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·14 mai 2026

MP-SP instaura investigação criminal sobre empresa de segurança utilizada pelo Corinthians em 2025

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar possíveis irregularidades envolvendo a contratação da empresa Mega Assessoria Operacional Ltda. pelo Corinthians entre setembro e outubro de 2025. A portaria foi assinada nesta terça-feira (13) pelo promotor Cassio Roberto Conserino, responsável por investigações relacionadas às últimas gestões do clube.  

A investigação tem como foco a prestação de serviços de segurança no Parque São Jorge, CT Dr. Joaquim Grava e CT das categorias de base. Segundo o documento, há indícios de que a empresa teria atuado sem contrato formal firmado com o clube e sem as autorizações exigidas pelos órgãos competentes para atividades de vigilância armada.  


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Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

O Ministério Público aponta ainda ausência de ordem formal de serviço, falta de comprovação documental da execução das atividades e possível incompatibilidade técnica da empresa para exercer esse tipo de operação. A portaria também menciona que a Mega Assessoria Operacional Ltda. não possuía, em tese, autorização da Polícia Federal nem do Exército para atuar no setor de segurança privada.  

A empresa investigada foi aberta em julho de 2025 por Fernando José da Silva, que atualmente ocupa o cargo de gerente operacional do CT Dr. Joaquim Grava. Na época da contratação, ele exercia função semelhante no clube social do Corinthians.

De acordo com a investigação, três notas fiscais emitidas pela empresa somam R$ 676.627,66. O MP destaca que os documentos possuem numeração sequencial, notas 01, 02 e 03 e aponta que esse padrão costuma ser identificado em empresas consideradas de fachada ou utilizadas apenas para emissão de notas fiscais.  

A promotoria também afirma que o endereço registrado pela empresa corresponde a uma residência comum, sem características aparentes de funcionamento operacional voltado para serviços de segurança privada.  

Outro ponto destacado pela investigação envolve a origem da empresa. Conforme consta na portaria, há relatos de que Fernando José da Silva teria sido orientado a abrir a companhia para viabilizar pagamentos relacionados à segurança do clube. O documento cita possível anuência do diretor administrativo Fábio Soares Souza e do superintendente administrativo Ricardo Okabe.  

O Ministério Público investiga possíveis crimes de furto de valores, falsidade ideológica e infrações tributárias. A promotoria também não descarta o surgimento de novos investigados ao longo do procedimento.  

Como parte das diligências iniciais, o MP determinou que o Corinthians apresente documentos relacionados à contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda., incluindo comprovação dos serviços executados, identificação dos responsáveis pelas autorizações e detalhamento do fluxo de pagamentos efetuados à empresa.  

Além disso, Fernando José da Silva e Fábio Soares Souza foram convocados para prestar depoimento por videoconferência no próximo dia 26 de maio.  

Entenda o caso:

A utilização da Mega Assessoria Operacional Ltda. pelo Corinthians foi revelada inicialmente pela Sport Insider e confirmada pela Central do Timão nesta semana.

A empresa foi utilizada entre setembro e outubro de 2025 para prestar serviços de segurança no clube sem contrato formal. Os pagamentos teriam sido autorizados verbalmente pela diretoria administrativa durante o período de transição política vivido pelo Corinthians após a destituição de Augusto Melo da presidência.

As notas fiscais totalizam aproximadamente R$ 676 mil. Os documentos apresentam descrições diferentes para os serviços prestados, incluindo “assessoria de qualquer natureza”, “consultoria econômica” e “vigilância”.

Em entrevista à Sport Insider, Fernando José da Silva afirmou inicialmente que abriu a empresa a pedido do diretor administrativo Fábio Soares. Posteriormente, mudou a versão e declarou que a solicitação teria partido do presidente Osmar Stabile.

Segundo Fernando, a contratação ocorreu em caráter emergencial após a saída das empresas responsáveis pela segurança do clube naquele período. Ele alegou que policiais militares aposentados foram contratados temporariamente para atuar na proteção do Parque São Jorge e dos centros de treinamento.

O Corinthians confirmou a contratação da empresa e afirmou, em nota oficial enviada à Sport Insider, que a medida ocorreu após a invasão ao quinto andar do Parque São Jorge, ocorrida em 31 de maio de 2025, durante o processo de impeachment de Augusto Melo, quando Stabile assumiu interinamente o comando do clube. 

Ainda segundo o posicionamento oficial, a diretoria entendia, naquele momento, que não havia conflito de interesses envolvendo Fernando José da Silva. O clube também declarou que os pagamentos correspondiam a serviços operacionais realizados nos pontos de segurança do Parque São Jorge, CT Dr. Joaquim Grava e CT das categorias de base.

O Corinthians afirmou ainda que, após a estabilização do ambiente interno, abriu processo de concorrência para contratação de uma nova empresa responsável pelos serviços de segurança.

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