Presidentes da CBF e FPF podem prestar esclarecimentos sobre o São Paulo ao MP
O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um Inquérito Civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.
Para coletar informações, o órgão listou uma série de nomes e entidades que podem ser convocados para prestar informações e esclarecimentos. Na lista, além de Julio Casares, presidente do São Paulo, e membros da diretoria do clube, estão Samir Xaud, presidente da CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF).
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A investigação tem por objetivo apurar se os atos do presidente Julio Casares e da Diretoria Executiva podem ter concorrido para o endividamento de cerca de R$ 1 bilhão.
O MP ainda busca entender se as medidas administrativas afetaram direitos coletivos, envolveram recursos públicos ou benefícios fiscais e podem gerar responsabilidade civil dos dirigentes.
Veja todos os nomes listados
Julio Cesar Casares – Presidente do São Paulo Futebol Clube
Sérgio Augusto Fonseca Pimenta – Diretor Executivo de Finanças do São Paulo
Roberto Soares Armelin – Diretor Executivo de ESG, Riscos e Compliance do São Paulo
Antonio Donizeti Gonçalves – Diretor Geral do São Paulo
Pedro Sansão Leite – Presidente do Conselho Fiscal do São Paulo
Olten Ayres de Abreu Júnior – Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo
Carlos Belmonte Sobrinho – Ex-Diretor de Futebol do São Paulo
Júlio Casares Filho – Filho do presidente do São Paulo
Aref Abdul Latif
Douglas Eleutério Schwartzmann – Diretor-adjunto da base do São Paulo
Mara Suely Soares de Melo Casares – Diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo
Marcio Carlomagno – Superintendente Geral do São Paulo
Rita de Céssia Adriana Prado
Carolina Lima Cassemiro
Erika Amigo – Ex-diretora de Marketing e Experiência do Cliente da Osten Group
Leandro Pinheiro Safatle – Diretor-presidente da Anvisa
Eduardo Rauen – Ex-integrante do Departamento Médico do São Paulo
Coordenador do Departamento Médico do SPFC (sem nome indicado)
Silvia Grecco – Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Samir de Araújo Xaud – Presidente da CBF
Reinaldo Carneiro Bastos – Presidente da Federação Paulista de Futebol
Pedro José Nogueira – Oficial de Promotoria (secretaria dos trabalhos)
Entidades e empresas que também podem ser chamadas
Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de SP
Secretaria Municipal da Fazenda de SP
Portaria de Instauração de inquérito civil
Pontos investigados pelo MP
Situação financeira e administrativa do clube, com movimentação de recursos, benefícios fiscais, terceirização da gestão e mecanismos de controle interno;
Utilização de fundos de investimento e antecipação de receitas, considerando o orçamento de 2026 e os impactos financeiros;
Transferências de atletas das categorias de base, incluindo cessão de direitos econômicos e efeitos sobre o patrimônio social;
Conflitos de interesse em negociações de atletas da base;
Uso da estrutura do clube em contrato com empresa fornecedora de veículos, entre dezembro de 2024 e junho de 2025;
Descumprimento de normas de acessibilidade, conforme ABNT e Lei Brasileira de Inclusão, no Estádio Cícero Pompeu de Toledo;
Comercialização de camarotes em dias de shows, com possíveis vantagens econômicas e vínculos com empresas ou dirigentes;
Aquisição de canetas emagrecedoras à base de tirzepatida, com verificação de autorização da Anvisa e regularidade legal.
A votação do impeachment de Casares está agendada para esta sexta-feira, às 18h30 (de Brasília). O pleito será conduzido de forma híbrida.
São necessários 171 votos a favor, de 254 conselheiros, seja de maneira presencial ou híbrida, para aprovar a destituição de Casares.
Quem assume em caso de impeachment?
Caso a destituição de Casares seja aprovada pelos conselheiros, o processo caminha para a última instância: a Assembleia Geral dos Sócios. Nesse cenário, ele permaneceria afastado de suas funções até a divulgação do resultado final, e a cadeira presidencial seria assumida pelo vice-presidente, Harry Massis Júnior.
Na Assembleia Geral, se os associados endossarem que Casares deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído. Em contrapartida, se o impeachment não passar no Conselho Deliberativo, o caso será encerrado.