Esporte News Mundo
·28 mars 2026
Renato Gaúcho afirma ter se arrependido de deixar clube rival do Vasco; entenda

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Em meio a reflexões sobre o desgaste da profissão, críticas ao imediatismo do futebol brasileiro e relatos que vão além das quatro linhas, Renato Portaluppi traçou um panorama sincero do momento vivido no comando do Vasco. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao ge, que serviu de base para todas as informações desta reportagem.

Renato Gaúcho, treinador do vasco – Foto: Matheus Lima/Vasco
Antes de tratar dos resultados, o treinador preferiu olhar para dentro. Evitou comparações com o trabalho anterior e destacou o impacto imediato da mudança de postura no elenco. “É difícil. Não quero entrar em mérito de como encontrei o grupo porque têm pessoas que vão achar que estou fazendo críticas ao trabalho do Diniz e não tenho nada a ver com o trabalho do Diniz. Gosto e me dou bem com ele, inclusive”, afirmou. Segundo ele, o ponto de virada esteve na confiança e na entrega. “Conversei, tive uma ideia e coloquei na cabeça deles que precisavam jogar com confiança e entrega. Foi o tal do ‘tesão’. Falei: ‘não tem torcedor que vai vaiar se vir o time se entregando e correndo’”.
O reflexo apareceu rapidamente. Com uma sequência considerada das mais difíceis, o Vasco saiu de um ponto em quatro jogos para uma arrancada que mudou o ambiente. Ainda assim, Renato evita qualquer empolgação. “A gente precisa trabalhar bastante ainda. Estou bem com os pés no chão. O torcedor tem direito de sonhar, mas eu como comandante tenho que estar com os pés no chão”.
A relação com a torcida, aliás, é um dos sinais mais visíveis da mudança de clima. “É divertido, o torcedor está em lua de mel. A maioria fala que está sofrendo há muito tempo. Só esses 10 pontos de 12 já podemos dar um sorriso”, disse. Fora de campo, o reconhecimento também aumentou. “Fui à praia e não conseguia jogar futevôlei. A cada dois minutos uma foto, um abraço, um choro. Pelo menos estou fazendo as pessoas felizes”.
Apesar do momento positivo, o treinador deixa claro que o cenário ainda exige cautela estrutural. Em conversa recente com o presidente Pedrinho, Renato tratou da necessidade de avanço na venda da SAF como caminho para dar fôlego ao clube. “A maioria dos clubes passa por problemas financeiros. E quando você tem problemas financeiros, você não tem condição de contratar. Se você não reforça seu grupo, fica difícil brigar lá em cima”.
O elenco enxuto também preocupa. Com apenas 24 jogadores, o técnico admite que reforços serão fundamentais para sustentar o desempenho ao longo da temporada. “O Brasileiro derruba. Se não reforçar, fica difícil. O que o presidente puder me dar de jogadores, eles serão bem-vindos”.
Mesmo ao abordar o mercado, Renato mantém a cautela pública e prefere tratar nomes internamente. A lógica, segundo ele, é preservar o ambiente do grupo. “Quando eu falo que quero um jogador para uma posição, o jogador da posição vai dizer: ‘estão trazendo alguém para o meu lugar’”.
No campo das ideias, o treinador também rebate críticas recorrentes sobre sua metodologia. Sem recorrer a discursos complexos, ele sustenta a eficácia na prática. “Eu não sou o treinador que vai falar palavras difíceis na frente da câmera. Eu me faço entender com meu grupo. Ninguém entra em campo com dúvida”. E complementa com números: “Não se compra vitória no supermercado. Os resultados estão aí”.
A visão sobre a profissão revela um lado mais humano do cargo. Renato descreve o cotidiano como exaustivo e mentalmente desgastante. “O treinador não dorme. Acorda de madrugada pensando em esquema. É uma tortura para a cabeça”. Para ele, o técnico acaba sendo o principal alvo em momentos de crise. “Deu errado? Manda embora o treinador. Nem sempre ele é o culpado, mas sobra para ele”.
Ao revisitar a própria trajetória, o comandante também admitiu arrependimento ao lembrar da saída do Fluminense. “Eu me arrependi de ter pedido demissão. Estávamos bem, mas coloquei coisas na cabeça e tomei a decisão de cabeça quente”.

Renato Gaúcho no Fluminense – Foto: Marcelo Gonçalves/FFC
No presente, porém, o foco está totalmente no Vasco. Em sua terceira passagem pelo clube, Renato reforça a identificação construída ao longo dos anos. “Sempre fui bem recebido pelo torcedor. O que eu posso fazer é trabalhar com meu grupo para dar alegria a eles”.
A análise do momento aponta para uma mudança clara de rumo. O Vasco deixou para trás um cenário de apatia e passou a competir com mais intensidade e objetividade. Ainda assim, o próprio treinador faz questão de frear qualquer projeção mais ousada. O desafio, agora, será sustentar o desempenho diante de um calendário mais exigente e de um elenco que ainda carece de peças.









































