Central do Timão
·4 Juni 2026
Carlos Leite explica motivo pelo qual acionou Corinthians na Justiça; veja

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·4 Juni 2026

Um dos muitos credores do Corinthians, que vive grave crise financeira e tem dívida de quase R$ 3 bilhões, o empresário Carlos Leite explicou o motivo pelo qual acionou o clube na Justiça.
Em entrevista ao ge, o empresário de nomes como Cássio, Fagner e Renato Augusto destacou que pendências financeiras relacionadas às suas comissões se tornou uma bola de neve, uma vez que o Timão realizava sucessivas negociações sem quitar as anteriores.
“Dinheiro meu emprestado não. (Dívida) como comissão. Devem de muitos e muitos anos, o que as pessoas também não entendem. Então assim a gente acaba tendo uma exposição. Ah, “o Corinthians deve não sei quantos milhões ao Carlos Leite” ou deve não sei quantos ao agente X, Y, Z. Deve porque não paga, porque fez vários negócios. A gente muitas das vezes está privilegiando o clube onde você tem mais relação e você acaba não recebendo. Então aquilo vai virando uma bola de neve, né?”, inicia.

Reprodução
“Então o cara não pagou a primeira. Daqui a pouco o cara fez uma outra negociação, não pagou, fez a terceira, fez a quinta, fez a sexta e tá lá. Em algum momento vai estourar. E é o que aconteceu com alguns clubes, como foi o Vasco, o Corinthians, enfim, como hoje é o Atlético Mineiro. Acontece isso”, completou.
Dentre os assuntos abordados na entrevista, Carlos Leite foi questionado pela reportagem sobre não ter feito tal ação na época em que Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves comandavam o clube, e explicou que a relação com a gestão Augusto Melo era complicada.
“Sim, claro, porque a relação que eu tinha com o clube era uma relação… Como é que eu vou explicar, de confiança. E eu só fiz o que eu fiz com o Corinthians, que muitas pessoas não sabem, porque o presidente que entrou (Augusto Melo, que sofreu impeachment) não foi correto comigo. Nas outras gestões, a falta de pagamento para mim não era por não ser correto, não paga por N motivos, mas reconhece o que tem”, afirmou.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
No ano de 2024, Carlos Leite acionou o Corinthians na Justiça cobrando valores que superam a casa dos 16 milhões de reais. Os valores dizem respeito a comissões, intermediações e direitos de imagem atrasados. Naquele mesmo ano, o clube foi condenado, mas depois as partes iniciaram negociações para evitar bloqueios financeiros.
Estopim
O empresário enfatiza que o estopim para a escalada da situação tem a ver com a negociação ligada à Brax, empresa que comercializa as placas publicitárias da Neo Química Arena.
“Eu negociei um contrato para o Corinthians com a Brax, de direitos das placas publicitárias. O Corinthians tem um valor para receber durante seis anos e eu negociei com o presidente o seguinte: “olha, estou te trazendo esse contrato ao qual eu fui contratado e eu gostaria que se esse contrato for finalizado que você me pague o que me deve em três anos. Você tem seis anos para receber. Você me paga em três. Eu fiquei sete ou oito anos sem receber, você me paga em três”, explicou.
“O contrato entre a Brax e o Corinthians estava em análise ainda. Eu fiz questão que o meu advogado colocasse todas as negociações no mesmo contrato que foram feitas para que não tivesse nenhum tipo de dúvida. Então anexamos todos os contratos, o que não foi pago e assim foi feito. Só que vem uma eleição e ganha a oposição e a oposição procura a Brax e diz para a Brax não ser anuente naquele contrato, que se ela fosse anuente ia cancelar o contrato”, prosseguiu.
“O que era feito ali: ia fazer uma cessão de crédito dos valores para pagar em três anos. O que me resta? O cara está entrando e na primeira atitude dele comigo, não me procura, não fala comigo, não teve nenhum tipo de de conversa. Ele simplesmente procura essa empresa e fala para a empresa: “cara, você não assina como anuente, porque se você assinar como anuente eu vou cancelar o contrato”. Não me restou outra alternativa. Eu tive que entrar com uma ação contra o Corinthians, coisa que eu segurei durante esses anos todos”, contou Carlos.
“Ah, você não entrou contra o Andrés, contra o Duílio, contra o Roberto”. Realmente eu não entrei. Por quê? Porque a gente sempre estava tendo conversa, pagava uma parte, segurava e tal. Quando eu consigo achar um caminho onde eu trago uma receita nova para o clube, onde está tudo acordado, o presidente que está entrando faz uma ameaça para a empresa não anuir. O contrato pelo Corinthians foi assinado, o contrato por mim foi assinado. Faltava a anuência da empresa para poder fazer a cessão. Não tive alternativa. Eu tive que entrar na Justiça e cobrar”, finalizou o empresário.
Situação de momento
Vale lembrar que desde o mês de março de 2026, o Corinthians paga mensalmente os valores previstos pelo Regime Centralizado de Execuções (RCE), e a dívida com Carlos Leite está inclusa.
A expectativa é de que no primeiro ano o Timão destine ao menos 4% de suas receitas recorrentes ao programa. O plano ainda estabelece critérios de prioridade para o pagamento dos credores e prevê formas de acelerar a quitação, incluindo ainda uma classificação “preferencial” de credores e também a elaboração de leilões reversos.







































