Jogada10
·9 Juni 2026
81 anos e 13 Copas! Conheça Osires Nadal, o decano da imprensa brasileira

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Antiguidade é posto, decreta, na teoria, o ditado. Em Nova Jersey (EUA), porém, a prática transcende a sabedoria popular. Afinal, aos 81 anos, Osires Nadal conta com fôlego de garoto para encarar a 13ª Copa do Mundo em 2026. Uma façanha para um seleto grupo e que o coloca como o decano da imprensa brasileira na terra do Tio Sam. Natural de Ponta Grossa e criador do bordão “O Paraná te abraça”, o repórter cruzou os sete mares para acompanhar, in loco, o tri (México, 1970), o tetra (Estados Unidos, 1994) e o penta (Coreia do Sul e Japão, 2022) da Seleção. Antes de tornar-se uma lenda para os mais jovens, o radialista já tinha vibrado com os títulos de 1958 (Suécia) e 1962 (Chile). Um verdadeiro luxo! Senta, portanto, que lá vem história!
De 1970 para cá, Osires só não esteve ao lado do Brasil em 1974 (Alemanha) e 1978 (Argentina). Naquele intervalo, já casado, precisou ficar em casa para acompanhar o nascimento dos filhos e porque a situação econômica não permitiu as viagens. Em seguida, no entanto, ele engatou uma sequência de Copas do Mundo e presenciou mudanças significativas nas coberturas esportivas, conforme o jornalista mencionou durante a conversa com o Jogada10, na última segunda-feira (8), no CT do New York Red Bulls, no Columbia Park, em Morristown.
“Comecei em 70. Você tinha a liberdade de gravar com qualquer jogador. Na época, não havia tanta proibição para se aproximar dos atletas e não precisava esperar duas horas para ver apenas dois minutos dos treinos. Assim foi até 1982, na Espanha, quando o Telê Santana (técnico da Seleção) e o Américo Faria (coordenador) foram extremamente cordiais conosco. Houve também, por exemplo, um amistoso na Austrália, vitória do Brasil por 2 a 0, com um golaço do Andrade… Ao notarem, eu já estava dentro do vestiário, conversando com os futebolistas. Em outro momento, o Júnior, hoje comentarista, me concedeu uma entrevista de sunga”, ilustrou.
Andarilho do mundo da bola, Osires acumula passagens por diversas emissoras, como Difusora, Clube Paranaense, CBN, além de redes de TV, como Esplanada, Bandeirantes, Iguaçu, entre outros veículos de comunicação. Para seguir a Seleção Brasileira, o repórter precisa enfrentar a rotina de aeroportos, hotéis e deslocamentos, independentemente do continente. A família, segundo ele, entende o número de jornadas e até participa junto. Nesta Copa, inclusive, ele conta com a ajuda do filho Fábio, que maneja as redes sociais com a irmã Luciana e o auxilia na produção de conteúdo.

Osires entrevista o Velho Lobo Zagallo – Foto: Arquivo Pessoal
“Quando eu namorava a minha esposa, deixei claro. ‘Entre você e o rádio, fico com o rádio’. Se houver Copa do Mundo, é lá onde eu estarei. Ela disse, então, que eu poderia ir e até me acompanhou em algumas. A primeira foi em 1982. Ela até relutou por causa dos filhos. Mas foi e lhes trouxe presentes. Desta vez, contudo, por motivo de saúde, infelizmente, não pôde”, colocou. Osires, avô de três rapazes (Gabriel, Rafael e Davi).
A Seleção Brasileira não existe somente a cada quatro anos para Osires Nadal. Muito pelo contrário! Mesmo distante do Paraná, o decano está presente em convocações na sede da CBF, treinos, entrevistas coletivas e zonas mistas com atletas após os jogos da equipe pentacampeã mundial. A pedido do J10, o radialista definiu como vê a Amarelinha e o motivo pelo qual nutre uma devoção tão grande pela camisa.
“Paixão, amor e patriotismo. É uma seleção que encanta o mundo e me comove. Quando eu saí na rua, em Oslo, na Noruega, por exemplo, tinha um menino de oito anos que não largava do meu pé porque queria uma camisa do Brasil. Você vai à África, é tudo Brasil. Na Holanda, Brasil. É o maior produto de divulgação do país. O mundo ama o Brasil. Precisamos amá-lo também. O Brasil é um encanto. Me comove”, desabafou.

Osires aproveitou a chance e tietou o Fenômeno – Foto: Arquivo Pessoal
Nestas décadas de dedicação à Seleção, Osires transitou entre alegrias e decepções, conforme o próprio curso da vida. Além das Copas, ele destaca uma ocasião bem particular.
“Me emocionei na Copa América de 2007, na Venezuela. Ninguém acreditava no Brasil. Derrotamos a Argentina por 3 a 0, na final. Eu era o único que apostava na nossa vitória. O Dunga era o técnico. Ele espetou o Daniel Alves na diagonal, como um meia-armador no terceiro gol. Chorei naquele gol. E ainda contei ao Daniel, que também foi às lágrimas. No penta, ao lado do André Henning (repórter), cobri a saída da Seleção do hotel até o estádio. Tivemos que pegar um táxi para chegarmos juntos. Aquilo, sim, foi impressionante”, relatou.
Em contrapartida, não esquece alguns dissabores.
“A forma como perdemos o hexa. Perder não está na nossa cultura futebolística. Passamos por uma decadência técnica muito grande. Hoje, temos apenas um astro como referência, o Neymar, e outros jogadores que merecem respeito, como Casemiro e Bruno Guimarães. Mas, no passado, do último caneco, tínhamos várias referências, grandes talentos, como Ronaldo, e um meio de campo extraordinário, com Rivaldo e Ronaldinho. Os jogadores de hoje fazem somente o arroz com feijão”, expressou.
Jogada10: O senhor se considera uma pessoa saudosista?
Osires Nadal: Eu não sou saudosista. Gosto de viver o hoje. Mas você não pode esquecer a Copa do Mundo de 1970. Aquela Seleção foi brilhante. A gente tinha receio em relação ao Félix (goleiro), mas aquele time era uma orquestra. Jogou muito e ganhou a taça de forma invicta. Depois, tivemos a Seleção de 1982. Bonitinha, mas ordinária, como escrevia Nelson Rodrigues. Encantou todo mundo e não ganhou.
Jogada10: Se tivesse a chance de dar uma dica ao técnico Carlo Ancelotti, o que diria?
Osires Nadal: Compre um pacote de sal grosso. Jogue no hotel e no CT onde treina a Seleção. É muita gente machucada! Gosto e confio nele. Mas o Brasil teve uma atuação pífia e não mostrou nada contra o Egito. Esta é minha única desconfiaça.
Jogada10: Como nasce “O Paraná te abraça”?
Osires Nadal: Surgiu de uma forma voluntária. Estávamos no Museu da Imagem do Som, no Rio de Janeiro, em uma apresentação da CBF, em 2014. Estava aguardando o microfone para fazer uma pergunta. Chegou a minha vez, estava distraído e vi o Luiz Felipe Scolari, então técnico da Seleção, na mesa. Daí falei espontaneamente: ‘Felipão, o Paraná te abraça’. O Carlos Cereto, produtor do SporTV, me disse, na sequência: ‘Nunca mais esqueça esse bordão’. E, assim, ficou até hoje. O Cereto que é o responsável.
Jogada10: Quem mais merece o abraço do Paraná?
Osires Nadal: Pelé. Em 1965, fiquei 15 dias em Santos para entrevistá-lo. Na primeira vez, o gravador pifou e enrolou a fita. Era aquele gravador antigo. Eu voltei no dia seguinte, e ele me perguntou o que eu estava fazendo ali. Expliquei que havia dado ruim. Ele topou repetir tudo. Ficamos amigos. Nunca me esquecia de ligar no dia 23 de outubro, seu aniversário. Mandava presentes. E sempre nos encontrávamos quando ele estava em Curitiba. Sinto uma gratidão eterna por Pelé. Por tudo o que ele significou para o futebol e por anos de amizade.







































