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·23 janvier 2026
São Paulo vive cenário político conturbado e volta a ter renúncia de presidente após 11 anos

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O São Paulo voltou a viver um cenário politicamente conturbado e, 11 anos depois, viu mais um presidente renunciar ao cargo. Na última quarta-feira, Julio Casares abriu mão da cadeira presidencial dias após a aprovação do processo de impeachment por parte do Conselho Deliberativo e deixou o comando do clube tricolor de maneira definitiva.
11 anos após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, foi a vez de Julio Casares deixar o cargo da mesma forma após a divulgação dos recentes escândalos na imprensa. A Polícia Civil investiga um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote do Morumbis, além de possíveis desvios de dinheiro na venda de atletas. O agora ex-presidente também está na mira das autoridades por ter supostamente recebido R$ 1,5 milhão, em dinheiro vivo, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Em 2015, Carlos Miguel Aidar passou por situação parecida no comando do São Paulo. O ex-presidente foi alvo de uma série de acusações de corrupção — entre elas, a de desvio de dinheiro nas negociações de jogadores. O estopim do caso foi um áudio gravado por Ataíde Gil Guerreiro, ex-diretor e vice-presidente da gestão, em que Aidar teria supostamente confessado práticas corruptas.

Carlos Miguel Aidar renunciou ao cargo de presidente do São Paulo no dia 13 de outubro. A gestão do mandatário ficou marcada por denúncias de corrupção e escândalos políticos. A saída do cargo foi concretizada após o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, dizer aos conselheiros que havia gravado Aidar admitindo a prática de atos ilícitos no clube. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Na ocasião, Ataíde Gil Guerreiro enviou um e-mail ao ex-dirigente e aos conselheiros tricolores dizendo possuir provas de que Aidar vinha desviando dinheiro oriundo de negociações de atletas. Também pesou contra o ex-presidente a denúncia de que o acordo com a fornecedora Under Armour rendeu uma comissão de R$ 6 milhões à empresa da namorada de Aidar, Cinira Maturana.
Diante dos escândalos, Aidar ficou praticamente sem aliados. A oposição, inclusive, já começava a se articular para protocolar um pedido de impeachment. Em meio ao cenário caótico, o presidente renunciou à presidência do São Paulo no dia 13 de outubro de 2015, dois anos antes do fim do mandato. Ele entregou o pedido de desligamento nas mãos do presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e disse: “Entreguei o papel ao Carlos Augusto. Ele é o novo presidente”.
Após 11 anos, o cenário voltou a se repetir no São Paulo. A pressão sobre Casares começou a crescer a partir do dia 16 de dezembro, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso.
Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil também passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares. Diante de tal cenário, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou um pedido de impeachment do mandatário, com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.

(Foto: Divulgação/SPFC)
Já no dia 6 de janeiro, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário alegaram que não há qualquer tipo de irregularidade.
Em 15 de janeiro, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.
Depois da aprovação do processo de impeachment por parte dos conselheiros do São Paulo, Casares se viu encurralado e com pouquíssimo apoio político. Neste sentido, ele foi aconselhado por pares próximos a renunciar ao cargo, o que aconteceu cinco dias após o afastamento temporário.
Diferente de Aidar, Casares publicou a carta de renúncia nas suas redes sociais. O agora ex-presidente do São Paulo escreveu um extenso texto, no qual negou irregularidades e revelou que a família tem sofrido ameaças por conta da situação.
Casares ainda enfatizou que a renúncia não é, de forma alguma, uma confissão de culpa. O ex-presidente do São Paulo, que comandou o clube de 2021 a 2023 (primeira gestão) e de 2024 a 2025, ainda indicou possíveis traições institucionais e “articulações de bastidores” contra ele.
“Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube – fatos que o tempo e a história haverão de registrar”, diz trecho do texto.
Julio Casares não é o primeiro a renunciar ao cargo de presidente do São Paulo. Antes dele, outros 10 dirigentes também abandonaram a posição antes do término de seus respectivos mandatos, sendo o segundo a deixar a função no século XXI.
As primeiras renúncias de presidentes do São Paulo vieram em 1935 e 1936, com João Baptista da Cunha Bueno e Manoel do Carmo Mecca. Depois, em 1938, Frederico Antônio Germano Menzes deixou a função, cenário que se repetiu no mesmo ano com Cid Mattos Viana. Já em 1940, foi a vez de Piragibe Nogueira abandonar a posição, seguido por Paulo Machado de Carvalho.
Em 1946, quem renunciou à presidência foram dois nomes: Décio Pacheco Pedroso e Roberto Gomes Pedrosa. Um ano depois, Paulo Machado de Carvalho deixou o comando do clube pela segunda vez. Por fim, em 2015, Aidar decidiu pela renúncia, assim como Julio Casares, 11 anos depois.


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