Zerozero
·23 juillet 2026
Uma águia de <i>asas cortadas</i>

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·23 juillet 2026

O tempo de trabalho ainda é curto e as ausências – jogadores lesionados, castigados ou que estiveram no Mundial – foram consideráveis. Ainda assim, um aspeto parece inegável: se quiser voar em 2026/27, o Benfica terá de apresentar muito mais argumentos do que aquilo que conseguiu fazer nesta quinta-feira frente ao St. Gallen.
No primeiro jogo oficial da temporada, a contar para a primeira mão da 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa, o conjunto agora orientado por Marco Silva perdeu mesmo (2-1) na Suíça. Mais do que o resultado, que podia ter sido uma infelicidade, fica na retina a incapacidade encarnada para criar perigo contra um adversário que, na teoria, era/é consideravelmente inferior.
Um dos poucos pontos positivos? Daqui a uma semana, o Benfica disputa a segunda mão em casa e tem oportunidade de mostrar aos seus adeptos que este jogo foi apenas um arranque em falso na nova época.
Com nomes como Prestianni, Aursnes, Schjelderup, Ríos e Lukebakio ainda de fora, adivinhar grande parte do onze benfiquista não era uma tarefa propriamente difícil. No entanto, Marco Silva abriu espaço para uma surpresa. Miguel Figueiredo, cria do Seixal de apenas 17 anos, deixou Barrenechea no banco e foi lançado na ‘piscina dos grandes’ como titular ao lado de Manu Silva.
A primeira indicação até foi positiva, já que Pavlidis e Sudakov (no mesmo lance) estiveram muito perto do golo logo aos quatro minutos. Ainda assim, isto foi praticamente tudo o que o Benfica conseguiu produzir na 1.ª parte. Sim, leu bem, caro leitor.
A partir daqui, o St. Gallen, motivado pelos adeptos que marcaram presença em peso nas bancadas, passou a pressionar alto, não teve medo de recorrer à falta quando o jogo assim o exigiu e criou muitas dificuldades ao emblema português.
Montado em 4-2-3-1, com Kaminski à esquerda, Sudakov no meio e Rafa na direita, o Benfica teve dificuldades em construir uma jogada estruturada. Uma das raras exceções surgiu aos 27’, altura em que Pavlidis rematou por cima após uma boa combinação.
Do outro lado, os suíços iam criando perigo nas bolas paradas – Marco Silva tem de estar preocupado com as falhas neste capítulo – e o golo acabou por surgir à passagem do minuto 37: depois de Witzig ter cabeceado por cima quando estava completamente sozinho, o St. Gallen voltou a pressionar alto numa saída de bola do Benfica (Bah perdeu a bola em zona proibida) e Balde fuzilou Trubin, que parece, ainda assim, mal batido, com um remate ao ângulo.
Este tento despertou as águias, que fizeram o empate pouco depois: numa das poucas jogadas em que conseguiu receber sem ser pressionado, Pavlidis serviu Rafa na perfeição e o camisola 27 atirou cruzado para o 1-1 com que se chegaria ao intervalo.
A exibição muito aquém das expectativas na 1.ª parte podia indicar que Marco Silva iria promover alterações ao intervalo. No entanto, tal não se verificou e a desinspiração, ofensiva e defensiva, teve continuidade na etapa complementar.
Sem ideias, lento de processos e sem agressividade, o Benfica foi deixando passar os minutos sem o sentido de urgência que o resultado assim exigia.
Tiago Gouveia e Enzo Barrenechea foram chamados para os lugares de Kaminski (exibição para esquecer) e de Miguel Figueiredo (mostrou pormenores interessantes) pouco depois da hora de jogo e, pese embora o camisola 47 tenha tido uma ou outra boa arrancada, o golo nunca esteve efetivamente perto.
O St. Gallen, mesmo tendo caído um pouco no que ao nível de pressão que estava a fazer diz respeito, manteve-se sempre organizado e foi criando perigo nas poucas aproximações à baliza de Trubin de que dispôs.
Nesta toada, os suíços voltaram a marcar na sequência de um lance que já tinha dado dores de cabeça na 1.ª parte: Daschner cobrou um livre pela esquerda de forma irrepreensível, Barrenechea falhou o corte ao segundo poste e Gaal só teve de desviar de cabeça para o fundo das redes de Trubin.
O forcing final dos encarnados foi, à imagem do apresentado durante todo o jogo, insuficiente e curta, pelo que o 2-1 perdurou até ao apito final.
Daqui a uma semana, há novo capítulo na luta do Benfica pela fase de liga da Liga Europa. Conseguirão os encarnados seguir em frente?
Rafa Silva (Benfica): não é que tenha feito uma partida excecional, mas foi o melhor elemento em campo do lado do Benfica. Como é seu apanágio, fez da velocidade a sua grande arma, num cenário que lhe valeu um golo. Voltou a meio da época em 2025/26 e nunca pareceu totalmente confortável; no entanto, agora, com mais tempo, tem todas as condições para se assumir como um dos destaques do Benfica.
Tom Gaal (FC St. Gallen): acaba por ser o MVP do encontro. Do ponto de vista defensiva, esteve a um bom nível, já que foi capaz de travar Pavlidis em algumas ocasiões (recorrendo, quando necessário, à falta). Além disso, subiu à área adversária ao minuto 80 e fez o golo que coloca o St. Gallen em vantagem na eliminatória.
Miguel Figueiredo (Benfica): merece o destaque neste ponto pelo facto de ter sido a grande surpresa no onze. Sem ter sido brilhante, e mesmo não tendo conseguido combinar muito bem com Manu Silva, não foi por sua causa que o Benfica perdeu na Suíça. Com uma passada elegante, mostrou bons pormenores técnicos na 1.ª parte. Ainda assim, fruto dos seus 17 anos, foi perdendo gás com o avançar dos minutos e acabou substituído de forma natural.
Jakub Kaminski (Benfica): exibição para esquecer do camisola 13 encarnado. Esteve bastante apagado e nem do ponto de vista defensivo conseguiu dar o apoio que lhe era exigido. É certo que não conseguiu explorar a verticalidade - aspeto do jogo onde é mais forte -, mas apresentou dificuldades técnicas que não combinam com os 17 milhões de euros pagos pelo seu passe...
Anatoliy Trubin (Benfica): teve um jogo... à Trubin. Passamos a explicar: não é que tenha cometido um erro clamoroso, mas dá sempre a ideia que pode fazer algo mais - tal como aconteceu no primeiro tento do St. Gallen. Os anos vão passando e o ucraniano continua a ter dificuldades em confirmar todo o potencial que lhe apontam. Num clube com a dimensão do Benfica, é essencial ter um guarda-redes que dê resposta nas poucas vezes em que é chamado a intervir.
Exibição segura de Luca Pairetto. Aplicou um critério largo e teve o mérito de o manter durante todo o encontro. Soube segurar a partir e só agiu disciplinamente quando assim foi necessário.

Onze do Benfica:
Anatoliy Trubin, Alexander Bah, António Silva, Samuel Dahl, Clément Lenglet, Manu Silva, Georgiy Sudakov, Miguel Figueiredo, Vangelis Pavlidis, Rafa Silva, Jakub Kaminski

Onze do FC St. Gallen:
Lawrence Ati-Zigi, Tom Gaal, Jozo Stanic, Chima Okoroji, Hugo Vandermersch, Lukas Görtler, Lukas Daschner, Carlo Boukhalfa, Mihailo Stevanovic, Christian Witzig, Aliou Baldé
1':

Começou a partida
4':

Benfica: Georgiy Sudakov
na sobra do remate de Pavlidis atirou contra a defensiva suíça. Esteve muito perto de inaugurar o marcador.
24':

Rafa e Kaminski trocam de corredor neste últimos minutos depois da indicação de Marco Silva
35':

FC St. Gallen: Christian Witzig
a falhar isolado depois de um cruzamento lateral. Que perdida.
37':

GOLO FC St. Gallen! Aliou Baldé marca
Aliou Baldé marca o seu 1º golo na prova (1 jogos)
A defesa benfiquista a ficar mal na figura, com a equipa suíça a recuperar a bola no lado direito do terreno e Aliou Baldé a aproveitar e fazer um grande golo. Um remate cruzado com pouco ângulo entre a esquina da pequena área e a linha de fundo.
41':

FC St. Gallen: Aliou Baldé
numa transição ofensiva de 3 para 2, a surgir isolado e Trubin a temporizar a saída e salvar o Benfica de sofrer o segundo golo.
43':

GOLO Benfica! Rafa Silva marca
Rafa Silva marca o seu 1º golo na prova (1 jogos) Rafa Silva marcou o seu 101º golo na equipa (345 jogos)
O avançado grego segurou a bola no corredor central, encontrou Rafa a fugir nas costas da defesa adversária e o português finalizou com um remate rasteiro sem hipóteses para Zigi.
46':

O FC St. Gallen surpreendeu com um estilo de jogo muito pressionante e dificultou a troca de bola encarnada. A equipa suíça ameaçou e mereceu o golo marcado. Já o Benfica entrou com pouca identidade e apesar de ter causado um lance de grande perigo no início, não conseguiu implementar o seu estilo de jogo ofensivo , no entanto o golo surgiu em boa altura. Tudo igual para o segundo tempo.
59':

Benfica: Georgiy Sudakov
na entrada da área, cortou para o meio e rematou para uma grande defesa do guardião adversário.
80':

GOLO FC St. Gallen! Tom Gaal marca
Tom Gaal marca o seu 1º golo na prova (1 jogos)
No seguimento de um pontapé livre, do lado esquerdo do terreno perto da área, a bola foi cruzada para o segundo poste e isolado, Tom Gaal fez o segundo da equipa suíça. Leon Frokaj participa no seu 1º jogo na prova (1ª vez em que actua como suplente utilizado)
90 +4':

O árbitro apita para o final da partida
90 +4':

Acabou o encontro em St. Gallen. Um Benfica que se apresentou em campo, com muito pouco critério e poucas ideias de jogo. No cômputo geral venceu a equipa mais equilibrada. Rafa fez o único golo das águias.
Melhor em campo:

Tom Gaal (FCSG) foi, para a redação do
zerozero
, o melhor jogador em campo. O defesa central pelo lado direito manteve bem a consistência defensiva, anulando várias vezes as investidas do Benfica. Além disso marcou o golo da vitória da equipa suíça.







































