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JB Filho Repórter

·13 mai 2026

Um jogo com muita coisa importante pra ser falada no Inter

Image de l'article :Um jogo com muita coisa importante pra ser falada no Inter
  • A classificação do Inter para as oitavas da Copa do Brasil precisa, sim, ser tratada como algo positivo. Primeiro pela questão esportiva, obviamente. O clube avançou de fase. Segundo porque colocou mais R$ 3 milhões no caixa, que somados aos R$ 2 milhões já garantidos anteriormente fazem o Colorado chegar a aproximadamente R$ 5 milhões arrecadados na competição. E dentro do cenário financeiro atual do clube, isso pesa bastante.
  • Ainda mais porque existe uma percepção muito forte no futebol brasileiro de que até a parada para a Copa do Mundo pouca coisa realmente vai mudar em termos de desempenho coletivo. Não existe tempo para treinar, recuperar jogadores ou reorganizar profundamente equipes que ainda estão tentando encontrar um padrão. Então a lógica acaba sendo quase sobrevivência: vai vencendo do jeito que dá, vai passando de fase e tenta chegar vivo até o período de pausa.
  • Só que ao mesmo tempo seria exagerado ignorar os problemas que o Inter mostrou mais uma vez. Porque o adversário era um time de Série B que hoje aparece longe das primeiras posições da competição. E mesmo assim o Internacional sofreu bastante em vários momentos da partida. O roteiro foi parecido com outros jogos recentes: muita dedicação, organização defensiva em alguns momentos e dificuldade enorme quando precisa controlar a partida ou propor o jogo.
  • E aqui existe um ponto importante. Falta tudo para esse Inter, menos entrega. Esse elenco pode até ter problemas técnicos, físicos ou de construção coletiva, mas não dá para dizer que falta vontade. O time corre, compete, tenta se organizar e mostra dedicação o tempo inteiro. O problema é que dedicação sozinha não resolve jogos na Série A.
  • Talvez por isso o placar de 3 a 2 deixe uma sensação tão estranha. Porque o Inter avançou, fez sua obrigação e garantiu o dinheiro da classificação. Só que ao mesmo tempo passou dificuldades contra um adversário tecnicamente inferior. E isso inevitavelmente gera preocupação pensando no restante da temporada.
  • Dentro desse cenário, Bernabei foi disparado o grande destaque da partida. O argentino vive talvez seu melhor momento desde que assumiu uma função muito mais agressiva no time do Pezzolano. Hoje o Inter claramente protege mais o lateral defensivamente para explorar aquilo que ele realmente tem de melhor: chegada no ataque, profundidade e capacidade de decisão perto da área.
  • O terceiro gol resume muito isso. Bernabei entrando na área, atacando espaço e finalizando cruzado. Além disso, ainda participou diretamente das outras jogadas ofensivas mais perigosas do Inter com cruzamentos muito bem executados. É um jogador que cresce justamente quando recebe liberdade para atacar.
  • Claro que existe o outro lado da discussão. Todo mundo sabe que defensivamente ele segue tendo limitações importantes. O próprio Pezzolano tenta defender publicamente o lateral nas entrevistas, mas basta olhar os jogos para perceber que o ponto forte dele definitivamente não é o enfrentamento individual defensivo. Mesmo assim, ofensivamente ele hoje talvez seja o jogador mais desequilibrante do time.
  • O Borré também merece destaque. Três jogos, três gols. E isso muda bastante a percepção sobre o atacante nas últimas semanas. Até pouco tempo atrás existia uma cobrança pesada em cima dele, especialmente depois daquele jogo da Recopa Gaúcha contra o Brasil de Pelotas, onde muita gente inclusive questionou até a necessidade de utilizá-lo numa partida daquele tamanho.
  • Só que agora o colombiano começa a mostrar justamente aquilo que se espera de um centroavante. Gol de presença de área, antecipação, leitura de rebote e ocupação dos espaços certos. Ainda está longe de justificar completamente o investimento feito pelo clube, mas pelo menos já existe uma sequência positiva que antes nem aparecia.
  • Taticamente, o Inter também mostrou algo interessante. O time teve uma estrutura muito parecida com aquilo que o Grêmio vem usando recentemente com Luís Castro. Bruno Gomes praticamente virou um terceiro zagueiro em vários momentos, liberando Bernabei e Vitinho pelos lados. Na frente, Alan Patrick e Alex aproximavam bastante do Borré, formando quase uma linha de apoio ao centroavante.
  • Só que aí aparece uma discussão importante sobre Alan Patrick. Porque novamente ele não fez uma grande partida, embora tenha participado do gol do Bernabei com assistência. E talvez a questão nem seja exatamente queda brusca de rendimento individual. O problema parece muito mais ligado ao contexto físico que o modelo do Pezzolano exige.
  • O Inter hoje joga num ritmo muito mais intenso fisicamente. O time acelera mais, pressiona mais, corre mais e ataca espaços em velocidade. Alan Patrick nunca foi exatamente esse jogador. Antes ele conseguia controlar os jogos tecnicamente mesmo sem intensidade física absurda. Agora, cercado por um time muito mais vertical, a sensação visual é de que ele ficou lento.
  • Mas talvez não seja ele que tenha diminuído drasticamente. Talvez os outros simplesmente estejam jogando num ritmo muito acima do que o camisa 10 consegue acompanhar hoje. E quando além disso a parte técnica também cai um pouco, começam naturalmente os debates sobre reserva.
  • Ao mesmo tempo, a defesa segue sendo um problema enorme. Víctor Gabriel e Félix Torres voltaram a passar insegurança em momentos decisivos. No primeiro gol sofrido, os dois acabam se atrapalhando na marcação e deixam espaço para a jogada acontecer. E isso já virou uma repetição dentro da temporada.
  • Inclusive existe uma sensação crescente de que o Inter vai precisar olhar para o mercado em busca de zagueiros. Porque individualmente o sistema defensivo continua cometendo erros importantes praticamente todo jogo.
  • E inevitavelmente isso chega também no Rochet. O goleiro uruguaio já vinha sendo questionado pelas atuações recentes e novamente deixou dúvidas. Não necessariamente por grandes falhas grotescas, mas porque começou a perder justamente aquele aspecto que sempre o diferenciou: a capacidade de resolver lances difíceis e transmitir segurança.
  • No segundo gol sofrido, por exemplo, ficou a sensação de que faltou uma intervenção mais agressiva na bola. E isso pesa porque antes Rochet costumava justamente compensar falhas defensivas do time com defesas e saídas decisivas. Hoje isso já não acontece com a mesma frequência.
  • No fim das contas, o Inter sai classificado, coloca dinheiro importante no caixa e mantém viva uma competição que pode ganhar muito peso depois da parada para a Copa do Mundo. Só que ao mesmo tempo a partida reforça vários problemas que continuam aparecendo repetidamente: defesa insegura, dificuldade para controlar jogos e dependência muito grande de jogadores específicos como Bernabei e Borré para produzir ofensivamente.
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