Portal dos Dragões
·10 juin 2026
Pés descalços no FC Porto-Benfica: CD aplica multa de 3.060 euros aos dragões

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·10 juin 2026

O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aplicou ao FC Porto uma multa de 3.060 euros, correspondente a 30 unidades de conta, por incumprimento dos deveres de organização e segurança. A decisão, aprovada por unanimidade, resulta das falhas detetadas no controlo de acesso dos adeptos do Benfica ao Estádio do Dragão, no jogo dos quartos de final da Taça de Portugal disputado a 14 de janeiro.
A origem do processo esteve numa participação da SAD encarnada, que apontou um “tratamento discriminatório” e “humanamente degradante” dirigido aos seus adeptos. Em causa esteve a demora excessiva na entrada no recinto, que levou centenas de adeptos das águias a perderem toda a primeira parte do encontro, bem como a imposição de muitos deles, incluindo crianças e idosos, terem de tirar os sapatos no exterior do estádio, sobre um piso molhado ou húmido, durante a revista de segurança.
Na sua defesa, o FC Porto sustentou que o atraso na entrada foi da exclusiva responsabilidade do Benfica e dos seus adeptos, alegando chegada tardia ao ponto de encontro e a desordem provocada por um grupo que tentou forçar a passagem na escadaria. Os dragões justificaram a revista ao calçado como uma medida de segurança necessária, proporcional e apoiada em recomendações da PSP, tendo em conta o historial de arremesso de pirotecnia naquela bancada, dirigida aos setores inferiores. O clube azul e branco invocou ainda um conflito de deveres, defendendo que, perante a impossibilidade de assegurar um acesso rápido e a total segurança devido ao atraso dos visitantes, optou por dar primazia ao dever de segurança.
Na sua análise, o CD entendeu que, embora a inspeção ao calçado fosse, em abstrato, admissível face ao risco acrescido de pirotecnia, o FC Porto falhou ao não assegurar “condições mínimas de conforto” aos espectadores. Ainda mais grave, para o CD, foi a gestão do fluxo de entrada no topo da escadaria. Ficou demonstrado que a primeira linha de assistentes ia libertando adeptos de forma muito lenta para os pontos de revista, deixando os postos de controlo vazios enquanto centenas de pessoas permaneciam retidas nas escadas durante cerca de duas horas.
O acórdão agora divulgado assinala que esta atuação foi classificada como “negligência consciente”, uma vez que o promotor ignorou vários alertas das forças de segurança para acelerar o processo.
Na fixação da coima, o CD teve também em consideração a reincidência do FC Porto em infrações graves relacionadas com a organização de espetáculos desportivos na época entretanto concluída.







































