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São Paulo

·29 juin 2026

São Paulo e Japão: histórias de longa data

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Neste dia 29 de junho, as seleções do Brasil e do Japão decidem a própria sorte em confronto direto pela Copa do Mundo de 2026 e, claro, o Arquivo Histórico não perde a chance de aproveitar o tema e falar mais um pouco de história do São Paulo, encaixando seis passagens bem interessantes da relação do Tricolor com os nipônicos.

A PRIMEIRA RECEPÇÃO


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A primeira vez que são-paulinos e nipônicos se depararam em um jogo de futebol foi ainda nas festividades de conclusão do então “Cícero Pompeu de Toledo”, o MorumBIS, em 1970. Tal como em 1960, na inauguração do estádio ainda em construção, o São Paulo promoveu a cerimônia em dois fins de semana (naquela oportunidade, com jogos contra Sporting Lisboa e Nacional do Uruguai). Desta vez, os convidados foram Porto, de Portugal, e o Mitsubishi Heavy Industries, do Japão.

O time japonês, que fazia parte do gigante conglomerado empresarial de mesmo nome, estava em turnê pela América do Sul a fim de ganhar experiência para as próximas competições asiáticas, como também no país de origem, mas, principalmente, para promover o nome Mitsubishi pelos locais visitados.

Apesar de todos os atletas serem amadores e funcionários da companhia – com outros tipos de empregos – o elenco japonês tinha alguns jogadores de renome, inclusive um nipo-brasileiro (Nelson “Daishiro” Yoshimura). Kenzo Yokoyama, goleiro; Hiroshi Katayama e Takaji Mori, meias; e Ryuichi Sugiyama, atacante, estiveram nos Jogos Olímpicos de 1964 e 1968 pelo Japão, e Vicente Feola, que comandou a Seleção Brasileira em Tóquio/64 os reconhecera, pois eles chegaram a fazer uma atividade com o treinador.

O são-paulino afirmara que eles haviam evoluído muito, e que as principais características desses jogadores eram a velocidade sem a bola e os passes rápidos. Mas para Zezé Moreira, o técnico do Tricolor, apenas o ponta-esquerda, Sugiyama, tinha alguma habilidade, sendo diferente dos demais. De toda maneira, nove atletas do grupo visitante faziam parte da seleção japonesa em 1970.

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Pelo relato dos jornais: não, a bicicleta não deu certo.

O jogo contra o Tricolor seria o terceiro do Mitsubishi na excursão. Antes, enfrentara o River Plate, na Argentina, e perdera por 3 a 1, mas conseguira voltar de Córdoba com um empate por 1 a 1 contra o selecionado local. (E, após a atuação no MorumBIS, ainda enfrentaram o América-RJ e o Flamengo no Brasil – 1 a 0 e 3 a 1 para os donos da casa – e o Unión Canárias e a Liga da Venezuela, em Caracas – 2 a 0 para os locais em ambos os encontros).

Após empatar com o Porto por 1 a 1 no dia 25 de janeiro, e depois de duas preliminares de categorias de base (Nacional x Pinheiros e São Paulo x Banespa) no dia 1º de fevereiro, o São Paulo venceu os convidados por uma das maiores goleadas já vistas até hoje no como era chamado à época Cícero Pompeu de Toledo. Na realidade, foi a maior da goleada da história do estádio até aquele momento.

11.786 torcedores assistiram a trinca de gols de Zé Roberto, aos dois de Miruca, e aos tentos de Carlos Alberto, Gerson e Roberto Dias, totalizando oito bolas na rede naquela tarde. 8 a 0 foi o placar final a favor do Tricolor. Um vareio de bola que, como as cenas da partida demonstraram, ilustrava que os japoneses ainda teriam um caminho muito longo por trilhar no cenário futebolístico mundial.

SÃO PAULO 8 x 0 MITSUBISHI HEAVY INDUSTRIES01/02/1970. Troféu Seleções do Readers Digest: Final (Única).São Paulo (SP), Estádio Cícero Pompeu de Toledo – MorumBIS.

SPFC: Sérgio; Cláudio Deodato, Jurandir, Roberto Dias e Tenente; Carlos Alberto (Nenê) e Gérson; Miruca (Válter Zum-Zum), Zé Roberto, Toninho Guerreiro (Babá) e Paraná. TÉCNICO: Zezé Moreira. GOLS: Zé Roberto, 8/1; Carlos Alberto, 12/1; Gerson, 18/1; Roberto Dias, 31/1; Miruca, 32/1; Miruca, 8/2; Zé Roberto, 14/2; Zé Roberto, 23/2.

RIVAL: Kenzo Yokoyama; Yoshio Kikugawa, Tadao Onishi, Hiroshi Katayama e Nelson “Daishiro” Yoshimura (Seiichi Sakiya); Kuniya Daini e Takaji Mori; Ichiro Hosotani (Michio Ashikaga), Kenji Okubo, Hiroshi Ochiai e Ryuichi Sugiyama. TÉCNICO: Hiroshi Ninomiya.

ÁRBITRO: Wilmar Serra.ASSISTENTES: João Araújo dos Santos e Pedro Paja…an RENDA: NCr$ 78.177,00.PÚBLICO: 10.532 pagantes.

A PRIMEIRA VIAGEM AO ORIENTE

Como visitante, entretanto, a primeira oportunidade para o Tricolor visitar a “Terra do Sol Nascente” veio somente em 1989, com a ajuda do Expressinho na disputa do torneio amistoso KKT Gahara Cup. No dia 24 de setembro – mesma data em que o time principal perderia por 2 a 1 para o Corinthians no Brasileirão de 1989 -, em Kumamoto, os são-paulinos entrariam em campo com uma camisa bem rara, fruto de ação de marketing da rede de TV Japonesa KKT (Kumamoto Kenmin Televisions), promotora e transmissora do evento: uma das marcas da emissora fora estampada por cima da faixa vermelha do conjunto tradicional.

Não que precisasse, mas deu sorte. Com o estranho logo na altura do peito, o São Paulo venceu a equipe campeã japonesa de 1988/89, o All Nippon Airways (time de futebol da empresa de viagens aéreas que posteriormente se tornaria autônomo com o nome de Yokohama Flügels, atualmente Yokohama F. Marinos, após fusão). 3 a 2 foi o placar, estabelecido com gols de Manu, Zigomar e Betinho.

Foi nessa partida oficial do Expressinho (tradicional time misto do São Paulo – uma combinação de reservas e aspirantes) que o famoso lateral Cafu estreou pelo Tricolor – embora na época ainda jogasse no meio de campo.

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ALL NIPPON AIRWAYS 2 x 3 SÃO PAULO24/09/1989. Troféu KKT Gahara Cup: Final (Única).Kumamoto (Japão), Estádio Mitsuzawa.

SPFC: Marcos; Osmar, César, Zigomar e José Valdo; Cafu, Betinho e Aritana; Anílton, Manu (Cláudio) e Elivélton (Neto). TÉCNICO: Pupo Gimenez. GOLS: Manu, ??/?; Zigomar, ??/?; Betinho (pênalti), ??/?.

RIVAL: Ryuji Ishizue; Fernando Moner, Naoto Hori, Yasuharu Sorimachi e Syuta Sonoda; Motohiro, Masanao, Osamu Maeda e Hitoshi Tomishima; Tatsuya Makiuchi (Hideki Hamada) e Nobuhiko Ueno. TÉCNICO: Toshihiko Shiozawa. GOLS: Desconhecidos.

ÁRBITRO: Desconhecido.PÚBLICO: ~18.000 pagantes (superior ao Majestoso, diga-se de passagem).

De lá, para cá, os são-paulinos fizeram outras quatro atuações contra equipes japonesas (Shimizu S-Pulse, Nagoya Grampus, Jubilo Iwata, em 1995; e Kashima Antlers, em 2013), acumulando, ao todo, um cartel de três vitórias, um empate e duas derrotas, com 17 gols marcados e nove sofridos.

VISITA IMPERIAL

No dia 5 de junho de 1997, o São Paulo teve a honra de receber a visita oficial do Imperador Akihito e da Imperatriz Michiko. A corte imperial japonesa foi recebida pelos chefes de estado do Brasil e do governo paulista em cerimônia que contou com o plantio de uma cerejeira na sede social, passeio pelo salão de troféus do Tricolor – com direito a placa honorífica instalada no Memorial do clube – e troca de presentes.

O imperador e a imperatriz foram presenteados pelo São Paulo com uma couraça de ametistas ornamentada com uma pequena réplica do Estádio do MorumBIS.

INTERCÂMBIO DE JOGADORES

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O forte vínculo do Tricolor com o Japão também se deu através de jogadores. Um dos primeiros são-paulinos a deixar o clube e desbravar o Oriente foi Marco Antônio Menezes de Godoy, mais conhecido como Lange, em 1987, quando acertou a transferência por empréstimo para o Yanmar Diesel Engine.

Na verdade… O passe do jogador foi trocado por uma máquina para aparar o gramado do Morumbi, de alta tecnologia e praticamente inexistente naquele Brasil de antes da abertura comercial aos produtos estrangeiros, ocorrida no início dos anos 1990.

Posteriormente, Lange foi cedido, em definitivo, ao Matsushita, também do Japão.

Fizeram o mesmo caminho: Wagner Lopes (Hitachi, 1985, em história já contada aqui), Ronaldão (Shimizu S-Pulse, 1993); Elivélton (Nagoya Grampus, 1993); Bentinho (Kashiwa Reysol, 1995); Alexandre, meio-campista (Kyoto Purple Sanga, 1995); Capone, zagueiro (Kyoto Purple Sanga, 1996); Emerson, atacante (Consadole Sapporo, 1999); Ricardinho, meio-campista (Kawasaki Frontale, 2000); Marcelo Ramos (Nagoya Grampus, 2001); Luizão (Nagoya Grampus, 2005); Roger (Kashima Antlers, 2005); Danilo e Fabão (Kashima Antlers, 2006); Leandro (Tokyo Verdy, 2008); Jorge Wagner (Kashiwa Reysol, 2010); Rodrigo Souto (Jubilo Iwata, 2011); Carlinhos Paraíba (Omiya Ardija, 2012); Ademilson (Gamba Osaka, 2017) e Danilo Gomes (Albirex Niigata, 2020).

E fizeram o caminho contrário, regressando do Japão: Bentinho (Verdy Tokyo), atacante em 1995; Almir (Bellmare Hiratsuka), atacante em 1995; Jorginho (Kashima Antlers), lateral-direito em 1999; Ricardinho (Bellmare Hiratsuka), meio-campista em 1999; César Sampaio (Sanfrecce Hiroshima), volante em 2004; Christian (Omiya Ardija), atacante campeão do mundo em 2005; e Borges (Vegalta Sendai), atacante bicampeão brasileiro em 2007 e 2008.

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Apesar do contrato citar outra peça, este panfleto se encontrava nos documentos de Lange, o que talvez indique que a máquina originalmente pretendida era esta…

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… ou que foi esta a realmente recebida.

O MENINO DE OURO

Supercampeões/Captain Tsubasa não é o único mangá que o São Paulo influenciou e foi retratado. Mesmo em poucas páginas, o escudo do Tricolor também aparece de relance em alguns quadros do volume 4, capítulo 22 de Golden Boy, uma publicação, digamos, mais adulta (erótica mesmo) lançada por Egawa Tatsuya em 1992.

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Quem quiser conhecê-la, não será difícil encontrá-la em sites otakus

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Contudo, o que todo tricolor associa diretamente ao pensar no Japão é o Mundial de Clubes. E todas as três conquistas mundiais do São Paulo foram obtidas em solo japonês. No antigo Estádio Nacional de Tóquio, em 1992 e em 1993, o Tricolor do mestre Telê Santana superou os adversários de maneira incontestável e ainda cativou, por décadas, o sentimento da torcida local.

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Em 1992, o São Paulo venceu, de virada, o Barcelona de Cruyiff e Stoichkov, por 2 a 1 – gols de Raí. E, no ano seguinte, dominou a partida contra o Milan, nunca ficando atrás no placar, e derrotou os italianos por 3 a 2, tentos anotados por Palhinha, Cerezo e Müller, de calcanhar, nos últimos minutos do jogo.

Tóquio ainda viu o Tricolor voltar a um Mundial em 2005, na primeira fase da competição, quando os são-paulinos venceram o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, por 3 a 2. Já o título se deu na cidade de Yokohama, no Estádio Internacional, que viu outro grande time europeu tombar perante o Time de Guerreiros de Rogério Ceni, Lugano, Aloísio e cia. São Paulo 1 x 0 Liverpool, gol de Mineiro.

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De quebra, entre as conquistas oficiais, o São Paulo ainda obteve a Recopa Sul-Americana de 1994 em território japonês. Em teoria, como campeão da Libertadores e da Supercopa de 1993, o Tricolor seria automaticamente o vencedor da Recopa, mas por conta de um acerto com os patrocinadores do torneio, o clube aceitou disputar a competição contra o campeão da Copa Conmebol de 1993, o Botafogo. Assim, em Kobe, os torcedores nipônicos viram mais uma vitória são-paulina: 3 a 1, gols de Leonardo – que fez história no Japão, anos depois – Guilherme e Euller.

De modo geral, no Japão, o São Paulo mantém um currículo de dez jogos, sete vitórias, um empate e duas derrotas. 21 gols foram marcados e 15 sofridos.

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