Central do Timão
·2 mai 2026
Técnico do Corinthians fala sobre solidez defensiva, detalha aproximação com Garro e exalta Yuri Alberto

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Na noite da última quinta-feira (30), o Corinthians recebeu o Peñarol, do Uruguai, na Neo Química Arena, em duelo válido pela terceira rodada da fase de grupos da Conmebol Libertadores de 2026, e acabou vencendo pelo placar de 2 x 0. Os gols do Alvinegro foram marcados pelo zagueiro Gustavo Henrique e o meia Jesse Lingard. O triunfo fez com que a equipe corinthiana se isolasse ainda mais na liderança do Grupo E do torneio com nove pontos – seis gols marcados e zero sofridos.
Em entrevista coletiva após a partida, o técnico Fernando Diniz foi questionado sobre os trabalhos defensivos na equipes desde sua chegada, falou sobre o desempenho de Gustavo Henrique, detalhou a aproximação que teve com o meia Rodrigo Garro e a importância tática de Yuri Alberto. Além disso, respondeu sobre o retorno de Memphis Depay, ressaltou Raniele e sua identificação imediata com a torcida corinthiana.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Confira abaixo todas as respostas de Fernando Diniz na entrevista coletiva:
Solidez defensiva – sete jogos desde sua chegada e nenhum gol sofrido
“Eu acho que eu já falei isso outras vezes, o trabalho defensivo começa com o Garro e com o Yuri e às vezes está começando e terminando com os dois e isso que está fazendo com que o time jogue de uma maneira segura, não tira espaço de ninguém. Isso facilita para que o Garro fique mais conectado com o time e eu acho que isso faz parte do momento que ele está vivendo. É um jogador especial, um talento diferente, um jogador meio que a moda antiga, camisa 10 como tem poucos hoje no futebol mundial e é um prazer muito grande poder contar com ele e contribuir de alguma forma para que ele continue brilhando.”
Regularidade de Gustavo Henrique
“O Gustavo Henrique também é outro, que é um prazer trabalhar com ele, é um jogador de um nível muito alto, com um pouco mais de tempo, se tivesse vindo antes para o futebol brasileiro, teria a chance de jogar a próxima Copa do Mundo. Ele tem feito boas partidas comigo, já estava jogando bem, mas especificamente no período que eu estou aqui, está sendo fundamental na parte defensiva, ofensiva e acho que principalmente na parte da liderança. É uma liderança nata, é um jogador que tem um nível de inteligência muito diferente também, bem acima da média, e ele soma em todas as frentes para o Corinthians, é muito bom também contar com um jogador dessa qualidade e dessa integridade de caráter.”
Como enxerga o posicionamento de Breno Bidon
“Eu acho que ele joga em todo lugar do campo, como ele está jogando comigo, tem uma característica um pouco parecida com a do Gabriel Sara. Quando ele joga aberto ele não joga de ponta, não fica aberto quase, só se o time adversário as vezes baixar muito as linhas de marcação ele fica um pouco mais aberto, mas ele joga flutuando, não muda muito o que ele faz com a bola, a posição que ele está no campo, muda mais no aspecto defensivo, se ele vai marcar mais por dentro, se ele vai fechar mais o funil, se ele vai subir a marcação junto com os dois jogadores da frente. E ele é capaz de executar muitas funções no campo, e também tem um entendimento muito fácil do jogo, de futebol, é um dos jogadores mais inteligentes de futebol brasileiro, na minha opinião taticamente o Breno Bidon.”
Postura do Corinthians em campo – comparações principalmente com 2025
“Eu acho que jogar com raça e vontade é quase uma obrigação num ato de humildade com ato de inteligência. E a gente tem um espelho muito claro no Corinthians, que é a torcida, que joga o tempo todo com o time e com raça, e luta o tempo todo pelo time. Eu acho que o time e a torcida estão fazendo uma conexão cada vez mais forte, e isso acho que é a nossa maior arma, se conectar cada vez mais com o torcedor, o torcedor saber que não vai faltar vontade, que não vai faltar brilho, e é uma coisa que eu mais preconizo na minha carreira inteira, é que jamais falte vontade, pode faltar tudo, e esse time, é um time que está mostrando muita vontade. Depois da parte técnica e a parte tática, a gente consegue ajustar, a gente não consegue nunca ajustar a falta de vontade, a falta de vontade é uma coisa que mata, o meu trabalho pelo menos, ele morre quando tem falta de vontade, e os jogadores estão cada vez mais conscientes disso, e a marcação é uma das armas que a gente tem, para mostrar que a gente tem vontade, de ser solidário para marcar e procurar ter coragem e ter alegria quando a bola estiver nos nossos pés.”
Importância de Raniele para a equipe e projeção de retorno de Memphis Depay
“Eu não vou falar de projeção, vou falar que ele está cada vez melhor, eu acho que o Memphis, já falei em outra entrevista, a gente tem que ter cuidado, tem que ter prudência, ele tem que voltar agora de uma maneira bem consistente para ele permanecer no campo, e ele está se dedicando todos os dias, em dois períodos, tratamento, está toda hora participando, hoje mesmo no vestiário, é uma liderança extremamente importante para nós, e ele tem que voltar com saúde física e também bem preparado para aguentar a demanda dos jogos.”
“Em relação ao Raniele é um jogador, já falei na outra entrevista também, muito identificado com o Corinthians, é um cara que não se nega a fazer nada, joga em mais de uma posição também. Na realidade, ele é um zagueiro de origem. O Raniele, quando eu enfrentei ele as primeiras vezes, era quarto zagueiro, aqui no Corinthians ele também jogou de zagueiro, ele jogou de volante, principalmente quando ele veio do Cuiabá com o Antonio Oliveira, as vezes ele ia e jogava de volante, então ele se adapta muito rapidamente. Ele é um jogador que, embora se tenha uma pergunta falando da técnica dele, a qualidade técnica do Raniele sempre foi pouco ressaltada, ele é um jogador que tem boa técnica, é um jogador que tem bom passe, tem bola longa, tem bom cabeceio, tem boa recepção, só que ele é um jogador de origem de zagueiro.”
“Às vezes o 5 quando ele pega de costa é uma coisa que não é muito uma coisa que ele teve o hábito a vida inteira de jogar, quando ele está de frente para o jogo ele é um jogador que dificilmente erra passe, pelo menos comigo assim, ele joga cada vez melhor, o grau de confiança dele tem aumentado cada vez mais e é outro também que é muito bom ver ele jogando tão bem como ele está jogando.”
Aproximação com Rodrigo Garro em sua chegada
“Eu acredito que, vamos falar uma coisa que eu falei, acho que dois ou três jogos atrás, de uma maneira espontânea, que o jogador não é só músculo e osso. O Garro todo mundo sabe que ele teve um problema pessoal tempo atrás, e isso ninguém é de ferro, todas essas coisas tem interferência no jogador. O jogador é ser humano, é uma pessoa. Eu acho que uma das coisas que talvez esteja colaborando, que eu tive uma aproximação muito fácil com o Garro, de procurar entender como é que ele funciona, como é que ele vive, da origem, como é que ele nasceu na Argentina, o que ele gosta de fazer, como ele gosta de jogar. O jogador, quando ele é tratado de uma maneira um pouco mais próxima, a tendência é que ele fique mais solto e mais feliz. E ele é um cara que tem um talento raro, ele é uma raridade, não no futebol brasileiro, no futebol argentino e no futebol mundial.”
“Um jogador que enxerga muito fácil o jogo, tem uma técnica muito refinada, e é um jogador também que tem um senso de coletividade alta. É um jogador que sabe jogar de maneira gregária, e se às vezes não jogava, não era muito por conta da personalidade dele. A personalidade dele é uma personalidade que gosta da coletividade. É uma questão de, eu acho que nesse momento a gente está acendendo essa chama nele, cada vez mais, ele poder jogar perto dos jogadores, tanto no momento que a gente está com a bola e no momento que a gente estiver sem a bola.”
Análise do jogo contra o Peñarol-URU pela Libertadores
“Eu acho que o primeiro tempo foi muito bom, foi o melhor primeiro tempo desde que eu estou aqui, em termos de intensidade, volume de ataque, de relação pós-perda, de marcação. Marcação fizemos outros jogos também tão bons quanto. E para o segundo tempo, na realidade, é uma coisa, existe uma acomodação que a gente sempre tem que lutar contra, que a gente podia ter acelerado mais o jogo. No segundo tempo, acho que a gente poderia ter acelerado mais, buscado mais o gol do adversário, circular com mais velocidade a bola, mas talvez os jogadores, de uma maneira meio inconsciente, a gente tem jogo daqui a dois dias de novo, e depois de dois dias tem viagem e jogo contra o Mirassol. Então, talvez os jogadores, na inconsciência, acabam diminuindo um pouco o ritmo. Controlar o jogo também era uma coisa que valia a pena no jogo, mas mesmo controlando, achei que a gente podia, em determinados momentos, acelerar para buscar o terceiro e o quarto gols.”
Utilização de Matheus Bidu e Matheuzinho no seu sistema de jogo
“Eu acho que os dois laterais que a gente tem é muito bem servido, uma dupla de laterais que poucos times têm no futebol brasileiro. Na minha opinião, também são dois jogadores que poderiam pleitear a lista de seleção brasileira, tanto o Bidu quanto o Matheuzinho. E é uma das alternativas, eles jogarem por dentro, porque eles têm condição técnica e disposição física para fazer. Então hoje no jogo, em alguns momentos pediam, eu acho que facilitou quando o Bidu entrou um pouco nas costas dos volantes para profundizar um pouco a marcação, e a gente tem treinado isso aos poucos, na parte tática a gente vai incrementando e criando novas situações de ataque para facilitar para os jogadores o momento do jogo. Acho que no jogo de hoje a gente conseguiu ter um repertório bem interessante, principalmente no primeiro tempo.”
Identificação rápida com a torcida corinthiana
“Eu acredito que sim. Eu acho que eu e a torcida, de uma certa maneira, (5:37) daquilo que eu sou como ser humano, como treinador, eu acho que tem uma identificação muito clara desse visto. Muita gente falava para mim que você tem a cara do Corinthians, o dia que acontecer vai ser legal. E de fato está sendo. Não vou falar para você que está sendo surpreendente, está sendo maravilhoso, fantástico, está sendo uma coisa inebriante. Para mim, eu me sinto muito pleno aqui, muito feliz. Desde o dia que eu fui anunciado, parece que de fato a vida foi uma preparação constante. A gente sempre está se preparando sem saber, porque o Corinthians é algo muito gigantesco. E para mim, eu sei da responsabilidade, eu sei do tamanho e eu me sinto muito feliz aqui, muito feliz. Eu tenho uma alegria e uma espontaneidade muito grande. Eu acho que é uma coisa que tem muito a ver, sabe? E eu acho também que eu peguei um grupo de jogadores que tem muito a ver com aquilo que eu penso.”
“A diretoria da mesma forma, o Marcelo está aqui na minha frente. A gente já esteve há cinco anos meio que se namorando uma hora para poder trabalhar junto. E a gente hoje está trabalhando junto, que é um grande prazer. É um trabalho de muitas mãos. Eu não tenho a mínima pretensão de fazer nada sozinho, eu não gosto de fazer as coisas sozinho. Eu gosto de ter muita ajuda e o Corinthians é mais um lugar em que eu tenho muita ajuda. Tem muita gente boa, o pessoal do departamento médico é ótimo, o pessoal da performance é ótimo. Eu trouxe bons auxiliares comigo, pessoas da minha extrema confiança, de muita competência. Então a gente está somando muitas forças.”
“Existe uma comunidade dentro do Corinthians, principalmente dentro do CT ali em Intramuros, que ela é muito competente. Existe uma facilidade de comunicação com o pessoal da cozinha, com seguranças, uma coisa que tem muito a cara do Corinthians. E nesse sentido, tem muito a minha cara também. Em todo lugar que eu trabalhei, se você perguntar, eu gosto que as pessoas participem, se sintam parte daquilo que é a minha cara também. Que as pessoas participem, se sintam parte daquilo que está acontecendo. Não interessa a função, interessa a gente ser gente, a gente ser tratado como gente, a gente gostar de estar ali. Às vezes é um bom dia, uma boa tarde, um sorriso de uma cozinheira ou de uma pessoa que faz parte da limpeza, que faz muita diferença. E eu acho que os jogadores também gostam desse ambiente. Eu acho que essa soma de coisas faz o Corinthians ficar cada vez mais forte e se conectar cada vez mais com a torcida, que todo mundo sabe é um grande patrimônio do Corinthians, a sua torcida.”
Bom início de Libertadores do Corinthians
“Eu acho que é uma coisa que eu não acho que é tranquilo. Eu acho que é muito trabalho envolvido e muita dedicação. Os jogadores estão se entregando e se empenhando ao máximo. Por exemplo, a gente vai jogar em Mirassol, a gente fez uma logística que podia dar algum ruído, e talvez em outros clubes desse ruído, mas a gente vai se apresentar… Hoje a gente vai chegar em casa, os caras, duas, três horas da manhã, mas a gente treina, na quinta-feira, no sábado a gente se apresenta, treina e vai para Mirassol, e depois eles vão voltar para casa só na quinta-feira. Então a gente vai para Mirassol, vai voltar, e eu achei o melhor, junto com todo mundo, a gente dormir no CT, em vez de ir para casa, para depois voltar e treinar. E não teve nenhuma argumentação. Mas é isso mesmo que a gente tem que fazer, isso que é o melhor para nós, é o melhor para o clube. Então é um tipo de compromisso que eles têm, que tem feito com que as coisas tenham dado bem, não só na Libertadores, como no Campeonato Brasileiro também.”
Desejo antigo de trabalhar com Yuri Alberto e profissionalismo do jogador
“O Yuri é um dos jogadores que eu tinha muita gana de trabalhar junto, porque ele representa muita coisa que eu penso no futebol e da vida. E sem conhecê-lo, eu já sabia o que eu ia encontrar quando um dia eu fosse trabalhar com ele. E é exatamente aquilo que eu imaginava. Esse é uma pessoa diferente. Ele é um cara que ele não fez gols, e a gente está ganhando jogos, que é o mais importante, mesmo ele sem fazer gol, e uma das coisas mais importantes é porque ele está no time. Porque ele é um exemplo de tudo aquilo que eu quero que os jogadores façam. Ele não desiste, ele trabalha, ele é solidário, ele está todo o dia corajoso. São qualidades humanas que fazem dele, para mim, um jogador muito especial.”
“E uma pessoa muito especial. É uma honra para mim trabalhar com o Yuri Alberto. Em momentos que ele esteve aqui no Corinthians de questionamento, eu até mandei mensagem através do Marcelo Carpes, que é meu amigo, o treinador de goleiros. Falei: ‘Fala para esse cara que eu estou com ele sempre. Torcendo para que aconteçam as melhores coisas’. Porque esse é um jogador que merece muitas coisas e aqui no Corinthians ele já ajudou a conquistar muitas coisas. E foi importante, porque ele merece, ele tem muito merecimento. Para mim é muito bom trabalhar com esse cara, muito mesmo.”
Cobrança na beira do campo mesmo com a equipe vencendo um jogo ‘tranquilo’
“Eu sou um cara exigente mesmo. Eu não gosto de desperdiçar talento e tempo de vida. Eu acho que, naquele segundo tempo, a gente podia ter acelerado um pouco mais o jogo, mas está ok. Mas é o meu jeito. Eu consigo ajudar os jogadores dessa forma. Tudo o que eu fiz na minha vida até hoje no futebol, por essa inquietude e essa vontade de extrair o máximo dos jogadores. Nesse caminho, a gente vai aprendendo, vai errando, acertando, mas é um desejo muito grande, de fato, de fazer o melhor o tempo todo. Assim como a torcida.”
Próximo compromisso
Após bater o Peñarol-URU, na Neo Química Arena, por 2 x 0, pela fase de grupos da Conmebol Libertadores, o Corinthians retoma seus focos para a disputa do Campeonato Brasileiro. Isso porque, no próximo domingo (3), às 20h30 (de Brasília), o Alvinegro visitará o Mirassol, no Maião, pela 14ª rodada da competição nacional. Atualmente, o Timão ocupa a 14ª colocação com 15 pontos – três vitórias, seis empates e quatro derrotas – nove gols marcados e 11 sofridos.







































