Calciopédia
·26 Februari 2026
Com virada histórica, a Atalanta eliminou o Dortmund e foi às oitavas da Champions League

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Que noite maluca em Bérgamo, para dizer o mínimo. Pela partida de volta da fase de playoffs da Champions League, a Atalanta transformou a frustração da derrota por 2 a 0 na ida em combustível puro e atropelou o Borussia Dortmund por 4 a 1, numa virada que vai ficar na memória do torneio. O placar agregado terminou 4 a 3 para os italianos, com direito a drama até o último suspiro, VAR, pênalti, expulsões e um estádio em êxtase. Foi daqueles jogos que começam elétricos e terminam lendários – um verdadeiro feito, construído com os gols de Scamacca, Zappacosta e Pasalic, antes de Adeyemi reabrir a disputa e Samardzic, aos 99, selar a classificação nerazzurra.
Em busca de uma virada improvável, que se tornaria antológica, Raffaele Palladino mexeu na equipe, e até de maneira surpreendente, pois Éderson começou no banco. Pasalic atuou mais recuado ao lado de De Roon, e Scamacca foi acompanhado por Zalewski e Samardzic no ataque. Do outro lado, Niko Kovac recuperou Emre Can para a defesa, única mudança em relação ao jogo de ida. A atmosfera também empurrava o time: a Curva Nord da New Balance Arena estava coberta por cartões pretos e azuis e imagens do esloveno Ilicic, em lembrança da doppietta do ídolo contra os alemães, em 2018 – num confronto que terminou em derrota, mas mostrou os brios dos nerazzurri. Já a Curva Sud exibia faixas que falavam em levar as cores da Atalanta pelos muros da Europa. O Dortmund levou menos torcedores que o previsto, reflexo de boicote pelas restrições das autoridades que impediram parte dos ultras de viajarem.
Desde o apito inicial, a Atalanta mostrou que não ia deixar o roteiro se repetir. A pressão alta encurralou o Dortmund, e o gol precoce de Scamacca, logo aos 5 minutos, foi o empurrão que faltava para incendiar o jogo e iniciar a perseguição à remontada. A Dea seguiu em cima, empilhando chances, sufocando a saída alemã e criando um clima de “hoje vai” que se sentia em cada dividida. O primeiro tempo teve um discurso claramente atalantino: em alguns momentos a equipe manteve posse paciente, em outros aceitou a qualidade adversária e contra-atacou. Carnesecchi trabalhou pouco – apenas em finalização de Brandt – e Guirassy levou perigo isolado numa cabeçada para fora.
O primeiro tempo perfeito da Atalanta terminou com Zappacosta ampliando o placar e igualando a eliminatória (Getty)
O segundo golpe veio ainda antes do intervalo, aos 45 minutos, num chute de fora da área de Zappacosta desviado por um inseguro Bensebaini, que tornou a defesa impossível para Kobel. O 2 a 0 ao fim do primeiro tempo não só igualava o confronto no agregado como virava completamente o termômetro psicológico da eliminatória. Repetia-se, de certa forma, o roteiro do jogo de ida, quando os alemães também ampliaram perto do intervalo – agora com sinal invertido. Os nerazzurri foram para o vestiário com a confiança lá em cima; o Dortmund, com a sensação incômoda de que o jogo escapava.
Na volta, a partida virou outra. O Borussia Dortmund tentou ser mais agressivo para evitar sofrer o terceiro, e o início da etapa lembrava um combate de boxe, com golpes alternados: Pasalic e De Roon de um lado, Guirassy e a bola na trave de Beier do outro. Então veio o lance que explodiu Bérgamo. Aos 57 minutos, um cruzamento de De Roon encontrou Pasalic, que cabeceou para fazer o terceiro e levar a eliminatória ao controle italiano antes de uma hora de jogo. O agregado passava a favorecer a Atalanta, mas o relógio ainda era um adversário.
Kovac mexeu nos meias que abasteciam mal Guirassy, lançando Chukwuemeka e Fábio Silva. Palladino demorou mais – esperou além dos 70 minutos para alterar uma equipe que beirava a perfeição, colocando Krstovic e Ahanor, nos lugares de Scamacca e do lesionado Kolasinac, para acrescentar frescor na pressão e no ataque. O Dortmund reagiu imediatamente: aos 75, Adeyemi marcou com um belo chute de esquerda e devolveu tensão à noite, como se o fantasma da ida voltasse a circular pelo estádio. Por algum tempo, a eliminatória entrou no território virtual da prorrogação.
Pasalic marcou o gol que virou a eliminatória e, após o Dortmund empatar, Samardzic aliviou os nerazzurri (imago)
A reta final foi puro caos. VAR em ação, pênalti marcado, expulsões dos dois lados e um Dortmund que perdeu completamente a cabeça na própria área. Em contra-ataque decisivo, Pasalic cruzou para Krstovic, Kobel estava fora do gol, muito mal posicionado, e o montenegrino poderia marcar, mas Bensebaini completou sua noite desastrosa ao atingi-lo perigosamente, elevando a chuteira para cortar a pelota e abrindo um rasgo na testa do atacante. O árbitro José Sánchez inicialmente não marcou nada além do escanteio, precisou do chamado do VAR para assinalar a penalidade. A sequência foi efervescente: vermelho para o defensor, que já tinha cartão amarelo, e expulsões também nos bancos – Scalvini, que fora substituído por Djimsiti, e Schlotterbeck, que não jogou entre os envolvidos. Por fim, haveria ainda a cobrança decisiva.
O pênalti convertido por Samardzic no apagar das luzes, aos 98 minutos, foi o selo de uma noite épica: cobrança perfeita no ângulo, 4 a 1, virada no agregado e catarse completa em Bérgamo. O jogo terminou com mais cartões do que fôlego, num daqueles finais em que todo mundo sai exausto – física e emocionalmente. Mas, para a torcida nerazzurra, com uma alegria de dar inveja.
No fim das contas, a classificação da Atalanta não foi obtida só através do placar, mas da postura. Foi um time que entendeu o tamanho do desafio, agrediu com inteligência, soube alternar controle e transição e transformou pressão em combustível. O Borussia Dortmund pagou caro pela instabilidade defensiva e pela incapacidade de esfriar o jogo quando mais precisava. A Champions League às vezes é isso: não vence quem joga mais bonito, vence quem aguenta a pancada e responde no momento certo. Em Bérgamo, a noite foi azul e preta – e histórica, com a Dea avançando às oitavas para enfrentar um entre Arsenal e Bayern de Munique. O sorteio da pedreira será na sexta.









































