Jogada10
·22 Mei 2026
Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1938

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Depois das fracas participações nas primeiras edições, o Brasil chegou para a Copa do Mundo de 1938, na França, em outro patamar. Afinal, as crises internas que atrapalharam a Seleção em 1930 e 1934 ficaram para trás. Enfim, o time convenceu a imprensa brasileira, sendo aclamado no seu retorno da Europa.
Para essa edição, o Brasil conseguiu contar com força máxima. Afinal, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) se uniou com a Federação Brasileira de Futebol se uniram, deixando para trás o racha quanto à profissionalização do esporte no país. Entretanto, a Seleção ainda contava apenas com jogadores de clubes de Rio e São Paulo. O destaque do time era o atacante Leônidas da Silva, que estava no Flamengo. Além dele, havia outros três remanescentes da equipe de 1934: o meia Martim Silveira, do Botafogo, e os atacantes Luizinho, do Palestra Itália, e Patesko, do Botafogo, na lista do treinador Ademar Pimenta.
Mais uma vez, houve um boicote na América do Sul quanto a participação no torneio. A Argentina protestou alegando que tinha um acordo com a Fifa que sediaria o torneio, o que não aconteceu. Com isso, quase todas as seleções americanas não se inscreveram para disputar a Copa, com exceção de Brasil e Cuba, que conquistaram a vaga automaticamente.
Assim como em 1934, o Brasil viajou para a França a bordo de um navio, desta vez o Arlanza. A travessia do Atlântico durou cerca de duas semanas. Entretanto, desta vez, a Seleção chegou a Paris com 20 dias de antecedência, e teve tempo para recuperar as condições físicas e realizar uma preparação no continente europeu.
Por fim, com 16 seleções, a Fifa manteve o mesmo formato da edição anterior. Os participantes se enfrentariam em jogos de mata-mata, com um jogo extra em caso de empate após o tempo normal e prorrogação.
Em seu primeiro jogo, o Brasil encarou a Polônia. A Seleção começou melhor e Leônidas recebeu de Romeu para abrir o marcador. Porém, cinco minutos depois, Domingos da Guia derrubou Wilimowski na área, pênalti que Scherfke cobrou e empatou o jogo. Só que dois minutos depois, a ordem se inverteu, e Leônidas deu assistência para a Romeu desempatar. Ainda na primeira etapa, Lopes cruzou e Perácio cabeceou para ampliar.
Porém, no segundo tempo, veio a chuva e a Polônia se reencontrou, com a estrela de Wilimowski. Aos oito minutos, o atacante arriscou de fora da área, a bola desviou em Machado e entrou. Seis minutos depois, Wilimowski apareceu novamente e deixou tudo igual. Entretanto, Perácio arriscou de fora da área e colocou o Brasil na frente mais uma vez. Só que aos 44 minutos, quando a partida era uma batalha na lama, Wilimowski fez o seu terceiro gol e levou o jogo para a prorrogação.
No tempo extra, aparece a estrela de Leônidas da Silva. Mais uma vez, Romeu deu passe para o atacante, que marcou o quinto. Ainda no primeiro tempo, o goleiro polonês vacilou em cobrança de tiro de meta e Leônidas marcou o sexto, esse o famoso gol sem chuteira, o seu terceiro na partida. Nos minutos finais, Wilimowski descontou, marcando o seu quarto gol na partida, sendo, até hoje, o jogador que mais marcou contra o Brasil em Copas, mas não impediu a classificação da Seleção.

Brasil se classificou pela primeira vez em Copas – Foto: Divulgação/FIFA
Pela primeira vez, o Brasil havia passado da primeira fase da Copa. Porém, o desafio nas quartas de final era a atual vice-campeã, Tchecoslováquia. A partida ficou conhecida como a “Batalha de Bordeaux”. Logo aos 14 minutos do primeiro tempo, Zezé Procópio foi expulso de campo após atingir o atacante Oldřich Nejedlý sem bola. Inclusive, a imprensa brasileira que acompanhou o jogo criticou a arbitragem, por não punir os tchecos, que estavam muito agressivos, sem o mesmo rigor.
Mesmo com um a menos, o Brasil conseguiu abrir o marcador ainda na primeira etapa. Perácio deu passe para Lêonidas da Silva, que marcou o primeiro. Porém na segunda etapa, Nejedlý e Šimůnek fizeram tabela e Domingos da Guia acabou cortando com o braço. Pênalti, que o artilheiro da Copa de 34 cobrou e deixou tudo igual. Ainda no tempo regulamentar, Machado e Jan Říha trocaram agressões e foram expulsos. Com nove jogadores em campo, a Seleção segurou o empate na prorrogação, em uma partida marcada por diversas oportunidades de ataque para os dois lados.
48 horas depois, as seleções voltaram a se enfrentar pelo jogo extra com muitas alterações. Ao todo, os tchecos vieram com cinco mudanças e o Brasil com nove. Em campo, a Tchecoslováquia abriu o marcador com Kopecký, no primeiro tempo. Porém, na segunda etapa, Leônidas da Silva apareceu mais uma vez e deixou tudo igual. Na sequência, Senecký teve um gol anulado, já que a arbitragem acusou que a bola não havia ultrapassado a linha, apesar do protesto dos europeus. Os vice-campeões do mundo partiram para cima, e deixaram espaço para a Seleção aproveitar os contra-ataques, conseguindo marcar o gol da classificação com Roberto, cinco minutos depois do empate.

Leônidas da Silva terminou como artilheiro da competição – Foto: Divulgação/FIFA
Sem a presença de Leônidas da Silva, o Brasil teve como adversária a atual campeã mundial, Itália. Tendo uma boa atuação do goleiro Walter, a partida foi para o intervalo sem gols. Entretanto, com seis minutos do segundo tempo, Gino Colaussi recebeu de Amadeo Biavati e abriu o marcador. Menos de dez minutos depois, Domingos da Guia caiu na provocação do atacante Silvio Piola e cometeu um pênalti infantil, seu terceiro na Copa. Na cobrança, Giuseppe Meazza marcou o segundo. Ainda deu tempo de Romeu descontar, após cobrança de escanteio de Lopes, mas era tarde demais e a eliminação brasileira estava consumada.
A confiança da Seleção na vaga na final era tanta que já havia um avião reservado de Marselha para Paris, no dia seguinte à semifinal. Entretanto, a CBD não abriu mão das passagens, e o Brasil viajou até a capital e teve que retornar para a cidade do sul da França de trem para a disputa do terceiro lugar.
Na partida contra a Suécia, uma virada com a estrela brasileira. Os suecos abriram o marcador com Jonasson, após bobeira de Brandão, e Nyberg ampliou. Ainda na primeira etapa, Romeu fez uma boa jogada e descontou. No começo da segunda etapa, Roberto foi derrubado na área e sofreu pênalti. Porém, Patesko desperdiçou a cobrança. Entretanto, apareceu Leônidas da Silva, que empatou após se antecipar em cruzamento de Romeu, e virou o jogo em chutaço de fora da área. Com isso, o atacante garantiu a artilharia do Mundial, com sete gols, e recebeu o apelido “Diamante Negro”. Ainda deu tempo de Leônidas dar passe para Perácio marcar o quarto e fechar o placar.
Com o terceiro lugar, a Seleção foi muito celebrada no retorno ao país, sendo chamada de “Reis do futebol” pelo Jornal dos Sports. No Mundial, a Itália se sagrou campeã ao bater a Hungria por 4 a 2 na final e se tornou a primeira bicampeã do torneio.
Goleiros: Batatais – Fluminense Walter – Flamengo
Zagueiros: Domingos da Guia – Flamengo Jaú – Vasco Machado – Fluminense Nariz – Botafogo
Meias: Afonsinho – São Cristóvão Argemiro – Portuguesa Santista Brandão – Corinthians Brito – America (RJ) Martim Silveira – Botafogo Zezé Procópio – Botafogo
Atacantes: Lêonidas da Silva – Flamengo Hércules – Fluminense Lopes – Corinthians Niginho – Vasco Luizinho – Palestra Itália Perácio – Botafogo Patesko – Botafogo Roberto – São Cristóvão Tim – Fluminense
Campeã: Itália Vice-campeã: Hungria Final: Itália 4 x 2 Hungria Artilheiro: Leônidas da Silva (Brasil) – sete gols Colocação do Brasil: 3º lugar (eliminado na semifinal) Resultados do Brasil: Brasil 6 x 5 Polônia | Brasil 1 x 1 Tchecoslováquia | Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia | Itália 2 x 1 Brasil | Brasil 4 x 2 Suécia
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