Carlos Vinícius virou o símbolo do que fizeram com o Grêmio
Tá muito difícil defender o trabalho do técnico Luís Castro. Qualquer pessoa que veja a partida, se assusta com a enorme dificuldade do Grêmio em conseguir atacar.
E nem a tabela vai esconder. Já dá pra dizer que só um ponto separa da zona do rebaixamento. Não precisa falar muito mais, né?
Luís Castro tinha prometido grandes mudanças depois do que aconteceu contra o Remo. Pois bem, tentou modificar recuando mais o Norigea e no máximo aproximando os pontas como meias (que nem aconteceu tanto dessa vez). De qualquer modo, não deu nada certo de novo.
Custo a gostar dessa forma de jogar. Quando era atacado, Noriega entrava no meio dos zagueiros e a meta era ter Arthur (esquerda) e Nardoni (direita) formando uma dupla de proteção na frente da área. Algo que não aconteceu.
Na saída de bola, o Noriega avançava mais pela direita e o Arthur ficava em linha com ele tentando fazer a saída de bola. Ou seja, formavam uma linha de volantes. E o Nardoni? Virava quase um meia armador. Saia pela direita, mas avançava. Só faltava dar uma camisa 10 pra ele. Meio óbvio que não daria certo.
No primeiro tempo, Weverton fez dois pequnos milagres e salvou o time de já estar perdendo ali, na primeira etapa.
E foi o próprio Weverton, em um chute de tiro de meta, que armou o contra-ataque. Foi o Carlos Vinícius brigando com dois zagueiros e uma bola que sobrou para o Enamorado fazer uma jogada individual. Essa foi a única vez que ameaçaram. E desse jeito.
Só que mesmo tendo a sorte de ir pro intervalo para poder se ajustar, as coisas não melhoraram no segundo tempo. Com cinco minutos, o Cruzeiro abriu o placar. E eles é que conseguiram o contra-ataque. Aliás, os dois gols foram de roubadas com saídas rápidas deles, que o Grêmio demorou uma eternidade para se recompor.
No primeiro gol sofrido, o Noriega foi o que mais errou. Ele perde a bola na saída e depois volta e se posicionar no meio dos zagueiros, dentro da pequena área praticamente, e deixou a entrada livre para o Gerson dominar e fazer o que queria.
Luís Castro só se moveu depois disso e fez a coisa mais básica até aqui, sacou o Nardoni para por o Monsalve. O posicionamento não mudou muito, só a característica dos jogadores, um mais volante e outro mais meia. Só que nenhum dos dois performou.
O castigo veio pelos 21 minutos. Um contra-ataque cruzeirense, onde os gremistas desceram completamente desorganizados para fechar. Sabe aquela máxima antiga de “atacar marcando”. Então, passa longe do Grêmio. Não há sequer uma organização.
E aí vem um outro ponto mega importante. Vai parecer que ninguém corre, que ninguém quer nada ou que os boleiros sequer suaram. Confesso que só vendo o gps para ter certeza. E o motivo disso é que quando as coisas não estão bem organizadas, sempre vai parecer que os jogadores estão longe e aí parece que não correm. E pode não ser falta de vontade, é estar mal organizado e “não achar” o adversário. Pensem nisso.
Carlos Vinícius é um símbolo do que tá acontecendo. Ele ficou completamente isolado e nada chegava na sua zona. Coisa triste de ver. Um centroavante que tinha gente pedindo na seleção. “Sorte” que o Ancelotti nunca deu esperanças, pois se dependesse desse momento para carimbar uma ida pra Copa, o CV entraria em depressão.