornalistas condenam fala misógina de Neymar: “Pai de meninas e não entende de mulher”

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A fala de Neymar após a vitória do Santos recolocou a misoginia no centro do debate no futebol brasileiro. Irritado com o terceiro cartão amarelo — que o tirou do duelo contra o Flamengo no domingo (5) —, o camisa 10 usou uma expressão machista para criticar o árbitro Sávio Pereira Sampaio e levou jornalistas, sobretudo mulheres, a reagirem ao conteúdo da declaração.
Questionado após a partida sobre o lance, que ocorreu aos 40 minutos da etapa final, o camisa 10 disse que o árbitro teria “acordado de Chico” e por isso estava emocionalmente desequilibrado na partida. A crítica do atacante se baseia na punição dada a ele, por reclamação, em um lance em que sofreu entrada dura de Diego Hernández.
“Ele quer ser a figura do jogo, falta de respeito muito grande com os jogadores. Ele não quer papo, não quer conversa. É um cara que manda no jogo e quer comandar tudo. Tem que saber levar isso, fica desrespeitoso”, completou.
A repercussão rapidamente atingiu a mídia esportiva brasileira, especialmente entre as mulheres que trabalham com futebol. Mariana Pereira, dos canais ESPN, explicou por que a expressão carrega um sentido misógino e esclareceu os efeitos desse tipo de associação.
“Algo biológico somado a um fator hormonal que também acontece no corpo da mulher. Então assim, você associar isso ao que na sua cabeça foi um trabalho ruim do árbitro, é colocar a mulher numa condição de que ela não tem capacidade de viver ou estar em sociedade num período menstrual. O que não existe isso”, iniciou.
Na sequência, ela destacou que a generalização amplia o problema: “E outra, ele coloca como uma regra. A mulher ela pode estar mais vulnerável durante esse período, mas não é uma regra. […] Só que mais do que isso, o que me assusta e o que me deixa de fato preocupada é um pai de três meninas mostrar que não entende nada sobre a mulher”.
“Se sentir à vontade em rede nacional de falar uma expressão que um garoto de 14 anos falava, é de fato mostrar que você não tem nenhum tipo de preocupação com o que as suas filhas podem passar no futuro. Infelizmente, elas vão passar, porque a gente está muito longe de mudar o cenário social para a mulher”, completou.
Além da crítica direta à fala, a jornalista Milly Lacombe, do UOL Esporte, usou o episódio para abrir espaço para um questionamento mais amplo. A comunicadora tratou da dificuldade de responsabilizar esse tipo de comportamento no ambiente público e extremamente machista.
“Tudo o que sabemos é que precisamos de homens que estejam dispostos a se envolver. Não adianta apenas postar homenagens à colega de trabalho quando o presidente do Flamengo é misógino sem citar o nome do misógino. Homens precisam confrontar outros homens, se indispor, ter coragem. Isso, claro, se quiserem ser chamados de aliados. Haverá sempre aqueles que preferem não se misturar porque, afinal, essa luta não é deles”.
Em outro trecho, ela apontou a ausência de reação como parte do problema: “[…] Eu não vi nenhum homem se revoltando. Vi Alex, comentarista do SporTV, dizer que Neymar precisaria aprender a falar com o juiz. Com o juiz. Não a falar sobre mulheres. […] Esse tipo de declaração e esses tipos de silêncios mantém as mulheres na arena da fragilidade, da falta de capacidade para ser razoável”.
Enquanto lida com mais uma polêmica neste sentido, o camisa 10 também encara consequências esportivas. Isso porque não enfrentará o Flamengo no próximo domingo, no Maracanã, devido à suspensão automática pelo terceiro amarelo. Ele acumulou cartões diante do Inter, Vasco e, agora, Remo.









































