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·30 Juli 2026

4 a 0 empolga, mas o melhor do Palmeiras apareceu antes da goleada

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Eu não compro a ideia de que uma goleada precise ser diminuída porque o adversário teve dois jogadores expulsos. O Palmeiras fez 4 a 0 no Vitória, no Barradão, somou três pontos e abriu oito de vantagem na liderança do Brasileirão. Fez o que um time que quer ser campeão precisa fazer: percebeu o jogo, aceitou o presente que apareceu e não deixou o rival respirar. Ainda assim, para mim, a parte mais importante da noite aconteceu antes de o placar virar passeio.

Até as expulsões, o jogo estava desconfortável. O Vitória empurrava, o estádio participava e Carlos Miguel precisou trabalhar de verdade. Foi justamente nesse trecho que o Palmeiras mostrou algo que vinha faltando em algumas atuações: capacidade de sobreviver sem perder a cabeça. A equipe não estava brilhante, mas estava dentro da partida. E isso, fora de casa, tem muito valor.


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A goleada do Palmeiras em Salvador nasceu da superioridade numérica, claro, mas também da maturidade para explorá-la. Quantas vezes vemos um favorito acelerar de qualquer jeito, empilhar cruzamentos e transformar vantagem em ansiedade? O time de Abel fez o contrário. Alargou o campo, circulou a bola e obrigou o Vitória a correr até não conseguir mais acompanhar.

O Palmeiras finalmente teve jogadores pedindo a bola

O lance do primeiro gol diz muito sobre o que eu mais gostei. Jhon Arias encontrou Maurício com espaço, e o meia apareceu onde jogador decisivo precisa aparecer. Arias ainda marcou o dele. Ramón Sosa deu profundidade, participou do gol contra e fechou a conta em cobrança de falta. Não foi apenas uma vitória construída pela expulsão de dois adversários; foi uma noite em que os jogadores de frente assumiram responsabilidade.

Também me agradou ver o time sem sofrer gols. Parece detalhe em uma vitória por quatro, mas não é. O Palmeiras vinha permitindo chances demais, e o Vitória teve oportunidades antes de ficar com nove. Carlos Miguel segurou o momento ruim e permitiu que o restante da equipe tivesse tempo para tomar o controle. Goleiro grande também ganha jogo quando o placar ainda está zerado.

A arbitragem explica o tamanho do placar, não apaga a vitória

É impossível analisar a partida sem falar das expulsões. Elas mudaram tudo. A entrada de Cacá em Arias e o gesto de Luan Cândido deixaram o Vitória em uma situação quase inviável ainda no primeiro tempo. Há uma discussão legítima sobre o cartão amarelo mostrado a Maurício, e ela não deve ser escondida. Mas a avaliação de Abel Ferreira sobre a arbitragem também não altera a obrigação do Palmeiras depois dos vermelhos: vencer.

E venceu sem susto, sem desorganização e sem tirar o pé. Para mim, esse é o ponto. O 4 a 0 não prova que todos os problemas desapareceram, nem transforma uma atuação irregular em perfeição. Prova que este time ainda sabe reconhecer a chance de machucar o adversário. Em campeonato de pontos corridos, essa frieza separa quem apenas disputa de quem chega a dezembro com a taça ao alcance.

Agora vem o Fortaleza pela Copa do Brasil, e a exigência será outra. A campanha do Palmeiras na competição entra em fase eliminatória. O que eu levo de Salvador não é a ilusão de que tudo ficou perfeito. Levo a sensação de que o Palmeiras voltou a competir com fome — e, quando o talento encontrou espaço, soube transformar domínio em goleada.

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