Jogada10
·11 Mei 2026
Como chega a RD Congo para a Copa do Mundo

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Pela segunda vez na história, a primeira com o seu atual nome, a República Democrática do Congo disputa a Copa do Mundo. A seleção africana conseguiu a vaga na repescagem, depois de uma boa campanha nas Eliminatórias Africanas e também resultados expressivos na Copa Africana de Nações.
O ciclo começou com a vaga confirmada no torneio africano. Os Leopardos venceram Mauritânia, Gabão e Sudão para garantir sua classificação na Can. Em amistosos, empatou com Nova Zelândia e Angola e perdeu para a África do Sul. Depois, no começo das Eliminatórias da Can, reencontrou a Mauritânia, venceu mais uma vez, mas foi derrotado pelo Sudão.
No torneio continental, a seleção ficou devendo na fase de grupos, empatando seus jogos contra Zâmbia, Marrocos e Tanzânia. Entretanto, conseguiu a classificação e nas oitavas de final eliminou o Egito, nos pênaltis. A primeira vitória veio apenas nas quartas, contra Guiné, garantindo uma histórica vaga na semifinal. No duelo que valia vaga na decisão, a primeira derrota, para a Costa do Marfim. Por fim, terminou na quarta posição, ao perder para a África do Sul na disputa do terceiro lugar.
No retorno das Eliminatórias, conseguiu um importante empate contra Senegal, fora de casa, e venceu o Togo. Já em uma nova qualificatória para a Can, conseguiu vitórias nos seus quatro primeiros jogos e, mesmo com derrotas para Guiné e Etiópia, garantiu a sua classificação.

Leopardos garantiram vaga vencendo a Jamaica na repescagem – Foto: Divulgação/Fecofa
Para o ciclo ficar perfeito, faltava a vaga na Copa. Inclusive, no retorno das Eliminatórias, venceu Sudão do Sul e Mauritânia e assumiu a liderança do grupo. Nos amistosos, seguiu o bom momento, com triunfos contra Mali e Madagascar. Abrindo a penúltima janela da qualificatória, goleou o Sudão do Sul, fora de casa, e ia para um confronto direto dentro de casa contra Senegal para garantir a vaga. Os Leopardos abriram 2 a 0 no primeiro tempo, mas sofreram a virada e tomaram um duro golpe em Kinshasa. Nas últimas rodadas, a seleção bateu Togo e Sudão e confirmou a classificação na repescagem.
Apesar da decepção pela derrota com a vaga encaminhada, a RD Congo ergueu a cabeça para a repescagem continental. Na semifinal, os Leopardos venceram Camarões, com gol nos acréscimos. Já na decisão, empatou com a Nigéria e venceu nos pênaltis por 4 a 3, garantindo a vaga para o playoff intercontinental.
Antes de definir seu futuro, a seleção disputou a Can no Marrocos. Na primeira fase, venceu Benin e Botsuana e empatou com Senegal. Entretanto, nas oitavas de final, fez um jogo muito duro contra a Argélia, mas perdeu com um gol nos minutos finais da prorrogação.
Por conta da sua posição no ranking da Fifa, os Leopardos ficaram aguardando seu adversário na decisão da repescagem. No jogo decisivo, muita tensão e vitória apenas na prorrogação contra a Jamaica. A seleção retorna à Copa após 52 anos na 46ª colocação do ranking.
A seleção se destaca na repescagem, com um elenco que possui vários jogadores atuando em ligas europeias. O principal deles é Yoane Wissa. Depois de anos se destacando pelo Brentford, o atacante se transferiu para o Newcastle nesta temporada. O jogador já atuou em 22 partidas, marcando três gols pelo clube inglês.

Wissa atua na Premier League há cinco temporadas – Foto: Divulgação/Fecofa
Já na seleção, Wissa esteve presente nas duas campanhas de Copa Africana de Nações e das Eliminatórias. Inclusive, pela camisa dos Leopardos, o atacante já atuou em 37 partidas e anotou nove gols.
A seleção tem como treinador o francês Sébastien Desabre. O técnico chegou ao Congo em agosto de 2022, após a seleção não conseguir se classificar para a Copa do Qatar. Inclusive, em seu trabalho, o comandante liderou os Leopardos para a campanha histórica na CAN de 2023 e tenta cravar o seu nome de vez na história com a vaga no Mundial.

Desabre comanda a seleção desde 2022 – Foto: Divulgação/FECOFA
Inclusive, em sua carreira, Desabre possui passagens por diversos clubes do futebol africano, como Esperance de Tunis, Wydad Casablanca e Pyramids. Além disso, o treinador comandou a seleção de Uganda, disputando a Copa Africana de Nações em 2019, indo até as oitavas de final.
A República Democrática do Congo tenta uma classificação inédita para a Copa do Mundo com esse nome. Entretanto, a seleção já participou do Mundial, com outra nomenclatura. Em 1974, como Zaire, a equipe disputou a Copa do Mundo na Alemanha, passando por Zâmbia, Marrocos, Togo, Camarões e Gana nas Eliminatórias. Já na competição, a seleção enfrentou Brasil, Iugoslávia e Escócia, caindo na fase de grupos.

Zaire disputou a Copa do Mundo de 1974 – Foto: Reprodução/dailymotion.com
Depois disso, o país seguiu com o nome de Zaire nas Eliminatórias de 1982, 1990, 1994 e 1998. Na sequência, como República Democrática do Congo, a seleção ficou perto da classificação em 2018 e 2022, perdendo a vaga para Tunísia e Marrocos.
M’pasi; Wan-Bissaka, Mbemba, Tuanzebe e Kayembe; Moutoussamy, Bongonda, Mukau e Sadiki; Elia Wissa.
A República Democrática do Congo é o segundo maior país da África, com 2.345.409 km² e o quarto mais populoso do continente, 106.552.000 de habitantes. Sua capital é Kinshasa, e o RD Congo é uma república semipresidencialista, com Félix Tshisekedi como presidente e Judith Tuluka como primeira-ministra.
A economia do país é totalmente ligada à mineração, com destaque para extração de diamantes. Entretanto, a atividade acontece muito de forma informal, o que acaba não refletindo no Produto Interno Bruto. Inclusive, a RD Congo possui um dos menores PIB per capita do mundo.
Além da pobreza, o país também enfrenta sérios conflitos. Uma guerra civil ganhou grandes proporções desde 2022, por conta de disputas étnicas e a luta pelo controle de minérios. Inclusive, existe uma acusação de apoio de Ruanda aos rebeldes.
O maior nome da história da República Democrática do Congo vem do campo político. Patrice Lumumba nasceu em 1925 e cresceu no antigo Congo Belga. Ele trabalhava em uma mineradora e também se destacava aos estudos sociais. Durante os anos 50, Lumumba ingressou no meio político, se tornando uma das principais figuras da causa anticolonialista na África.
Junto com outros líderes do país, Lumumba fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC). Em 1960, depois da vitória do seu partido, ele acabou se tornando primeiro-ministro e prosperou a pauta pela independência, conquistada em junho daquele ano. Inclusive, no seu discurso de posse, Lumumba fez um discurso histórico, condenando a Bélgica pelos crimes humanitários durante o período de colonização. Em janeiro, o líder político acabou sendo executado após uma conspiração dos Estados Unidos para derrubá-lo do poder.

Muladinga homenageou Lumumba durante a CAN – Foto: Divulgação/FECOFA
O nome de Lumumba é marcante em todo o país e ganhou destaque na Copa Africana de Nações. Afinal, durante o torneio no Marrocos, o torcedor Kuka Muladinga se caracterizou como o primeiro-ministro e permaneceu como uma estátua nas arquibancadas nos jogos dos Leopardos.

RD Congo pode complicar a vida de favoritos da chave – Foto: Divulgação / FECOFA
Com a força do seu elenco e o bom retrospecto recente, os Leopardos chegaram ao Mundial como uma seleção que conseguiu comprovar o seu favoritismo na repescagem. A expectativa é que a RD Congo consiga fazer jogos mais complicados, dificultando a vida de Portugal e Colômbia, além do confronto decisivo contra o Uzbequistão. Afinal, o desempenho nos jogos contra Camarões e Nigéria, dois gigantes africanos, e contra a Jamaica, aumentou a confiança da equipe, podendo sonhar com uma vaga na próxima fase.







































