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·24 avril 2026

Paixão e lágrimas de desilusão: o zerozero com os adeptos do Fafe até Torres Vedras

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A Taça de Portugal de Portugal. Uma competição recheada de misticismo, toda ela pródiga em estórias e histórias, (quase) todas elas dignas de reportagem. Na presente temporada, dois contos de fadas ficaram a um passo do Jamor: Fafe e Torreense.

O Fafe eliminou Arouca, Moreirense e SC Braga - o primeiro do terceiro escalão a varrer três primodivisionários. O Torreense teve um caminho mais modesto, mas igualmente meritório. Oliveirense, Lourosa, Leiria e Casa Pia ficaram por terra.


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Depois de um empate a uma bola na primeira mão, em Fafe, houve romaria justiceira a Torres Vedras. 350 quilómetros a uma quarta-feira à tarde, algo que não está ao alcance de todos - quer por motivos profissionais, quer por apenas terem sido disponibilizados 400 bilhetes para os adeptos fafenses.

Como é que se vive um jogo destes? No meio dos adeptos, pois claro. O zerozero embarcou desde Fafe, de autocarro, juntamente com as gentes fafenses, para experienciar todo o ambiente que a Prova Rainha proporciona.

Romaria de Taça

A saída de Fafe estava marcada para as 15:00h. 20 minutos antes da hora marcada, o zerozero estava no local, juntamente com cerca de centena e meia de adeptos, organizados em dois autocarros.

Ambiente típico de Taça. Arcas recheadas, os almeiros prontos e tudo a postos para uma tarde/noite de romaria até ao oeste.

Já instalado no autocarro, ficámos ao lado de um adepto especial - sobretudo para o nosso querido portal. Rui Dias, 52 anos, foi diretor da AD Fafe e é um fiel colaborador do zerozero - 144º da classificação dos users - em tudo o que ao clube e à cidade de Fafe diz respeito.

Muito amável, foi mostrando todo o trabalho que desempenha no nosso portal e contando histórias da sua vida associativa. Lançou o departamento de comunicação, foi speaker e fez parte da direção do clube: uma vida dedicada ao Fafe.

No nosso autocarro encontramos ainda um adepto que foi protagonista nesta edição da Taça de Portugal. Ao serviço do Rebordelo, Tiago Ribeiro - 21 anos, formado nos justiceiros - jogou nesta edição da prova rainha diante do primodivisionário Nacional da Madeira e, inclusive, assistiu para o golo dos transmontanos nessa partida (3-1 para os insulares).

Seguimos viagem rumo a sul, com a primeira paragem na estação de serviço de Antuã. Aí, já se ouviram mais cânticos, colaram-se stickers e foram lançados potes de fumo: o habitual pré-match, ainda mais num jogo desta magnitude.

No autocarro da claque

A segunda paragem foi já na estação de serviço de Torres Vedras. O microfone do zerozero denunciou-nos - e bem - e alguns membros dos Fighters Boys, claque fafense, partiram ao nosso encontro.

Entre eles, um jogador da AD Fafe... na temporada passada. Luís Ferreira - também ele membro da claque -, 25 anos e 13 deles de Fafe ao peito, foi a Torres Vedras apoiar os antigos colegas de equipa. «No ano passado joguei um jogo e fui o melhor em campo no zerozero», disse-nos o atual guarda-redes do Vieira SC.

Afirmativo: 26 de janeiro de 2025, Fafe x Anadia para a Liga 3. Francisco Enes foi expulso aos 17 minutos e os justiceiros conseguiram um empate (1-1) com Luís entre os postes.

As conversas nessa cerca de meia-hora de paragem estreitaram relações com os ultras fafenses. Apesar de, historicamente, a relação dos jornalistas com as claques não ser a melhor, estes jovens decidiram fazer diferente. «Tens de vir para baixo no nosso autocarro e, se ganharmos, vens connosco para cima.»

Ora, desafio aceite: seguimos até ao estádio Manuel Marques no autocarro da claque. Uma experiência diferente, engraçada e barulhenta. Uns ultras empáticos, que ofereceram comida e bebida a um forasteiro que acabaram de conhecer. 

Chegados ao estádio, por volta das 20h, estava na hora de levantar a credencial e seguir para a tribuna de imprensa, longe dos ´amigos` fafenses (que até convidaram para ver o jogo na sua companhia).

Tão perto do sonho...

Sobre o jogo, tudo já foi dissecado na crónica. O Torreense superiorizou-se ao Fafe - principalmente no segundo tempo - e acabou por ser um justo vencedor da partida perante uns justiceiros a quem faltou frescura física para acompanhar uma equipa de um escalão superior.

David Bruno e Stopira, ambos já para lá dos 80´, marcaram os golos da equipa azul grená. Não se pode dizer que o Fafe não merecesse o prolongamento, mas quem fez mais para vencer acabou mesmo por ser a equipa da casa.

No final da partida, apressámo-nos para não fazer esperar o autocarro. O semblante, esse, era bem diferente - e já não é retratado na reportagem em vídeo, pois o clima não era o indicado para filmagens. 

Caras lavadas em lágrimas de quem sentiu que esteve perto de um sonho. Infelizmente para o Fafe, o despertador tocou antes do tempo. A história já ninguém apaga e a campanha fafense roçou a perfeição: foi a primeira equipa de sempre do terceiro escalão a eliminar três equipas da Primeira Liga.

Sentimos a emoção no pré jogo, sentimos a dor no pós-jogo. É o futebol e é também por isso que o amamos. 

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