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·14 janvier 2026
Vítor Pinto sobre o árbitro do clássico: “Com seis opções disponíveis, é preciso pontaria para escolher Fábio Veríssimo”

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A nomeação de Fábio Veríssimo para arbitrar o clássico entre Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica voltou a colocar a arbitragem nacional no centro do debate público. O jornalista Vítor Pinto, do jornal Record, criticou a decisão do Conselho de Arbitragem, sustentando que a controvérsia ultrapassa questões meramente jurídicas e se prende sobretudo com prudência institucional e gestão do risco.
Vítor Pinto distinguiu situações distintas: no denominado “caso do balneário do árbitro”, já existe uma sentença, ainda que haja recurso pendente junto do Tribunal Arbitral do Desporto, pelo que, na sua ótica, não seria sensato suspender um árbitro durante meses apenas por haver recurso quando já há decisão de primeira instância.
Por outro lado, o processo disciplinar apresentado pelo FC Porto contra Fábio Veríssimo assume outra gravidade. Segundo o jornalista, as acusações – alegadas ameaças, intimidação e comportamento persecutório – estão a ser avaliadas pelo Conselho de Disciplina. Pinto frisou que o momento da apresentação da queixa não afecta, juridicamente, a análise do mérito, desde que os prazos legais se cumpram.
O jornalista advertiu que o processo não pode ficar “em águas de bacalhau”: ou os factos são confirmados e o árbitro é sancionado, ou o clube deverá responder por eventual denúncia caluniosa. A existência de testemunhas arroladas, incluindo delegados da Liga, reforça a necessidade de um apuramento rigoroso e célere.
Vítor Pinto salientou também a independência formal entre os órgãos da Federação Portuguesa de Futebol, negando interferência direta entre o Conselho de Arbitragem e o Conselho de Disciplina. Porém, alertou para o risco evidente de nomear, para um jogo de elevada exposição mediática, um árbitro que esteja sujeito a um processo disciplinar sério e que, dias depois, possa ver-se confrontado com uma decisão desfavorável – situação que prejudicaria a credibilidade do sistema.
Apontando alternativas, Pinto sublinhou que Portugal tem vários árbitros internacionais habilitados para dirigir um clássico desta dimensão – como Luís Godinho, António Nobre, Miguel Nogueira, David Silva ou Cláudio Pereira – e questionou a razão de se ter escolhido precisamente um árbitro com um processo disciplinar grave em curso.
Em suma, para Vítor Pinto a polémica não resulta de uma violação objectiva dos regulamentos, mas sim de uma decisão institucional que põe em causa a prudência e sensibilidade do Conselho de Arbitragem. Num embate com forte carga simbólica como o FC Porto–Benfica, a escolha do árbitro deveria visar a redução de riscos e controvérsias, algo que, na sua opinião, não foi assegurado.









































