Coluna do Fla
·15 avril 2026
Olho em ‘polonês’ e técnico na corda bamba: jornalista colombiano faz raio-x de Medellín, adversário do Fla na Libertadores

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·15 avril 2026

O Flamengo está motivado após ganhar o clássico contra o Fluminense. Por outro lado, o adversário do Mengão na Libertadores vive cenário completamente oposto. Rival de quinta-feira (16), o Independiente Medellín (COL) vem de derrota para o arqui-inimigo Atletico Nacional (COL), por 3 a 2, no sábado (11). Para saber um pouco mais sobre o que o Mais Querido vai encarar no Maracanã, o Coluna conversou com o jornalista colombiano Daniel Bello, do site ‘El Espectador’.
O repórter sugeriu que o Flamengo fique de olho em três nomes, mas um chama a atenção: Francisco Fydriszewski, argentino com nacionalidade polonesa. Além disso, Bello destaca que o treinador Alejandro Restrepo só não caiu ainda por conta do desempenho na Libertadores, pois o time conseguiu eliminar dois adversários na fase preliminar. No Colombiano, o Independiente Medellín é apenas o 14º colocado, de 20 times.
“O caso no Colombiano é um golpe duplo. Por um lado, perder para o seu rival clássico sempre traz um impacto no aspecto emocional e, além disso, a equipe ficou sem margem de erro no torneio local. Também vale lembrar que o time vem de disputar duas finais em nível local no ano passado, então a queda de rendimento é evidente. Se não fosse pelo fato de Alejandro Restrepo ter colocado a equipe na fase de grupos da Copa Libertadores, me parece que ele já teria sido demitido”, opinou Bello.
O Independiente Medellín passou invicto na fase preliminar. Primeiramente contra o Liverpool (URU), os colombianos venceram por 2 a 1 no Uruguai e segurou o 0 a 0 em casa. Posteriormente, diante do Juventud (URU), 1 a 1 em Montevidéu e 2 a 1 como mandante. Os grandes destaques das duas séries foram o ‘polonês’ Francisco Fydriszewski e o colombiano Hayen Palacios, com dois gols cada.
“Na minha opinião, os destaques do time são os alas: Frank Fabra e Hayen Palacios. Nas eliminatórias contra Liverpool e Juventud, foram decisivos com assistências e gols. São os reforços que menos demoraram para causar impacto no time. Fabra, além disso, tem muita experiência. Também diria que a equipe tem um jogo direto que, mesmo quando não está com a bola, a torna ofensiva”, comentou Bello.
“Pela experiência e pelo que mostraram nas fases preliminares da Copa Libertadores 2026, eu destacaria Frank Fabra. Também merece menção especial Francisco Fydriszewski, que ainda não marcou no Campeonato Colombiano neste ano, mas fez gols contra Liverpool e Juventud. Halam Loboa, volante de marcação, é uma das joias recentes da base e um jogador a ser observado”, acrescentou o jornalista.
Se os alas e Fydriszewski merecem a atenção do Flamengo, o Rubro-Negro pode explorar o sistema defensivo do Independiente Medellín. Em 15 jogos do Campeonato Colombiano, o time sofreu 22 gols. Ou seja, média de mais de um por partida. Só no sábado (11), no clássico, foram três.
“O principal problema é a defesa. Em 20 jogos disputados neste ano — somando todas as competições —, apenas em três conseguiram não sofrer gols. No início, Alejandro Restrepo apostava na solidez e por isso utilizava quase sempre três zagueiros, mas nem a defesa nem o goleiro transmitiram segurança neste semestre”, analisou Bello.
“Restrepo gosta de jogar no 3-5-2, embora nos últimos jogos tenha usado o 4-4-2. No seu modelo, os alas são fundamentais. O técnico quer que eles atuem tanto na defesa quanto no ataque. Não são tão ofensivos quanto os laterais brasileiros, que priorizam mais o ataque. Na frente, há um centroavante clássico e outro jogador que atua mais como meia-atacante”, acrescentou.
No ano passado, como destacou Daniel Bello, o Independiente Medellín chegou em duas finais locais. No Campeonato Colombiano/Apertura, disputado no primeiro semestre, o time foi vice-campeão, perdendo a decisão para o Independiente Sanfe Fe (COL). Já na Copa da Colômbia, o Atletico Nacional levou a melhor na decisão diante do próximo adversário do Flamengo. Por que um time que chegou em duas decisões agora é apenas o 14º do Colombiano?
“Saíram dois atacantes que tiveram sequência no ano passado: Luis Sandoval (hoje no Deportes Tolima-COL, também classificado para a Libertadores) e Brayan León (Mamelodi Sundowns, da África do Sul). No meio-campo estava Jaime Alvarado (Once Caldas-COL) e, pela direita, Jherson Mosquera (Tolima). A maioria saiu porque seus ciclos no clube estavam encerrados”, explicou Bello.
A bola rola para Flamengo e Independiente Medellín a partir das 21h30 (horário de Brasília) de quinta-feira (16), no Maracanã. O Mais Querido estreou com vitória por 2 a 0 sobre o Cusco (PER), fora de casa. Já os colombianos empataram como mandantes em 1 a 1 com o Estudiantes de La Plata (ARG).
“Aqui na Colômbia, para ser campeão neste semestre é preciso estar entre os oito melhores da fase de todos contra todos. O Medellín ainda pode alcançar essas posições, mas a situação é muito difícil. O rebaixamento é um cenário pouco provável, principalmente porque há equipes em situação pior e, como aqui se calcula a média de desempenho das últimas três temporadas, não há motivos para preocupação nesse sentido. Diante do momento complicado da equipe, parece mais lógico apostar na Libertadores, especialmente porque uma boa campanha continental (superar a fase de grupos) é mais rentável economicamente do que conquistar o campeonato colombiano”.
“Conseguir pontuar no Maracanã, de qualquer forma, já seria um bom resultado. Estamos falando de enfrentar o atual campeão da Copa Libertadores, o melhor time do continente, com um elenco formado por jogadores que poderiam atuar nas principais ligas da Europa. Um empate seria uma vitória moral para a equipe. Uma vitória, por sua vez, seria uma das noites mais históricas do clube no cenário internacional”.
“O Flamengo é o time que todos querem evitar em um sorteio, não só na Colômbia. Temos visto como a distância entre a liga brasileira e as demais da América do Sul vem aumentando cada vez mais. Para mim, o maior exemplo dessa desigualdade está na gestão e na capacidade do Flamengo. É um gigante em todos os sentidos, não apenas pelos títulos, mas também pela sua enorme torcida. Somos um país com cerca de 50 milhões de habitantes, e o Flamengo sozinho tem cerca de 40 milhões de torcedores. É colossal em termos de orçamento, contratações, desempenho e formação de jogadores (Paquetá, Vini). Há muito respeito e admiração pelo clube”.
“Carrascal é um excelente jogador, com muito talento, calma, visão de jogo, bom chute e boa chegada ao ataque. No entanto, ainda não teve uma atuação marcante pela seleção. Em termos de gols e assistências, seus números com a seleção vieram apenas em amistosos, ainda não em jogos importantes. Além disso, a concorrência direta está em bom nível. Jhon Arias é um dos titulares no esquema do (técnico) Néstor Lorenzo e tem sido um dos melhores no funcionamento coletivo. Outro concorrente seria James Rodríguez, que pela seleção costuma render mais, mesmo sem regularidade nos clubes — prova disso foi sua atuação de destaque na Copa América 2024, mesmo sem sequência no São Paulo. Agora, como James teve problemas de ritmo neste ano, Carrascal pode ganhar mais minutos”.









































