Jogada10
·26 April 2026
Como chega o Haiti para a Copa do Mundo

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Uma das grandes surpresas das Eliminatórias, o Haiti está de volta à Copa do Mundo após 52 anos! Os Grenadiers deixaram as favoritas Costa Rica e Honduras para trás para carimbar sua classificação, mesmo sem atuar uma única vez no país ao longo de todo o ciclo!
A seleção seguiu com Jean-Jacques Pierre para os primeiros jogos em 2023. Pela Liga das Nações, o Haiti venceu Montserrat e Bermuda, carimbando o acesso. Porém, para a Copa Ouro, houve uma troca no comando técnico, com a chegada do espanhol Gabriel Calderón. Na preparação para o torneio, bateu São Cristóvão e Névis e empatou com Trinidad e Tobago. Já na competição, estreou com vitória contra o Qatar, mas perdeu para México e Honduras, caindo na primeira fase.
Na sequência, a seleção decepcionou na elite da Liga das Nações, empatando seus três primeiros jogos e perdendo para a Jamaica na última rodada. Com isso, veio o rebaixamento, que custou o cargo de Calderón. Em seu lugar, chegou Sébastien Migné, que empatou com a Guiana Francesa. Só que depois, na estreia nas Eliminatórias, venceu Santa Lúcia e Barbados e começou uma sequência de resultados positivos.

Haiti disputou todas as suas partidas fora do país – Foto: Federação Haitiana de Futebol
Os Grenadiers atropelaram Porto Rico, Sint Maarten e Aruba na Liga das Nações, conquistando o acesso e a vaga na Copa Ouro com 100% de aproveitamento. Em amistoso no começo de 2025, venceu o Azerbaijão, na Europa e ainda goleou Aruba na penúltima rodada da segunda fase das Eliminatórias. A sequência terminou com uma goleada sofrida para Curaçao, que não impediu a classificação para a chave decisiva.
Na Copa Ouro, derrotas para Arábia Saudita e Estados Unidos e empate contra Trinidad e Tobago, que culminaram em mais uma eliminação na fase de grupos. Entretanto, na terceira fase das Eliminatórias, a seleção virou a chave. Empate contra Honduras e Costa Rica nos primeiros jogos. Depois, venceu a Nicarágua fora de casa e perdeu para os hondurenhos. Nas rodadas finais, venceu os Ticos em um jogo dramático, contou com um tropeço dos Catrachos, e bateu os Pinoleros para confirmar a classificação para a Copa.
Com apenas uma Data Fifa para testes, o Haiti perdeu para a Tunísia no Canadá e empatou com a Islândia. Os Grenadiers chegam ao Mundial na 83ª posição do ranking da Fifa, ficando apenas na frente da Nova Zelândia entre as seleções que vão disputar a Copa.
Uma das principais esperanças do Haiti em fazer bonito na Copa do Mundo passa pelos pés de Duckens Nazon, maior artilheiro da história da seleção haitiana. Aos 32 anos, o camisa 9 vai disputar a primeira Copa pelo seu país, mas já tem bagagem de gols em competições importantes.

Nazon é o maior artilheiro da história da seleção haitiana – Foto: Federação Haitiana de Futebol
Com 44 gols, Nazon é o maior goleador da seleção e já deixou sua marca na Copa Ouro e disputou a Copa América de 2016. Inclusive, disputou a partida contra o Brasil naquela competição. O atacante também é o segundo jogador com mais jogos pelo país, com 80 partidas, atrás de Pierre Richard Bruny, que tem 95. Nas Eliminatórias da Concacaf, o jogador dividiu a artilharia do torneio com o guatemalteca Óscar Santis, com seis gols marcados. Destaque para o hat-trick anotado contra a Costa Rica, em plena San José.
Sem nunca sequer ter pisado no país, Sébastien Migné conseguiu fazer história no Haiti ao garantir o retorno da seleção à Copa do Mundo. Logo em seus primeiros jogos, deu um belo cartão de visitas, com uma sequência de um ano, ou dez partidas, de vitórias. A eliminação na Copa Ouro pode ter sido desanimadora, mas o francês conseguiu mostrar que tinha um time coeso, que deu resultado na fase decisiva das Eliminatórias, batendo Costa Rica e Honduras.

Migné comanda os Grenadiers desde 2024 – Foto: Reprodução
Em sua carreira, Migné atuou por algumas seleções africanas. Seu primeiro trabalho aconteceu na equipe sub-20 da República Democrática do Congo, em 2013. Quatro anos depois, assumiu o comando do Congo, passando por Quênia e Guiné Equatorial. Em 2022, o treinador dirigiu seu único clube na carreira, o Marumo Gallants, da África do Sul. Mas deixou o clube para trabalhar de auxiliar técnico de Rigobert Song, em Camarões, participando da Copa do Mundo de 2022 e enfrentando o Brasil, na ocasião.
Essa será apenas a segunda vez que o Haiti disputará uma Copa. A estreia aconteceu há mais de 50 anos, em 1974. Naquela ocasião, os Grenadiers venceram a Copa da Concacaf para garantir a vaga. No torneio realizado na Alemanha, os haitianos estrearam saindo da frente contra a Itália, mas sofreram a virada e perderam por 3 a 1. Na sequência, goleadas sofridas por 7 a 0 e 4 a 1, para a Polônia e Argentina, respectivamente, e eliminação sem nenhum ponto conquistado.

Haiti disputou a Copa do Mundo de 1974 – Foto: Reprodução/FIFA
Depois disso, o Haiti não chegou próximo da classificação nenhuma vez, sem conseguir chegar até a fase decisiva. Nas Eliminatórias de 2022, por exemplo, avançou na primeira fase, mas caiu para o Canadá no playoff que decidia uma vaga no octagonal final.
Placide; Arcus, Adé, Decroix e Lacroix; Jean Jacques, Leverton Pierre, Casemir (Picault) e Bellegarde; Wilson Isidor e Pierrot (Nazon).
Segundo país independente das Américas, o Haiti está localizado na ilha de São Domingos, no mar do Caribe, com uma área de 27.750 km² e uma população de 11.470.261 habitantes, tendo a maior densidade demográfica dos países com mais de um milhão de habitantes das Américas, com cerca de 500 habitantes por km². Sua capital é Porto Príncipe.
O país sofre com problemas sociais, que assolam a população desde o século passado. O cenário é marcado por violência e pobreza. A economia haitiana, que não era muito forte, teve uma crise severa após o terremoto que devastou o país no começo de 2011. Na política, o Haiti não possui um presidente, quando Jovenet Moïse foi assassinado em sua residência. Alix Didier Fils-Aimé ocupa o cargo de primeiro-ministro, adminstrando uma transição para novas eleições. Por conta de toda essa instabilidade, a seleção não pode atuar em seu território.
O Haiti possui artista com destaque internacional no meio musical. O mais conhecido é o rapper Wyclef Jean. O cantor ficou conhecido nos anos 80 ao ser um dos fundadores do trio The Fugees, que vendeu mais de 22 milhões de cópias do álbum “The Score”. Depois disso, Jean atuou como produtor de músicas que estouraram com o Destiny’s Child, Whitney Houstone e Santana. A fama mundial veio em 2006, com a parceria com Shakira para canção “Hips Don’t Lie”, se apresentando na abertura da Copa da Alemanha.

Wyclef Jean é um dos maiores nomes da música caribenha – Foto: Divulgação
No cenário musical, o país também tem como destaque o DJ Micheal Brun. Radicado em Nova York, Brun chama a atenção por misturar música eletrônicas com gêneros haitianos. Além disso, possui parcerias com estrelas da música latina, como J. Balvin. No audiovisual, a atriz Garcelle Beauvais já apareceu em diversas produções de séries norte-americanas e é o principal nome do Haiti no segmento.

Grenadiers vão em busca dos primeiros pontos em Copas – Foto: Fédération Haïtienne de Football
Em seu retorno ao Mundial, os Grenadiers chegam como um azarão, até pelas seleções que deixaram pelo caminho nas Eliminatórias, Porém, o Haiti ainda não conseguiu ter bons resultados nas principais competições que disputaram no ciclo, como a Copa Ouro e a elite da Liga das Nações, o que indica uma falta de experiência da seleção em grandes torneios. Entretanto, o Brasil e os adversários não devem subestimar os haitianos, que podem apresentar armas para surpreender no Mundial. assim como fizeram na qualificatória.
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