Território MLS
·16 Juni 2026
Bélgica tropeça diante do Egito e estreia com empate frustrante na Copa do Mundo 2026

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A Bélgica deixou escapar uma oportunidade importante na estreia da Copa do Mundo 2026. Mesmo controlando a posse de bola durante boa parte da partida, os Diabos Vermelhos empataram por 1 a 1 com o Egito nesta segunda-feira (15), no Lumen Field, em Seattle, pela primeira rodada do Grupo G.
Emam Ashour abriu o placar para os egípcios ainda no primeiro tempo, enquanto Mohamed Hany, contra, decretou o empate belga na etapa final após cruzamento de Thomas Meunier.
A Bélgica chegou para a estreia da Copa do Mundo cercada por expectativas. Embalada por uma sequência de 13 jogos sem derrotas e após uma preparação praticamente perfeita sob o comando de Rudi Garcia, os Diabos Vermelhos eram apontados como favoritos não apenas para vencer o Grupo G, mas também para terminar a fase de grupos entre as seleções de melhor desempenho da competição.
Mas bastou um minuto para perceber que o Egito tinha outros planos.
Logo na primeira chegada da partida, os egípcios mostraram uma intensidade que poucos esperavam. Pressionando alto, vencendo disputas físicas e recuperando bolas rapidamente, a equipe africana conseguiu tirar a Bélgica da zona de conforto desde os primeiros minutos. Mais do que isso: conseguiu algo que poucas seleções haviam feito recentemente, neutralizar Jérémy Doku.
Mesmo assim, a Bélgica criou a primeira grande oportunidade do jogo. Aos seis minutos, Doku conseguiu escapar da marcação pela esquerda e encontrou Youri Tielemans dentro da área. Em meio ao bate-rebate, Kevin De Bruyne ficou com a sobra e finalizou com muito perigo para fora.
O lance dava a sensação de que seria apenas uma questão de tempo para a Bélgica assumir o controle da partida. Mas isso não aconteceu.
O Egito continuou executando seu plano de jogo de forma praticamente perfeita. A marcação dobrada sobre Doku funcionava, Amadou Onana encontrava dificuldades para participar da construção e os egípcios conseguiam acelerar os contra-ataques sempre que recuperavam a posse.
A recompensa veio aos 19 minutos.
Após uma troca de passes no campo ofensivo, Mohamed Salah encontrou Emam Ashour próximo da meia-lua. Livre de marcação, o camisa 8 teve tempo para dominar e finalizar de média distância. Courtois não teve qualquer chance de defesa e viu a bola morrer no fundo das redes.
Era um golpe duro para uma seleção que ainda carrega as cicatrizes da eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2022.
O mais preocupante para a Bélgica era que o gol não parecia um acidente. O Egito estava confortável na partida e seguia encontrando espaços para atacar.
Aos 27 minutos, os belgas responderam. Thomas Meunier apareceu dentro da área após cruzamento, não conseguiu finalizar e a defesa egípcia afastou mal. A sobra ficou com Kevin De Bruyne, que bateu firme para uma excelente defesa de Mostafa Shobeir.
Pouco depois, Doku conseguiu mais uma rara jogada individual e rolou para De Bruyne cruzar na área. Tielemans apareceu de peixinho, mas sem conseguir direcionar a bola.
Enquanto isso, o Egito seguia assustando.
Mostafa Zico passou a aparecer cada vez mais pelo lado direito e, aos 32 minutos, obrigou Courtois a fazer uma boa defesa após finalização de longa distância. A estratégia egípcia era clara: acelerar os contra-ataques e aproveitar qualquer espaço oferecido pela defesa belga.
Nos acréscimos do primeiro tempo, a Bélgica ainda teve uma excelente oportunidade. Após lateral cobrado por Castagne, Amadou Onana ganhou pelo alto e Charles De Ketelaere ajeitou para Doku finalizar de voleio. O atacante pegou muito embaixo da bola e desperdiçou uma das melhores chances belgas na etapa inicial.
Mas o último susto antes do intervalo ainda seria do Egito.
Nathan Ngoy falhou na marcação e permitiu que Omar Marmoush escapasse nas costas da defesa. O atacante saiu em ótima condição para finalizar, mas parou em Courtois. No escanteio seguinte, os egípcios ainda criaram outra oportunidade perigosa após desvio dentro da área, aumentando ainda mais a sensação de desconforto dos torcedores belgas.
Se o primeiro tempo já havia sido preocupante, o início da segunda etapa foi ainda pior.
Logo após o retorno dos vestiários, Ashour encontrou Salah dentro da área. O camisa 10 rolou para Marmoush, que teve sua finalização bloqueada pela defesa belga. Pouco depois, o próprio Ashour quase ampliou após mais uma boa construção ofensiva dos africanos.
A Bélgica precisava reagir e foi através de Kevin De Bruyne que isso começou a acontecer. Doku sofreu duas faltas perigosas próximas da área e, em uma delas, o camisa 7 acertou a trave em uma cobrança perfeita.
A partir daquele momento, os Diabos Vermelhos passaram a transformar a posse de bola em chances reais de gol.
Mas quanto mais a Bélgica avançava suas linhas, mais espaço aparecia para os contra-ataques egípcios. O lado direito da defesa belga passou a sofrer especialmente com as subidas constantes de Thomas Meunier. O Egito percebeu isso rapidamente e começou a explorar aquele corredor sempre que recuperava a bola.
Em uma dessas jogadas, Zico encontrou espaço pela esquerda e participou de uma jogada que terminou com uma cabeçada perigosa defendida por Courtois de forma muito estranha. No rebote, Ashour teve a chance de marcar o segundo gol da partida com o goleiro praticamente batido, mas finalizou de forma inacreditável para fora.
Pouco depois, Marmoush voltou a escapar após erro de bote de Nathan Ngoy no meio-campo. O zagueiro conseguiu se recuperar na corrida, mas o susto estava dado.
Aos 65 minutos veio a mudança que alterou completamente o cenário do jogo.
Romelu Lukaku entrou em campo e poucos segundos depois a Bélgica empatou.
Thomas Meunier recebeu em profundidade pelo lado direito e cruzou rasteiro para a área. A presença de Lukaku obrigou a defesa egípcia a reagir rapidamente e Mohamed Hany acabou desviando contra o próprio patrimônio.
O gol mudou a atmosfera da partida.
A Bélgica cresceu emocionalmente e passou a pressionar em busca da virada. Meunier teve uma boa oportunidade após tabela com Trossard, mas parou em nova defesa de Shobeir.
Aos 81 minutos, veio a melhor chance da reta final. Kevin De Bruyne cobrou falta, a defesa afastou parcialmente e Tielemans colocou novamente a bola na área. Brandon Mechele apareceu livre e cabeceou muito bem, mas Mostafa Shobeir fez uma defesa espetacular, provavelmente uma das melhores da Copa até aqui.
O Egito ainda tentou responder em alguns contra-ataques, mas já mostrava sinais de desgaste físico após uma atuação extremamente intensa.
Nos minutos finais, Nicolas Raskin colocou mais uma bola na área e Lukaku conseguiu a cabeçada, mas mandou por cima do gol.
Foi a última chance da partida.
No apito final, a sensação era clara. A Bélgica teve mais posse, finalizou mais e criou volume ofensivo. Mas o Egito executou seu plano de jogo de maneira brilhante, neutralizou os principais pontos fortes dos Diabos Vermelhos e saiu de Seattle com um empate que tem muito mais cara de mérito egípcio do que de tropeço belga.
Posse de bola: Bélgica 54% x 46% Egito
Finalizações: Bélgica 15 x 14 Egito
Finalizações no gol: Bélgica 3 x 3 Egito
xG (gols esperados): Bélgica 1.31 x 1.07 Egito
Escanteios: Bélgica 2 x 7 Egito
Cartões amarelos: Bélgica 2 x 2 Egito
Mesmo em uma noite abaixo do esperado para a Bélgica, Kevin De Bruyne foi o jogador mais perigoso da equipe. O camisa 7 participou dos principais lances ofensivos, criou duas grandes oportunidades para os companheiros, acertou a trave em cobrança de falta e esteve envolvido em praticamente todas as ações ofensivas relevantes dos Diabos Vermelhos.
Sem marcar ou distribuir assistências, Mostafa Zico foi um dos jogadores mais importantes do Egito. Além de ajudar constantemente na marcação sobre Jérémy Doku, o atacante foi uma ameaça permanente nos contra-ataques e participou diretamente dos momentos de maior perigo da seleção egípcia.
Acostumado a ser um dos jogadores mais regulares da Bélgica, Onana teve uma atuação abaixo do seu nível habitual. O volante encontrou dificuldades para controlar os espaços no meio-campo e acabou ficando distante da influência que normalmente exerce na equipe.
A atuação também reacende o debate sobre seu posicionamento. Nos amistosos anteriores, Onana vinha atuando em uma função mais recuada, praticamente como um líbero entre os zagueiros, papel em que havia rendido muito bem. Contra o Egito, voltou a jogar mais avançado e não conseguiu repetir o mesmo desempenho.
A entrada de Romelu Lukaku mudou completamente a dinâmica ofensiva da Bélgica. Mesmo sem marcar, o centroavante passou a atrair marcadores e abriu espaços que não existiam anteriormente para Kevin De Bruyne, Jérémy Doku, Leandro Trossard e Youri Tielemans.
Outro ponto positivo foi a atuação de Charles De Ketelaere. Atuando como referência ofensiva durante boa parte da partida, participou bem da construção das jogadas, ganhou disputas importantes e ajudou a Bélgica a manter pressão no campo de ataque.
Mais do que uma atuação ruim da Bélgica, o empate passa pelos enormes méritos do Egito. Os africanos montaram um plano de jogo praticamente perfeito para enfrentar os Diabos Vermelhos, neutralizando Jérémy Doku, isolando Amadou Onana e explorando com inteligência os espaços deixados pela linha defensiva belga.
Ainda assim, o jogo deixa alguns alertas importantes. A defesa sofreu constantemente contra transições rápidas e permitiu que Marmoush, Salah e Mostafa Zico criassem diversas oportunidades perigosas. Se o Egito conseguiu causar tantos problemas, fica a dúvida sobre como a Bélgica responderá diante de seleções ainda mais qualificadas em um eventual mata-mata.
Para a Bélgica, o resultado é extremamente decepcionante. Os Diabos Vermelhos chegaram à Copa do Mundo como favoritos absolutos do Grupo G e como uma das seleções que poderiam terminar a fase de grupos com os números mais impressionantes da competição. Não apenas pelos possíveis nove pontos, mas também pela expectativa de marcar muitos gols e sofrer poucos diante de uma chave considerada acessível.
Por isso, o empate em Seattle representa um freio importante na empolgação criada durante a preparação para a Copa. Mais do que os dois pontos perdidos, a partida deixou expostas algumas formas de neutralizar o sistema de Rudi Garcia. O Egito conseguiu isolar Amadou Onana da construção, anulou boa parte das ações de Jérémy Doku e obrigou a Bélgica a procurar soluções que normalmente não precisa utilizar.
E isso talvez seja a principal consequência deste jogo. A atuação egípcia passa a servir como material de estudo para futuros adversários. Seleções de maior nível técnico certamente observarão a forma como os africanos conseguiram limitar os principais pontos fortes da Bélgica e tentarão reproduzir parte dessa estratégia em um eventual mata-mata.
Vale também mencionar as condições da partida. Muitos jogadores egípcios atuam no futebol local ou em ligas com características climáticas semelhantes às encontradas nesta Copa do Mundo. Isso pode ter ajudado a equipe a sustentar a intensidade física durante os 90 minutos. Ainda assim, está longe de ser uma desculpa para o desempenho belga e não diminui os méritos do Egito, que executou seu plano de jogo com enorme competência.
Já para os egípcios, o empate tem peso enorme na luta pela classificação. Mais do que o ponto conquistado, a equipe demonstrou que consegue competir em alto nível contra uma das seleções mais fortes do grupo.
Ao mesmo tempo, o resultado deixa uma curiosidade para a sequência da Copa. Nesta estreia, o Egito passou boa parte do jogo reagindo ao que a Bélgica fazia e tentando neutralizar os pontos fortes do adversário. Contra seleções como Irã e Nova Zelândia, a tendência é que os Faraós precisem assumir mais responsabilidades com a bola e mostrar uma versão diferente da equipe. Se conseguirem fazer isso com a mesma eficiência apresentada em Seattle, a classificação para o mata-mata fica muito próxima.
Courtois: 5,5
Thomas Meunier: 6,5
Nathan Ngoy: 6,0
Brandon Mechele: 7,0
Timothy Castagne: 7,0
Amadou Onana: 4,5
Youri Tielemans: 7.5
Leandro Trossard: 7,0
Kevin De Bruyne: 7,8
Jérémy Doku: 6,0
Charles De Ketelaere: 7,0
Maxim De Cuyper: 6,0
Nicolas Raskin: 6,5
Romelu Lukaku: 7,0
Hans Vanaken: Sem nota
Matthias Fernández-Pardo: Sem nota
A Bélgica volta a campo no próximo dia 21 de junho, às 16h (horário de Brasília), quando enfrenta o Irã no SoFi Stadium, pela segunda rodada do Grupo G.
Já o Egito encara a Nova Zelândia em um confronto que pode ser decisivo para as pretensões da equipe na luta por uma vaga no mata-mata.
📌 Imagem de capa: Getty Images







































