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·25 Juli 2026

As escutas dos tempos modernos: como um alçapão burocrático livrou os intervenientes

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A verdade é absolutamente cristalina, e só não a vê quem prefere continuar de olhos fechados perante a pouca vergonha que reina no futebol português. O processo contra Luciano Gonçalves foi arquivado unicamente porque os prints das conversas do WhatsApp não foram tidos em conta, já que não existiu o consentimento do próprio visado para que fossem tirados e apresentados como prova.

Trata-se, sem tirar nem pôr, das escutas dos tempos modernos a não serem consideradas pela justiça desportiva. A tecnologia mudou, os métodos mudaram, mas o resultado é sempre o mesmo. Quando a matéria de facto incomoda quem manda, arranja-se sempre uma forma de a fazer desaparecer.


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As conversas existiram, a mensagem com os emojis de silêncio e agradecimento foi confirmada, e o teor das promessas de bastidores ficou completamente exposto perante todos. No entanto, o sistema preferiu socorrer-se de um alçapão burocrático e da proteção das comunicações privadas para apagar a matéria de facto e livrar os intervenientes de qualquer consequência. Toda a gente sabe o que lá estava escrito, mas decidiu-se que não conta para prova.

É esta a parte que mais fere. Não se discute o conteúdo, discute-se a forma como o conteúdo foi obtido. E, enquanto se debate a forma, a substância evapora-se e ninguém responde por nada. É a fórmula perfeita para que tudo continue igual, protegido, intocável.

Enquanto o Benfica trabalha com exigência e luta em campo dentro das regras, assiste-se a este teatro onde se promete o prolongamento da carreira a árbitros em fim de contrato, se trocam favores de bastidores e se limpa tudo com arquivamentos feitos à medida. É difícil olhar para este cenário e falar de igualdade de circunstâncias.

Quando falamos de arbitragem e de bastidores, não podemos aceitar que a discussão se resuma a tecnicalidades processuais. O que está em causa é a credibilidade de toda a competição, é a confiança dos adeptos que todas as semanas enchem os estádios e pagam para ver futebol a sério.

O Benfica é gigantesco, e não pode ficar calado perante um ecossistema que se protege a si próprio e atira poeira para os olhos dos adeptos com desculpas esfarrapadas de algibeira. Calar seria aceitar. E não há motivo nenhum para aceitar aquilo que ficou exposto à frente de todos.

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