A aventura da Champ’s no futebol | OneFootball

A aventura da Champ’s no futebol | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Última Divisão

Última Divisão

·17 April 2026

A aventura da Champ’s no futebol

Gambar artikel:A aventura da Champ’s no futebol

A Champ’s surgiu no cenário do futebol brasileiro com a mesma velocidade que desapareceu. No auge, chegou a fornecer materiais esportivos para clubes como Vasco da Gama, Vitória, Portuguesa, Avaí, Bragantino, Ituano e Ipatinga, entre outros. Mas a acelerada derrocada ficou marcada por problemas com os clubes e até responsáveis na cadeia.

A Champ’s nasceu em 2006 como o braço esportivo da P. Leandrini Indústria e Comércio de Confecções Ltda., uma confecção fundada em 1966 na cidade de São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Durante anos, a Leandrini se especializou em confeccionar produtos para diversas marcas, consolidando-se no mercado da Grande São Paulo. E foi a partir desta experiência que Mariceli Leandrini, herdeira da empresa, decidiu tentar a sorte no fornecimento de materiais esportivos.


Video OneFootball


“Somos uma empresa de mais de 50 anos, consistente e familiar. A marca surgiu porque nós sempre confeccionamos para os outros. Com isso ganhamos um know how muito grande e daí surgiu a Champ’s”, contou Mariceli, a Mari da Champ’s, em entrevista ao site Máquina do Esporte publicada em 2009.

Nascia então a Champ’s. Na época, a empresa foi bater na porta do Bragantino e assumiu o fornecimento de material esportivo do clube, que até 2005 vestia uniformes da Deka. A parceria apostou na volta das camisas carijó que marcaram o Braga no começo da década de 1990, e a repercussão foi imediata.

Em 2006, a Champ’s passou a vestir também a Portuguesa Santista e a Santacruzense. Em 2007, ganhou terreno ao acertar com clubes como Portuguesa, Ituano e Volta Redonda. Em 2008, clubes como Guarani e Santa Cruz se juntaram à lista. Para 2009, vieram Ponte Preta e Náutico.

Mas ao mesmo tempo em que a lista de clientes crescia, a lista de problemas também ganhava corpo. No fim de 2008, o Guarani encomendou à fabricante uma camiseta com a frase “a maior torcida do interior”. Mas quando as peças passaram a ser vendidas em 2009, a marca já tinha contrato também com a arquirrival Ponte Preta, que alegava ser ela a dona da maior torcida do interior de São Paulo.

E para piorar, a Champ’s não conseguia atender à demanda de produtos da Ponte na loja oficial do Estádio Moisés Lucarelli, e até mesmo os treinos da equipe vinham sendo realizados com peças da Diadora, que havia sido fornecedora do clube até o fim de 2008.

Leia também:

  • Como foi que comprar camisa de futebol se tornou uma experiência tão ruim?
  • O que as marcas esportivas podem aprender com o blokecore
  • 20 camisas de futebol que valem uma fortuna. Você tem alguma?
  • Conheça histórias escondidas na coleção de camisas de Messi

Nada que impedisse a Champ’s de tentar o grande salto da marca no fim de 2008, quando fechou um contrato de fornecimento de materiais esportivos com o Vasco da Gama. A marca paulista desbancou a Reebok e assinou um contrato de três temporadas por R$ 23 milhões em valores da época. A ideia de Mari era clara: aproveitar a consolidação entre os clubes menores para começar a brigar entre as grandes fabricantes.

“Com certeza (o importante) são as grandes equipes. Nós temos filhos pródigos dentro de casa, como o Bragantino, por exemplo. Eu jamais deixaria o Bragantino porque para mim ele é tudo (…). Não deixaria os clubes pequenos, mas a intenção é fazer um filtro, e a idéia é trabalhar com esse modelo”, disse Mari na entrevista de 2009. “Dá para brigar (com marcas maiores), sim. É que o mercado estava muito aquém do que as marcas estavam oferecendo. O futebol está crescendo. Hoje você já vê, por exemplo, mulheres e crianças no estádio, pessoas usando roupas do time em todo lugar. Todo mundo quer camisa de futebol. Só que as marcas se esqueceram de elevar o clube nesse processo”, completou.

Mas o Vasco não escapou dos problemas que a Champ’s já tinha com outros clubes. As camisas aprovadas para 2009, com faixas diagonais assimétricas, passaram longe de fazer sucesso entre os torcedores. Houve também problemas no fornecimento aos jogadores, que chegaram a treinar com meiões de 2008 da Reebok e a viajar com calças jeans sem marca adquiridas às pressas pela empresa. Não demorou para que o clube rescindisse o contrato e assinasse com a Penalty ainda em 2009.

Gambar artikel:A aventura da Champ’s no futebol

Imagem: Reprodução, via Garrincha Shirts

Os problemas recorrentes fizeram a Champ’s perder terreno no futebol brasileiro. Em 2010, a empresa vestiu apenas Bragantino e Operário (MS). Os últimos registros de acordos com clubes são de 2011, quando a marca vestiu equipes como Treze e Campinense, além de manter a velha parceria com o Bragantino – que, em 2012, passou a vestir Kanxa.

Gambar artikel:A aventura da Champ’s no futebol

Mariceli presa (Imagem: Reprodução, via Futebol Interior)

A pá de cal da Champ’s veio em junho de 2013, quando Mariceli Leandrini foi presa em um condomínio da cidade de Valinhos (SP) sob acusação de estelionato. Segundo o Deic (Departamento de Investigações Criminais) da Polícia Civil de São Paulo, ela chefiava uma quadrilha que fraudava caixas eletrônicos para copiar dados de cartões bancários.

Além de Mariceli, um sobrinho dela também foi preso. Os policiais apreenderam na época seis motos de luxo, quatro carros (que tinham compartimentos secretos para os objetos dos golpes) e mais de 2 mil cartões de bancos clonados. Os dois pagaram fiança para responder aos crimes em liberdade.

Desde dezembro de 2018, o CNPJ da P. Leandrini Indústria e Comércio de Confecções Ltda. se encontra inapto, o que significa que a empresa teve irregularidades com a Receita Federal – em geral, por não entregar certidões obrigatórias por dois ou mais anos seguidos. Empresas nesta situação não podem emitir notas fiscais e podem ter débitos transferidos para os sócios.

Lihat jejak penerbit