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·5 mars 2026
Três rodadas cruciais para o Flamengo

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Quando um time troca de treinador, o esperado é um ganho imediato de performance. Trocas de treinadores costumam ocorrer diante de uma sequência de resultados ruins, muitas vezes em decorrência da “perda do vestiário” – a constatação de que o técnico não é capaz de fazer a equipe render em todo o seu potencial. Por conta disso, a chegada do novo treinador é uma renovação da esperança, um período de muito apoio e crença em dias melhores.
Infelizmente, Leonardo Jardim não terá nada disso a seu favor. A inesperada demissão de Filipe Luís coloca sobre o novo treinador uma pressão inédita: o time precisa evoluir muito rapidamente e entregar mais do que entregava com Filipe até bem pouco tempo. Jardim será inevitavelmente comparado ao time multicampeão de Filipe.
Filipe Luís, como soubemos pelo vazamento do áudio, foi demitido por uma escolha pessoal do presidente, que considerou que o Flamengo não estava indo na “direção adequada”. Sem entrar no mérito dessa escolha – e eu discordo dela frontalmente, em qualquer cenário hipotético – a forma como foi realizada tornou tudo particularmente desastroso.
Jamais demitiria um treinador que há apenas 2 meses ganhou o Brasileiro e a Libertadores, por ter perdido a Recopa na prorrogação, sobretudo por erros individuais dos atletas (leia meu último artigo: É maratona, não 100 metros rasos), mas posso entender que alguém seja impetuoso a esse ponto. Se Filipe tivesse sido demitido no dia seguinte à partida, de forma convencional e ainda sob o calor da frustração da derrota, tudo faria um pouco mais de sentido.
Porém, deixar Filipe treinar o time em um jogo protocolar (onde o time acabou tendo uma grande atuação), deixá-lo dar uma longa entrevista e dispensá-lo em uma conversa de 1 minuto na madrugada é um desrespeito inaceitável. Filipe Luís é um ídolo do Flamengo, muito querido pela torcida e até quem estava aborrecido com o desempenho do time se chocou, afinal, é muito raro quem não seja grato ao Filipe.
Não descarto que possamos viver uma situação parecida com a de Jorge Jesus: todo treinador que chegava ao Flamengo sofria com a comparação com JJ. Quem quebrou essa corrente foi justamente Filipe Luís, que entregou resultados parecidos (ainda que ligeiramente inferiores). Com um agravante: se Jesus foi embora virando as costas para nós, Filipe vai carregar o símbolo do desrespeito e ingratidão em seu último ato.

Com esse ambiente, ao Jardim só resta uma opção viável: entregar vitórias rapidamente! E, felizmente, as condições parecem estar ligeiramente favoráveis.
O Flamengo patinou nesse começo de temporada por conta de seu declínio técnico, mas as partidas contra Madureira e Lanús (sim, Lanús) sugerem que o pior pode ter passado. E a tabela do Brasileiro dará um pequeno refresco.
O primeiro jogo de Jardim, será, que ironia, contra o Cruzeiro no Maracanã, outro time em fase irregular. Na sequência, Botafogo no Nilton Santos, onde o Flamengo recentemente venceu. E depois o Remo, caçula da Série A, no Maracanã. Três jogos sem precisar viajar, contra adversários que não chegam a ser dos mais complicados.
Meu palpite: se Jardim fizer 9 pontos, Filipe Luís será página virada e ego do presidente, do tamanho da Lagoa Rodrigo de Freitas, estará inflado como nunca; com 7 pontos, haverá algum alívio e paz; com 5 ou 4 pontos, um princípio de crise já rondará a Gávea; com 3 ou menos, o “ForaJardim” será inevitável.
Nem coloquei a decisão do Carioca na equação. É muito difícil prever o que pode acontecer (a má atuação do Fluminense contra o Vasco depõe contra o favoritismo que lhe atribuíam) e, ao menos em condições normais, o que acontece no Carioca não deveria ser parâmetro para o restante da temporada, principalmente quando praticamente nada poderá ser creditado à intervenção de Jardim. Mas, claro, uma vitória acachapante ou uma derrota humilhante pode colocar mais tempero no cozido.
Leonardo Jardim é um grande treinador e o Flamengo é favorito para ganhar o Brasileiro. Tem tudo para dar certo. Mas o novo técnico chegou num momento delicado: ainda precisa adaptar o time às suas ideias e duas commodities muito valiosas do futebol, tempo e respaldo, estão em falta no Flamengo das urgências. Ele precisará de resultados rápidos para conquistá-las.
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