MundoBola
·23 Februari 2026
Canindé em silêncio: Vitinho ressuscita o Corinthians e Hugo Souza escreve história na marca da cal

In partnership with
Yahoo sportsMundoBola
·23 Februari 2026

O futebol, em sua essência mais cruel e apaixonante, costuma premiar quem não desiste do roteiro, por mais improvável que ele pareça. No Estádio do Canindé, o Corinthians não apenas avançou à semifinal do Campeonato Paulista 2026; ele sobreviveu a uma Portuguesa superior, a um erro de seu goleiro e ao relógio que insistia em punir a falta de criatividade alvinegra. O empate por 1 a 1 no tempo normal, transformado em 8 a 7 nos pênaltis, é a definição pura do "Corinthians sendo Corinthians".
Desde o apito inicial de Raphael Claus, a Lusa mostrou que a melhor campanha na fase de grupos não era obra do acaso. Com intensidade e organização, o time da casa encurtou espaços e fez o Timão de Dorival Júnior parecer pesado, sem o "jogo interior" necessário para furar o bloqueio.
A noite de Hugo Souza começou com um susto que poderia ter selado o destino do jogo. Aos 23 minutos, o goleiro derrubou Renê na área: pênalti. No entanto, o que parecia o início de um pesadelo foi o primeiro ato de sua redenção. Hugo parou a cobrança do próprio Renê, mantendo o placar zerado.
A alegria, contudo, durou pouco. Aos 37, após uma falha na rebatida de André Ramalho, Zé Vitor acertou um chute rasteiro e preciso, fazendo explodir o Canindé. Durante quase todo o segundo tempo, o Corinthians foi um time de alma, mas sem corpo tático. As chances perdidas por Pedro Raul aumentavam o tom de drama nas arquibancadas, até que a mística entrou em campo.
Quando a torcida lusitana já ensaiava o grito de classificação, aos 47 minutos da etapa final, o improvável aconteceu. Em um lançamento de Matheuzinho, Vitinho dominou com a coxa e, com a frieza dos grandes iluminados, fuzilou para empatar. O gol não apenas levou a decisão para os pênaltis, mas quebrou o espírito de uma Portuguesa que já se sentia semifinalista.
Nas penalidades, a experiência pesou. Após 18 cobranças carregadas de tensão, Hugo Souza voltou a se agigantar. Ele defendeu duas batidas - incluindo a decisiva de Cauari - para colocar o Corinthians na próxima fase e, de quebra, superar o lendário Gylmar no ranking histórico de pegadores de pênalti do clube.
O Corinthians avança com as cicatrizes de um jogo onde foi inferior tecnicamente, mas gigante emocionalmente. Agora, o desafio será contra o Novorizontino, mas para a Fiel, a noite de domingo serviu para lembrar que, enquanto houver tempo e houver Hugo Souza, o Timão nunca poderá ser dado como morto.









































