Jornal do Fla
·10 juillet 2026
Não só Jorge Jesus! A surpreendente lista de técnicos do Flamengo que passaram por seleções

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·10 juillet 2026

Jorge Jesus foi anunciado nesta sexta-feira (10) como novo treinador de Portugal, substituindo Roberto Martínez após a queda na Copa do Mundo. O treinador, que marcou época no Flamengo entre 2019 e 2020, vai comandar uma seleção nacional anos depois de uma passagem histórica pelo Mais Querido.
A chegada do Mister reforça uma ligação antiga entre o Flamengo e o futebol de seleções. Ao longo da história, dezenas de profissionais que passaram pelo clube também assumiram equipes nacionais, em diferentes períodos e contextos.
O levantamento reúne 47 nomes, desde técnicos campeões mundiais até treinadores que trabalharam nas categorias de base, além de profissionais que levaram a escola brasileira para seleções da América do Sul, África, Ásia e Oriente Médio.
Para organizar a lista, os nomes foram divididos por trajetória: protagonistas em seleções principais, pioneiros, formadores de talentos, representantes do futebol brasileiro no exterior e casos curiosos.
Treinadores que estiveram à frente de uma seleção principal em momentos decisivos, como Copas do Mundo, títulos continentais e campanhas históricas.
Flávio Costa

Foto: Reprodução
Treinador que mais vezes comandou o Flamengo na história: 746 jogos, em passagens entre 1934 e 1965. Dirigiu a Seleção Brasileira duas vezes, entre 1945 e 1950 e 1955 e 1956. Foi o técnico do Brasil na Copa do Mundo de 1950, em campanha que terminou na final contra o Uruguai.
Pelo Flamengo, faturou cinco Campeonatos Cariocas. Pela Seleção, levantou a Copa América de 1949 e outros torneios regionais da época.
Aymoré Moreira
Passagem breve pela Gávea: 15 jogos entre 1967 e 1968, sem títulos. Mas seu nome está cravado entre os campeões mundiais do país. Foi o técnico do bicampeonato de 1962, no Chile, reorganizando o time após a lesão de Pelé e lançando Amarildo como titular.
Zagallo
O Velho Lobo é o único brasileiro a vencer a Copa do Mundo como jogador (1958 e 1962) e como técnico (1970), feito que repetiu como coordenador técnico em 1994. No Flamengo, onde foi ídolo como atleta, somou 283 jogos em quatro passagens como treinador, com dois Cariocas conquistados.
Além do tricampeonato de 1970, dirigiu o Brasil nas Copas de 1974 e 1998. Também comandou seleções do Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, com títulos continentais por cada uma delas.
Cláudio Coutinho
O Capitão Coutinho foi o arquiteto tático da Era de Ouro de Zico no Flamengo. Somou 186 jogos em duas passagens (1976 a 1980) e conquistou o primeiro Brasileiro da história do clube, em 1980.
Como técnico da Seleção, levou o Brasil à Copa de 1978 e terminou invicto o torneio. Foi dele o termo “Campeão Moral”, criado depois que a equipe ficou fora da disputa pelo terceiro lugar.
Paulo César Carpegiani
Viveu dupla identidade na Gávea: ídolo como jogador e, depois, o técnico mais vitorioso do clube em títulos internacionais. Em três passagens (1981 a 1983, 2000 e 2018), somou 152 jogos e conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes de 1981, além do Brasileiro de 1982.
Como treinador de seleções, classificou o Paraguai para a Copa de 1998, quebrando um jejum de 12 anos, e caiu diante da anfitriã França, vítima do primeiro “Gol de Ouro” da história das Copas.
Sebastião Lazaroni
Revelou em campo, na Gávea, os futuros pilares do tetracampeonato de 1994: Jorginho, Aldair e Bebeto. À frente da Seleção, encerrou um jejum de 40 anos sem título de Copa América em 1989. Introduziu o esquema com líbero na Copa do Mundo de 1990, na Itália.
Telê Santana
O Mestre Telê comandou duas das seleções mais idolatradas da história do futebol brasileiro. A de 1982, na Espanha, com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, eliminada na Tragédia do Sarriá. E a de 1986, no México, batida nos pênaltis pela França de Platini.
No Flamengo, esteve em duas passagens (132 jogos) e conquistou a histórica Taça Guanabara de 1989, último título de Zico com a camisa rubro-negra.
Vanderlei Luxemburgo
Teve quatro passagens pela Gávea, somando 244 jogos, com destaque para o Carioca invicto de 2011. Na Seleção, assumiu após a Copa de 1998 e, no ano seguinte, faturou a Copa América com 100% de aproveitamento, ao lado de Rivaldo e Ronaldo.
Dorival Júnior
Viveu a reviravolta mais recente da lista. Assumiu o Flamengo em crise, em junho de 2022, e em poucos meses conquistou Libertadores e Copa do Brasil no mesmo ano, formando um “Double” continental e nacional.
Em 2024, assumiu a Seleção Brasileira principal, comandando o ciclo da Copa América e das Eliminatórias.
Jorge Jesus
Fecha o grupo com a passagem mais avassaladora da história recente do Flamengo: 58 jogos entre 2019 e 2020, com mais títulos conquistados (5) do que derrotas sofridas (4), incluindo Libertadores e Brasileiro de 2019.
Agora assume a Seleção Portuguesa, seu país natal, no início de um novo ciclo.
Tite
Teve uma passagem curta pelo Flamengo em 2023 e 2024, com 70 jogos no comando da equipe e sem conquistar títulos.
Antes disso, construiu uma das carreiras mais marcantes entre treinadores brasileiros de seleções. À frente do Brasil, comandou a equipe nas Copas do Mundo de 2018 e 2022, além de conquistar a Copa América de 2019.
Nomes que remontam às primeiras décadas do futebol brasileiro, quando “treinador de seleção” ainda era um conceito em formação.
Ramón Perdomo Platero
Uruguaio, comandou o Flamengo em apenas 8 jogos em 1921. Entrou para a história como o primeiro técnico estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira, em 1925. Antes, já havia sido campeão sul-americano pelo Uruguai, em 1917.
Joaquim Guimarães
Treinou o Flamengo em 1924. Seria o primeiro convocado para comandar o Brasil em 1925, mas acabou como diretor técnico, cedendo o posto de campo a Platero.
Charlie Williams
Foi o primeiro técnico europeu da história do Flamengo (1930 a 1931), sem conquistas no clube. Antes disso, havia comandado a Seleção da Dinamarca, entre 1908 e 1910.
Dori Kürschner
Húngaro, passou pela Gávea entre 1937 e 1938 sem títulos, mas deixou um legado tático gigantesco: introduziu o sistema “WM” no futebol brasileiro e assessorou a Seleção na Copa de 1938. Na Europa, integrou a comissão que levou a Suíça à histórica prata olímpica de 1924.
Ernesto dos Santos
Primeiro técnico português da história do clube (47 jogos). Depois, como auxiliar e observador tático, integrou a comissão técnica da Seleção Brasileira nas conquistas de 1958, 1962 e 1966.
Gentil Cardoso
Criador de frases folclóricas que atravessaram gerações, comandou o Flamengo em duas passagens (1949 a 1950 e 1965), com o título do Torneio Início de 1950. Em 59, dirigiu o Brasil no Campeonato Sul-Americano, com uma seleção formada apenas por atletas pernambucanos, terminando em terceiro lugar.
Cândido de Oliveira
Português, teve uma rápida passagem pelo Flamengo em 1950. Construiu carreira como um dos maiores nomes de Portugal: comandou a Seleção Portuguesa em três períodos distintos entre 1926 e 1952, além de Sporting, Porto, Belenenses e Académica.
Fleitas Solich
Paraguaio, é um dos treinadores que mais vezes comandou o Flamengo (504 jogos), com o histórico Tricampeonato Carioca de 1953 a 1955. Pela Seleção do Paraguai, conquistou o inédito Campeonato Sul-Americano de 1953, justamente batendo o Brasil na final.
O grupo que fez história longe dos holofotes da equipe principal, nas categorias de base da CBF, revelando gerações inteiras de ídolos.
Brasileiros e alguns estrangeiros que passaram pela Gávea e depois exportaram a escola de futebol rubro-negra para seleções de fora do país, principalmente Oriente Médio, África e América do Sul.
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Passagens breves ou bastidores que, por si só, já rendem boas histórias.
Togo Renan Soares (Kanela)
É o único nome desta lista que fez história em uma seleção fora do futebol.
Comandou o Flamengo discretamente entre 1948 e 1949, mas se tornou o maior treinador da história da Seleção Brasileira Masculina de basquete, no comando por mais de 20 anos (1951 a 1971), com dois títulos mundiais e uma medalha de bronze olímpica.
Cléber Camerino
Dirigiu o Flamengo em apenas 1 jogo como interino, mas foi peça-chave nos bastidores. Integrou a comissão técnica de Zagallo no Tricampeonato de 1970, aplicando métodos de preparação física inspirados na NASA. Depois, foi campeão do Torneio Pré-Olímpico de 1984 pela Seleção Olímpica.
Eitel Seixas
Nunca foi técnico principal do Flamengo. Era preparador físico da comissão de Walter Miraglia, mas assumiu a equipe por necessidade em uma partida. Depois, foi para o Oriente Médio ajudar a estruturar os primeiros passos do futebol do Qatar, na década de 1970.
Dorival Knipel (Yustrich)
Goleiro multicampeão do Flamengo e depois técnico disciplinador (93 jogos, 1970 a 1971). Teve uma curiosa passagem oficial pela Seleção Brasileira: apenas 1 jogo, em 1968, quando a CBD determinou que seu Atlético Mineiro representasse o Brasil em um amistoso contra a Iugoslávia, vitória por 3 a 2.
Carlos Froner
Mentor tático de Scolari, comandou o Flamengo em 86 jogos (1975 a 1976) e teve papel importante na formação de Zico, Adílio e Júnior. Curiosamente, “comandou o Brasil” em 1966 ao dirigir a Seleção Gaúcha, que a CBD escalou para representar o país contra o Chile.
Ricardo Gomes
Capitão da Seleção em 1990, teve passagem curta e conturbada no Flamengo em 2004 (15 jogos, sem títulos). Comandou a Seleção Olímpica rumo a Atenas 2004, mas o ciclo terminou com eliminação precoce no Pré-Olímpico. Depois, voltou à CBF como coordenador técnico da Seleção principal.
Celso Roth
Dirigiu o Flamengo em 2005 (20 jogos), em um dos momentos mais turbulentos da história política do clube. Sua trajetória em seleções começou nas categorias de base da Indonésia e do Catar, no início dos anos 1990.
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