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Icon: JB Filho Repórter

JB Filho Repórter

·24 juillet 2026

Um jogo de várzea em plena Copa Sul-Americana

Image de l'article :Um jogo de várzea em plena Copa Sul-Americana
  • O Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Bolívar na altitude, pela repescagem da Copa Sul-Americana, mas continua vivo na competição. Agora, sinceramente, foi um jogo de várzea. A partida começa com gol dos caras, o Grêmio consegue empatar com muito esforço e, um minuto e meio depois, toma outro gol. Em certo momento, estava 2 a 2 e tu pensava: “Bom, numa dessas o Grêmio acha um gol, o Villasanti aparece, e a gente volta para casa com um empate”. Só que, na segunda etapa, foi um massacre do Bolívar. O Weverton teve que fazer uma ou duas defesas absurdas e, se a gente forçar, até um terceiro milagre. O Grêmio só não saiu perdendo de quatro ou cinco porque o goleiro estava numa noite inspirada.
  • Eu sei que existe a altitude e jamais vou desprezar esse fator. É óbvio que jogar em La Paz é muito impactante. Mas o Grêmio joga no nível do mar e, mesmo assim, continua tendo enormes dificuldades. O time é insuficiente. Tem problemas de organização, sim, e o Luís Castro precisa ser cobrado por isso, mas também temos que começar a responsabilizar os jogadores pelas decisões que tomam em campo. Tomar um gol com um minuto de jogo não é culpa do treinador. Empatar uma partida com muito esforço e tomar outro gol um minuto e meio depois também é responsabilidade dos atletas.
  • O Pavón, por exemplo, vai dormir sonhando com o Patito Rodríguez. O cara tem quase 40 anos, jogou no Santos e nunca foi nada demais, mas hoje fez o que quis com o lateral-direito do Grêmio, deixando o jogador até sentado em um dos gols. Bola alta na área gremista virou um Deus nos acuda. Ao mesmo tempo, como tudo estava meio invertido, o Villasanti fez uma grande partida. Entendeu o jogo, tabelou quando tinha que tabelar, chutou quando tinha que chutar e fez, talvez, a melhor atuação dele com a camisa do Grêmio.
  • O torcedor do Grêmio, pelo menos, não morre de tédio. Foi 3 a 2 e dá para vencer na Arena, encaminhar a classificação e seguir na Sul-Americana. Mas que foi um jogo de várzea, isso foi.
  • O Weverton foi o melhor em campo. Eu sei que alguém pode dizer que ele poderia ter ido melhor em um ou outro gol, e é verdade. Mas ele salvou o Grêmio em uma bola cara a cara, fez defesa em chute de longe e evitou uma tragédia ainda maior. Se terminasse 5 a 2 para o Bolívar, não seria nenhum absurdo. O próprio time boliviano também perdeu chances, mas imagina o Grêmio tomando cinco gols e tendo que voltar para a Arena para tentar resolver a situação. O Weverton foi fundamental.
  • O segundo melhor, para mim, foi o Villasanti. O Pavón, por outro lado, é um jogador que normalmente participa de lances importantes no ataque, mas hoje caiu sentado em um dos gols. A defesa do Grêmio também teve uma noite muito ruim. Eu até vi elogios ao Wagner Leonardo, que pode ter ganhado alguns duelos, mas, quando a bola era levantada na área, era um desespero. O Pedro Gabriel também teve uma bola nas costas que terminou em uma defesa milagrosa do Weverton. Estava todo mundo falhando.
  • O Luís Castro não esteve na beira do campo por uma questão de saúde, e isso precisa ser respeitado. Mas é ele quem manda, é ele quem escala e é ele quem define a estrutura do time. O Léo Pereira ficou centralizado na frente da área, muitas vezes quase como um terceiro zagueiro, embora a ideia fosse que ele atuasse como primeiro volante para proteger a defesa. O Villasanti ficou pela direita, o Dodi pela esquerda, formando o meio-campo. Na frente, Pavón pela direita, Enamorado pela esquerda e Braithwaite como centroavante.
  • O Léo Perez, para mim, é insuficiente para o Grêmio. Acho que isso já ficou claro, a não ser que ele tenha uma evolução gigantesca. O Riquelme está voltando e ainda precisa de um desconto, mas mostrou qualidade no lampejo em que avançou e fez o gol. O Dodi é aquele tipo de jogador que os treinadores gostam. Tenho certeza de que ele foi escalado também porque a altitude exige pulmão e físico, e ele tem essas características.
  • O Villasanti foi o melhor jogador de linha do Grêmio. Já o Enamorado foi comprometedor novamente. É verdade que ele rende melhor pela esquerda, mas não repetiu as boas atuações individuais. Ele nunca foi um jogador muito associativo. Normalmente recebe a bola, parte para dentro, cruza e tenta resolver na jogada individual. Hoje, porém, foi muito mal. Teve uma chance em que o goleiro estava completamente perdido, a defesa também, e ele precisava apenas escorar a bola para o gol. É um jogador profissional. Não dá para perder uma oportunidade dessas. Aquela chance poderia ter mudado completamente a história da partida.
  • O Braithwaite também sentiu o efeito da altitude. Não fez uma grande partida e fisicamente não conseguiu acompanhar o jogo. Eu não entendi por que o Matheus Nascimento entrou apenas na reta final, já nos acréscimos. Se o Braithwaite estava sentindo, era possível colocar um atacante mais móvel, com mais vitalidade e força física, para tentar mudar o jogo. Essa é uma cobrança que pode ser feita ao treinador e à comissão técnica.
  • O Grêmio estava tomando muitos gols, a bola aérea era um problema e o jogo estava completamente aberto. Quando o Luis Eduardo não estava tão bem, houve uma mudança na zaga, mas também era necessário pensar em alterações que impactassem o time ofensivamente. O Matheus Nascimento poderia ter entrado antes justamente por ter mais velocidade e capacidade de correr atrás dos defensores.
  • Mas, no fim das contas, foi um jogo de várzea. Gol com um minuto, empate, gol um minuto depois, bola aérea a todo momento, goleiro fazendo milagre e gols do Grêmio saindo em jogadas meio caóticas. O gol do Villasanti teve mérito, claro, mas também contou com um pouco de sorte. O gol do Dodi também veio depois de um bate-rebate. Não estou tirando o mérito dos jogadores, mas é preciso reconhecer que não foi uma partida organizada.
  • Eu não estou ofendendo os jogadores do Grêmio quando digo isso. Mas um jogo de futebol profissional exige um pouco mais de organização e profissionalismo. O Grêmio volta vivo porque, embora o Bolívar tenha sido superior fisicamente no segundo tempo e tenha tido alguns momentos melhores tecnicamente, é um time que dá para vencer na Arena. Sem a altitude, o Grêmio perde uma das principais vantagens do adversário e certamente terá condições de jogar melhor.
  • Só que precisava fazer esse tipo de jogo? É o segundo jogo depois da parada e a segunda derrota. É verdade que essa derrota pode ser revertida, mas o Luís Castro tinha prometido que o Grêmio voltaria diferente. Vocês lembram? Tudo ficava para depois da parada. Pois então: a parada acabou, e a situação continua praticamente a mesma.
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