Central do Timão
·9 juin 2026
Presidente do Corinthians passa a ser investigado pelo MP-SP em apuração sobre empresa de segurança

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·9 juin 2026

O presidente do Corinthians Osmar Stabile passou a figurar como investigado no procedimento conduzido pelo Ministério Público de São Paulo que apura a contratação da empresa Mega Assessoria Operacional Ltda pelo clube. Em aditamento à portaria de instauração do caso, o promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino determinou a inclusão do mandatário entre os alvos da apuração. O caso também serve de fundamento para um pedido de impeachment protocolado contra Stabile.
A decisão foi formalizada em despacho datado de 2 de junho e tem como fundamento elementos colhidos ao longo da investigação, entre eles o depoimento de Fábio Soares, ex-diretor administrativo do Corinthians, que afirmou ao MP-SP que a contratação emergencial da empresa de segurança teria sido determinada pelo mandatário, e documentos relacionados à contratação da empresa responsável pela prestação de serviços de segurança ao clube.

Foto: Reprodução / Instagram
Outro ponto levado em consideração pelos investigadores é a situação de Fernando José da Silva (Nandão), proprietário da empresa contratada. Segundo a investigação, ele também mantinha vínculo profissional com o Corinthians no período em que os serviços foram prestados.
A promotoria aponta ainda uma divergência nas informações apresentadas. Um documento encaminhado à Polícia Militar em 23 de maio de 2026 teria sido assinado por Fernando José da Silva na condição de gerente operacional do Corinthians, solicitando escolta para a delegação alvinegra em compromisso pela Copa Libertadores. O fato contrasta com informações anteriormente enviadas pelo clube ao Ministério Público, que indicavam atuação do profissional apenas entre setembro e outubro de 2025.
Com base nesses elementos, o MP-SP decidiu ampliar o procedimento e incluir formalmente Osmar Stabile entre os investigados. Como parte das diligências, a promotoria designou para o dia 23 de junho, às 11h15, o interrogatório do mandatário. O despacho também autoriza o acesso aos autos por defensores que se apresentarem em nome do presidente corinthiano mediante procuração, para que possam tomar conhecimento dos fatos investigados.
Além da oitiva de Stabile, a promotoria também solicitou ao Corinthians novos documentos relacionados ao caso. Entre os pedidos estão cópias do ofício enviado à Polícia Militar e informações adicionais sobre pessoas citadas no mesmo documento.
Clube alega contratação emergencial
A justificativa apresentada pelo Corinthians para a contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda é de que a medida ocorreu em caráter emergencial após a invasão à sala da presidência do clube, em 31 de maio de 2025. O episódio ocorreu em meio à grave crise política vivida pelo Corinthians e posteriormente se tornou um dos fatos relacionados ao processo que culminou na expulsão do ex-presidente Augusto Melo e de outros conselheiros do quadro associativo alvinegro.
Enquanto aguarda as novas informações requisitadas ao clube, o Ministério Público segue apurando as circunstâncias da contratação, a regularidade da prestação dos serviços e a eventual existência de responsabilidades criminais dos envolvidos.
Entenda a investigação
A apuração envolve a contratação da empresa Mega Assessoria Operacional Ltda., aberta em julho de 2025 por Fernando José da Silva. Segundo informações divulgadas anteriormente, a empresa prestou serviços no CT Dr. Joaquim Grava e no Parque São Jorge entre setembro e outubro daquele ano.
O caso passou a ser investigado após questionamentos sobre a atuação da empresa no segmento de segurança privada e sobre a formalização dos serviços prestados ao clube. De acordo com os documentos analisados pelo Ministério Público, foram emitidas três notas fiscais que, somadas, ultrapassam R$ 676 mil.
As descrições dos serviços apresentados nos documentos variam entre consultoria, assessoria e vigilância, o que também faz parte das apurações conduzidas pela promotoria.
Em declarações anteriores, Osmar Stabile afirmou que a contratação ocorreu em um contexto de reorganização da segurança interna do Corinthians após episódios de invasão em áreas administrativas do clube. O presidente declarou que solicitou reforço na estrutura de segurança, mas negou ter participado da criação da empresa ou ter conhecimento prévio de sua abertura.
A repercussão do caso resultou ainda no afastamento do então diretor administrativo Fábio Soares durante o andamento das investigações. Posteriormente, o dirigente renunciou ao cargo.
O Ministério Público segue apurando possíveis irregularidades relacionadas aos pagamentos realizados, incluindo suspeitas de falsidade ideológica, uso de interposta pessoa e outras infrações que possam ter ocorrido durante o processo de contratação. Fernando José da Silva também deverá prestar depoimento à promotoria nos próximos dias.
O Corinthians terá prazo determinado pelo MP-SP para apresentar a documentação solicitada e colaborar com o andamento das investigações.







































