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·8 Juli 2026

Contratações do SPFC – Análise do Conselheiro Flávio Marques

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Entre janeiro de 2021 e abril de 2026 o São Paulo Futebol Clube contratou 60 (sessenta) atletas para a sua equipe de futebol profissional masculino, praticamente um atleta por mês ao longo de pouco mais de cinco anos. Desses, quarenta e dois já não faziam parte do elenco principal Tricolor na data de elaboração deste texto.

Este artigo pretende avaliar o nível de sucesso nessas contratações. O elo entre todos esses movimentos do SPFC no mercado foi o executivo de futebol Rui Costa, que assumiu o cargo em janeiro de 2021 e teve seus serviços dispensados no dia 20 de junho passado.

Os valores indicados de “investimento” foram todos obtidos no website transfermarkt.com, indicados em Euros e convertidos para Reais pela taxa de câmbio de venda, cotação do fechamento do último dia do mês da transação, e consideram apenas os valores pagos ao clube anterior que detinha os direitos do atleta. A coluna “Data da Saída” reflete o momento da primeira saída do profissional do elenco principal do SPFC, seja por empréstimo ou rescisão antecipada, ou ainda no vencimento, do contrato

A coluna “Status” indica a minha avaliação para cada contratação, e reflete uma situação de momento. Neste caso, a data da análise foi a segunda-feira, 22 de junho de 2026. O “Status” de uma contratação pode mudar com a variação de desempenho de um atleta ao longo do tempo em que ele permanece no Clube, ou ainda em função de alguma questão de comportamento. Para classificar uma contratação foram utilizados alguns critérios objetivos, como o número de jogos realizados, aparições no onze inicial, participações em gols (gols e assistências), ganho ou prejuízo financeiro entre a compra e a venda dos direitos, e outros subjetivos, como o desempenho em campo, a identificação com a torcida e a liderança positiva no grupo. 

As más contratações têm um impacto importante na situação financeira preocupante do São Paulo Futebol Clube. Muito além dos valores divulgados pelo pagamento de direitos econômicos a outras entidades esportivas, toda contratação envolve o pagamento de luvas e comissões para agentes. Nos cinco anos encerrados em dezembro de 2025, o Tricolor investiu R$ 374,9 milhões (trezentos e setenta e quatro milhões e novecentos mil reais) em contratações, valor registrado nos demonstrativos financeiros oficiais, sendo que a maioria foi anunciada com um fantasioso “custo zero”.

Os salários e direitos de imagem de jogadores que não renderam o esperado, e pouco entraram em campo, aumentam, e muito, o prejuízo decorrente dos “fracassos” em contratações. Vamos à lista.

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Relação das contratações do SPFC, período de janeiro de 2021 a abril de 2026

 Vamos analisar cada um dos grupos:

Fracasso

Para este estudo, “Fracasso” significa o desempenho do jogador não corresponder às expectativas geradas em sua contratação, não ter se firmado ao menos como opção de banco da equipe, ou ter saído do SPFC devido a questões comportamentais, dentro ou fora do local de trabalho. 

Qualquer atleta que chegou a disputar uma partida de Série A do Campeonato Brasileiro, ou de qualquer liga profissional, tem seus méritos técnicos. Uma contratação fracassada não significa que o profissional não saiba jogar futebol. Muitas vezes problemas pessoais, familiares ou de relacionamento no grupo impactam decisivamente o desempenho de um jogador. Vejamos a lista:

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Relação das contratações avaliadas como “FRACASSO”, SPFC, período de janeiro de 2021 a abril de 2026

Eu avalio 27 das contratações, quase a metade do total, como retumbantes fracassos. Foram investidos praticamente R$ 49 milhões apenas na aquisição dos direitos dos vinte e sete atletas aqui listados, sem retorno financeiro.

Talvez o maior exemplo de fracasso desta lista seja o caso do lateral direito Luis Orejuela. O São Paulo, em março de 2021, pagou a soma de R$ 13,4 milhões ao Cruzeiro por 50% dos direitos do jogador colombiano. Orejuela havia participado da campanha que resultou no rebaixamento do Cruzeiro em 2019, e em 2020 havia amargado o banco de reservas do Grêmio. Não havia nenhum mistério a respeito do potencial técnico do jogador. Orejuela assinou contrato com o SPFC válido até março de 2025, chegou à Barra Funda lesionado, o que atrasou sua estreia, nunca se firmou no time do São Paulo, nem como opção de banco, foi colocado em disponibilidade por Rogério Ceni no final de 2021. Esteve emprestado ao Grêmio, Athlético-PR, Ceará e por último no Independiente Medellin. Devolvido ao SPFC no final de 2024, com contrato ainda válido, foi colocado em disponibilidade, e ficou apenas treinando até expirar o vínculo, em 1º de março de 2025. Este é um caso exemplar de falta de desempenho esportivo e prejuízo financeiro, que poderia ter sido evitado pela diretoria.

No ano de 2024 se confirmaram os fracassos nas contratações de James Rodriguez e Giuliano Galoppo, entre outros.

James Rodriguez foi apresentado à torcida como sendo um grande craque, eleito o melhor jogador da primeira fase da Copa do Mundo de 2014 e artilheiro do torneio, e o grande destaque da seleção da Colômbia. Esqueceram de alertar, entretanto, que o atleta havia fracassado no Everton (ING), Al Rayyan (QAT) e Olympiacos (GRE), seus clubes antes de chegar ao Tricolor.

Nos doze meses em que permaneceu como atleta do SPFC, James atuou em 22 partidas, de um total de setenta e cinco jogos disputados pelo São Paulo no período, sendo que foi titular em apenas 11 ocasiões. Permaneceu em campo por 969 minutos, somadas todas as suas participações, marcou 2 gols e contribuiu com 4 assistências. Teve como treinadores Dorival Junior, Thiago Carpini e Luís Zubeldía, sem ter conseguido se firmar com nenhum deles. Deixou o São Paulo em setembro de 2024, tendo se transferido para o Rayo Vallecano, equipe em que também fracassou, e foi anunciado em 13 de janeiro passado como o novoreforço” do León, equipe da primeira divisão do México que disputará este ano a Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

O fracasso de James Rodriguez era facilmente previsível, bastando uma análise simples das estatísticas do jogador nas temporadas desde 2019. Preferimos ignorar as evidências objetivas e apostar em uma contratação de “grife”, jogador caro e com elevada probabilidade de fracasso.

Galoppo, anunciado como a maior contratação da história do São Paulo, ainda que os valores pagos ao Banfield nunca tenham sido oficialmente divulgados, chegou em julho de 2022 com a promessa de ser o meia armador que o time precisava. Teve atuações modestas como meia esquerda no Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana daquele ano, participando em 21 jogos na temporada, sete como titular. No Paulista 2023 jogou mais adiantado, aproveitou os adversários mais fracos, e se firmou como o artilheiro do time, com 8 gols marcados e duas assistências em 11 jogos. Infelizmente, uma contusão no joelho o tirou do resto da temporada. A expectativa da torcida, de que Galoppo pudesse ter uma boa campanha em 2024, se desfez logo nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista e da Libertadores, em virtude das más atuações do meio campo argentino nos dois torneios. Com a chegada de Zubeldía, e novas lesões no pé e joelho, o jogador praticamente não atuou mais na temporada. Galoppo deixou o SPFC na virada do ano 2025, com destino ao River Plate, em empréstimo sem custo e com valor dos direitos abaixo do que o Tricolor gastou na contratação. Fracasso.

Felipe Alves é um caso diferente nessa lista. Contratado junto ao Fortaleza, detentor de seus direitos, chegou para atuar como titular da equipe no Campeonato Brasileiro e na Sul-Americana 2022. Com a contratação de Rafael, entretanto, não aceitou a reserva, teve comportamento inadequado em relação ao grupo, e foi afastado do time pela comissão técnica. Fracasso.

Nikão chegou com grande expectativa após uma boa temporada pelo Athlético-PR, e até que teve um bom começo. Disputou 32 jogos em 2022, tendo começado como titular em 15 oportunidades, e teve participação em 4 gols da equipe. Com a queda significativa de rendimento no segundo semestre, porém, foi considerado fora dos planos para 2023 e emprestado ao Cruzeiro, de Belo Horizonte. Teve uma oportunidade para ressuscitar em 2024, quando foi escalado por Carpini como titular no jogo da Supercopa Rei. Teve uma atuação razoável na partida, mas, com a chegada de Zubeldía, voltou à condição de “dispensável” no elenco. Fracasso.

Jamal Lewis, lateral esquerdo da seleção da Irlanda do Norte, chegou em setembro de 2024, anunciado como o primeiro jogador britânico a defender o SPFC. No curto período em que permaneceu como atleta do Tricolor, Jamal chegou a ser preterido por jogadores como Sabino e Rafinha improvisados na lateral esquerda.

Oscar Emboaba foi o grande fracasso da temporada 2025. Vindo do futebol chinês, onde o número de partidas por ano é muito menor do que no atribulado calendário Sul-americano, Oscar pouco rendeu no Tricolor, e precisou abandonar a carreira no final do ano em função de problemas cardíacos. O jogador participou de 21 jogos pelo São Paulo em 2025, tendo iniciado 18 partidas entre os titulares, permanecendo 1.484 minutos em campo, marcou 2 gols e contribuiu com 5 assistências, muito pouco para um atleta que representava um dos maiores custos do elenco. Lesões impediram que o atleta, de indiscutível capacidade técnica, participasse em mais partidas. Tendo em vista a exigência física que marca as disputas do futebol brasileiro, a probabilidade de fracasso era grande, e se confirmou. Uma aposta de alto valor, com grande probabilidade de fracasso, resultou em uma grande perda financeira para o Tricolor, com pouquíssimo retorno esportivo.

Na “safra 2025” tivemos ainda o inexplicável retorno de Rigoni, lançado na conta de um pedido de Hernán Crespo, e atletas que passaram muito pouco tempo no tricolor como Mailton e Dinenno, sem justificar uma permanência mais longa. Cédric Soares, que estava livre no mercado, chegou com um contrato curto, de três meses, para um período de experiência. Após o período de avaliação, no qual já era possível perceber as limitações técnicas do lateral direito, o São Paulo ofereceu a renovação até o final de 2027. Cédric foi colocado em disponibilidade por Dorival Junior na volta da pausa para a Copa do Mundo, e agora os dirigentes do SPFC precisam conseguir uma equipe para onde o atleta possa se transferir, ou o prejuízo financeiro ficará totalmente para o Tricolor.

Dória, zagueiro, chegou em janeiro de 2026 e teve o contrato rescindido por comum acordo em maio deste ano. O atleta, que colecionou más atuações nas poucas oportunidades que teve para jogar, não aceitou se sujeitar a ameaças e ofensas a membros de sua família, e pediu o encerramento do vínculo. Aqui é preciso destacar que críticas ao desempenho esportivo não podem extrapolar os limites da avaliação profissional, e jamais justificar ações de violência, física ou mesmo verbal, contra o jogador ou seus familiares. Eu me solidarizo com a pessoa de Matheus Dória no campo pessoal. A contratação, entretanto, se mostrou um fracasso.

Os demais quatorze jogadores da lista apareceram poucas vezes em campo com a camisa Tricolor, e não merecem grande destaque. São contratações fracassadas, pois não conseguiram nem mesmo se firmar como opção de banco. Com a nossa base de Cotia formando jogadores de qualidade todos os anos, não tem sentido que uma Instituição como o SPFC gaste recursos para contratar jogadores de fora, que não venham para disputar a vaga de titular.

Decepcionando

Incluo nesta classificação os jogadores que chegaram com grande expectativa, mas que seguem no elenco e ainda não confirmaram a condição de titulares.

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Relação das contratações avaliadas como “DECEPCIONANDO”, SPFC, janeiro de 2021 a abril de 2026

Wendell veio do Porto, de Portugal, com o status de jogador de seleção brasileira. Desde que chegou ao Tricolor, Wendell participou de 47 partidas das 98 que o SPFC jogou desde que ele foi contratado, sendo que entrou em 28 como titular, e contribuiu com cinco assistências. Esteve em campo em menos da metade dos jogos do time desde que chegou, e foi titular em pouco mais de um quarto das partidas. Wendell tem subido de produção desde a chegada de Dorival Junior, e fica a expectativa que possa reverter essa situação de “decepcionando” nas próximas avaliações.

Cauly foi outro que chegou com muita expectativa. As informações diziam que Rogério Ceni, treinador do Bahia, havia se posicionado fortemente contra a cessão do meia atacante. Esteve em campo em 20 dos 25 jogos do São Paulo desde sua chegada, sendo em 12 oportunidades como titular, e marcou um gol pelo time. O desempenho do jogador não tem sido destaque, e a torcida não se empolga com suas atuações. Até o momento, o status mais adequado é o de “decepcionando”.

Pouco tempo para avaliar

Enquadramos aqui os atletas que chegaram nesta temporada, com exceção de Dória que já teve o vínculo rescindido. Vejamos a lista:

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Relação das contratações avaliadas como “POUCO TEMPO”, SPFC, janeiro de 2021 a abril de 2026

Danielzinho teve um ótimo começo, mas, com a saída de Crespo e a lesão de Marcos Antonio, seu desempenho no campo caiu muito. Esperemos que ele volte às boas atuações após a pausa para a Copa do Mundo. Lucas Ramon e Artur se firmaram como titulares absolutos, e ganharam a confiança da torcida. Essas três contratações dão indícios que se confirmarão como sucessos, porém, ainda é muito cedo para fazer uma afirmação como essa.

Carlos Coronel, goleiro, é uma contratação difícil de entender para quem observa de fora. Coronel não ameaçou a titularidade de Rafael, esteve em campo em apenas duas oportunidades, dois jogos como visitante na fase de grupos da Sul Americana, sem comprometer, mas sem destaque. A chegada de Coronel, entretanto, praticamente eliminou qualquer oportunidade que Young pudesse ter no SPFC, a ponto do goleiro formado em Cotia ter sido dispensado de reapresentação para a sequência da temporada. Estamos dispensando, sem receber compensação financeira, um goleiro de 2,02 m de altura, com potencial para jogar na Europa

Teremos um novo Lucas Perri? Perri passou por situação semelhante no São Paulo, esteve emprestado no Náutico, foi transferido por um valor baixíssimo para o Botafogo, aproximadamente R$ 2 milhões, que o transferiu para o Lyon, com lucro, e este o negociou finalmente com o Leeds United, da Premier League inglesa, por um valor 45 vezes maior do que o Tricolor recebeu. Perri é destaque do time do norte da Inglaterra, e registra em sua carreira convocações para a seleção brasileira na disputa das eliminatórias da Copa do Mundo 2026. Erraremos de novo?

Neutros

Aqui eu classifiquei jogadores que cumprem, ou cumpriram, seu papel de forma compatível com as expectativas e o investimento feito, apresentando desempenho de razoável para bom, contribuindo de alguma forma para os resultados obtidos pela equipe, mas que não tiveram grande destaque, não empolgaram a torcida, nem se mostraram essenciais para o time. Vamos à lista:

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Relação das contratações avaliadas como “NEUTRAS”, SPFC, janeiro de 2021 a abril de 2026

Este grupo, composto por dezessete atletas, representa o maior montante de investimento do SPFC na aquisição de direitos, com aproximadamente R$ 131,2 milhões gastos.

Patrick, meia atacante, e Gabriel Neves, médio volante, tiveram boas fases no time do São Paulo, e em outras janelas temporais poderiam ter sido classificados como “sucesso”. Patrick foi afastado e transferido para o Atlético-MG após discutir com Rogério Ceni em uma partida contra o Fluminense, e Gabriel Neves não repetiu com Dorival o mesmo futebol que apresentou em 2022 sob o comando de Ceni, e, na virada de ano 2024, foi emprestado ao Independiente da Argentina. A ausência deles nunca foi lamentada pela torcida.

Jandrei, após um período como titular assim que chegou, se firmou como primeira opção de banco, ocupando uma vaga que poderia ser de Young, um goleiro “gigante”, ficando no Tricolor até se transferir para o Juventude, onde participou da campanha de descenso do time da serra gaúcha. David voltou ao Internacional, após o término do seu empréstimo, pois o São Paulo não exerceu a opção de compra, e Michel Araújo foi vendido ao EC Bahia, em janeiro de 2025, por valor superior ao que o tricolor havia investido em sua aquisição, um caso raro nos últimos cinco anos.

Caio Paulista poderia ser classificado como “sucesso”, não fossem as circunstâncias de sua saída, que queimaram a imagem do jogador junto à torcida. Por ter contribuído bem na temporada 2023 eu o classifico como “neutro”. Alisson também teve muita oscilação de desempenho, tendo chegado como atacante destacou-se como médio volante na conquista da Copa do Brasil 2023. Após a saída de Dorival Junior, o desempenho de Alisson caiu muito. Entre idas e vindas, altos e baixos, classifico a sua contratação como “neutra”.

O veterano zagueiro Miranda, o meia armador Benitez e o meia atacante Rigoni (na primeira passagem) se enquadram na definição da contratação “neutra”. Cumpriram seu papel, dentro do esperado, com alguma oscilação no caso de Rigoni, e saíram sem alarde.

Ferraresi foi emprestado ao Botafogo, com o valor do passe fixado em R$ 36 milhões (EUR 6 milhões) caso o time da Estrela Solitária exerça a opção de compra, mas já existem especulações sobre uma possível troca com Newton, volante do time carioca. As negociações estão em andamento.

Os jogadores dessa lista que permanecem na equipe, Ferreirinha, André Silva, Tápia e Toloi, são reservas com boa frequência de aparição nos jogos, e têm cumprido o que se espera deles, mas sem destaque na equipe. No jargão futebolístico, podemos dizer que são atletas para compor o elenco.

Mais uma vez aqui destaco que uma contratação “neutra” pode ter o efeito de retardar a promoção ou o desenvolvimento de jogadores formados na base. 

Quanto a presença de Toloi, zagueiro veterano, pode estar limitando o aproveitamento de Osório e Isac? Se Ferreirinha, ponta habilidoso, não estivesse no elenco, William Gomes teria mais oportunidades para se desenvolver no Tricolor e se valorizar ainda jogando no Brasil? Nunca saberemos.

O São Paulo deveria usar seus recursos na contratação de jogadores que venham com potencial para assumir a titularidade. Para compor elenco devemos priorizar os atletas formados em Cotia.

Sucesso

Aqui classificamos os jogadores que chegaram para assumir uma vaga de titular indiscutível, que tiveram participação essencial nas campanhas do time, ou ainda que excederam as expectativas da época de sua contratação. Vejamos os nomes:

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Relação das contratações avaliadas como “SUCESSO”, SPFC, janeiro de 2021 a abril de 2026

Calleri é o nosso artilheiro dos gols decisivos, ídolo da torcida e titular indiscutível. Sucesso até aqui. Faço, entretanto, a ressalva de que não devemos aceitar condições fora da realidade do Clube para renovação do contrato do centroavante.

Rafinha, veteraníssimo, se destacou por ser um líder positivo no elenco, exerceu um papel importante durante a campanha da Copa do Brasil, e durante todo o período em que teve vínculo com o SPFC. Desligou-se ao final do contrato por não ter chegado a um acordo sobre renovação. Rafael chegou, assumiu o posto de titular do gol Tricolor, e conquistou a confiança da torcida, ainda que com ressalvas, chegando a ser convocado para a seleção brasileira.

Wellington Rato foi uma das contratações mais criticadas do São Paulo, pela idade, pelo histórico “nômade” em times pequenos, por fazer parte do elenco de um time rebaixado. Chegou em janeiro de 2023 e participou de 64 jogos em sua primeira temporada, tendo iniciado 46 desses jogos como titular. Marcou 5 gols, entre os quais gols decisivos contra o Ituano e o Corinthians na Copa do Brasil, e anotou 10 assistências. Foi, sem qualquer dúvida, um dos atletas mais importantes do SPFC em 2023. Sucesso absoluto. Transferiu-se ao Vitória-BA em janeiro de 2025, tendo sido negociado por um valor supostamente abaixo do qual havia sido contratado do Atlético-GO, apesar do bom desempenho e conquistas com o São Paulo.

Lucas Moura chegou em agosto de 2023, para uma permanência curta até o final daquele ano. Disputou 19 partidas, sendo escalado em 15 oportunidades no time titular em sua primeira temporada no SPFC. Marcou três gols, sendo um deles contra o Corinthians na semifinal da Copa do Brasil, e demonstrou muita velocidade e habilidade diferenciada. Com o bom desempenho, e por estar bem ambientado, aceitou uma proposta para renovar o seu contrato até o final de 2026. 

Lucas tem identificação com a torcida, pela trajetória vencedora, e com os jovens do elenco, por ter tido parte de sua formação desenvolvida no SPFC. Seguiu como líder e destaque técnico da equipe em 2024, mas teve uma lesão séria no joelho que praticamente o afastou da temporada 2025. Seu retorno aos campos nesta temporada foi marcado por novas lesões graves e longos períodos afastado do elenco. Sendo um jogador de salário alto, já próximo da fase final de sua carreira, o SPFC deve avaliar com muito cuidado se deve, ou não, fazer uma oferta para renovação do contrato de Lucas. Eu avalio que a melhor opção é deixá-lo livre para encerrar a carreira em algum mercado emergente como o norte americano ou asiático, onde será mais bem remunerado e terá uma exigência física menor.

Alan Franco veio em janeiro de 2023, contratado junto ao Atlanta United, equipe da Major League Soccer (MLS), classificado em 11º lugar na Conferência leste Norte Americana, somando apenas 40 pontos em 34 jogos (39% de aproveitamento), titular da zaga que sofreu 54 gols, média de 1,6 gols sofridos por jogo. Um desempenho bem fraco. Nos primeiros meses atuou bastante sob o comando de Rogério Ceni, mas foi perdendo espaço no time enquanto Dorival Junior comandava a equipe. Com as saídas de Diego Costa, no meio de 2023, e Beraldo, no final daquele ano, e, principalmente com a chegada de Zubeldía em 2024, Alan Franco se firmou como titular do São Paulo e vem apresentando desde então ótimo desempenho, configurando-se em um improvável caso de “sucesso”.

Sabino veio do Sport Recife sem expectativas, foi ganhando a confiança da torcida com atuações seguras, e hoje pode ser considerado um titular da equipe. Ótima relação custo x benefício, sendo avaliado por mim como outro “sucesso” inesperado.

Bobadilla cresceu muito de desempenho sob comando de Hernán Crespo, já participou de 115 jogos pelo Tricolor Paulista, contribuindo com 10 gols e 8 assistências no período. O volante está disputando a Copa do Mundo 2026 com bom desempenho, e existe uma probabilidade elevada que seja negociado na próxima janela de transferências.

Marcos Antonio demorou um pouco para se firmar no time, mas indiscutivelmente pode ser considerado como o “motor” da equipe na temporada 2025, e chegou a participar de uma lista de pré-convocados para a Copa do Mundo. Com o bom desempenho despertou o interesse do Flamengo, e é outro jogador que pode deixar o time na próxima janela, com bastante valorização.

Enzo Dias é um lateral esquerdo com características mais defensivas do que de apoiador. Encaixa melhor no esquema com linha de quatro defensores do que no sistema com três zagueiros, e assumiu a titularidade desde os primeiros jogos pela equipe, deixando Wendell no banco. Veio sem expectativa em uma negociação que envolveu o empréstimo, e depois a transferência definitiva, de Galoppo para o River Plate. Contratação modesta, mas eficiente. Sucesso.

Quanto custam os “Fracassos”

Os valores pagos pela aquisição de direitos dos atletas são apenas uma parte do custo total de um atleta profissional para o SPFC. As despesas de folha de pagamento, incluindo salários, encargos sociais, benefícios e prêmios, e a parte paga na forma de direitos de imagem, normalmente custam mais para o Clube do que os direitos federativos e econômicos de um jogador. Não existe o jogador que vem de graça. Mesmo se não houver custo de transferência, o SPFC arca com todas as obrigações do contrato profissional do atleta.

No período de 2021 a 2025, os demonstrativos financeiros oficiais do Clube mostram os valores para a folha salarial e direitos de imagem consolidados da unidade de futebol profissional e de base. Como não há detalhes sobre o valor da folha salarial e direitos de imagem exclusivamente do elenco de jogadores profissionais, estimei que os atletas do elenco principal masculino representam 70% do custo total de folha e imagem contabilizados na unidade de negócios futebol profissional e de base.

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Despesa com folha de pagamento e direitos de imagem, atletas do SPFC, 2021 a 2025

Para obter uma média de custo mensal por jogador adotei uma estimativa de 40 atletas no elenco profissional.

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Custo médio mensal unitário, elenco profissional do SPFC, 2021 a 2025

Para uma estimativa bem conservadora e simplificada, adotarei como média de custo mensal por atleta, no período de 2021 a 2026, o valor de R$ 451 mil, calculada como média aritmética simples dos valores acima.

A tabela da figura 2, contratações fracassadas, mostra vinte e sete atletas, com suas datas de chegada e a primeira saída do elenco do Tricolor. A somatória dos meses em que esses jogadores receberam salários do SPFC é igual a 280, isto é, em média, cada um desses jogadores passou 10,37 meses no São Paulo antes da dispensa.

O custo de manter nesses jogadores no elenco foi, portanto:

27 jogadores x 10,37 mês (em média) x R$ 451.000 (custo médio) = R$ 126 milhões

Somando-se a essa estimativa conservadora das despesas, o valor de investimento que consta no site Transfermarkt, temos:

Investimento: R$ 49 milhões + Despesas Operacionais: R$ 126 milhões

=> Gasto total do SPFC com esses 27 atletas: R$ 175 milhões

Essa é uma estimativa bastante conservadora do prejuízo causado por más contratações na atual gestão. Para um Clube que tem um alto endividamento, a diretoria deveria avaliar melhor as contratações, mitigando os riscos de fracassos.

Idade na data de contratação

Apenas 14 dos 60 contratados chegaram ao Morumbi com vinte e quatro anos de idade ou menos, enquanto 21 se encontravam na faixa de 30 anos e acima.

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Idade na data de contratação, atletas profissionais do SPFC, janeiro de 2021 a abril de 2026

No mercado do futebol, atletas com mais de 26 anos praticamente não têm demanda nas principais equipes da Europa, inviabilizando o ganho de capital de qualquer jogador que chegue ao São Paulo já próximo dessa idade.

Financeiramente, Bobadilla e Marcos Antonio, que chegaram ao SPFC com 24 anos, ou menos, de idade, estão no limite para que possam ser negociados com lucro pelo Tricolor. Se não forem negociados agora, seu valor diminuirá nas próximas janelas de transferência. É necessário fazer uma análise financeira, mas também técnica e tática, para avaliar qual o prejuízo esportivo caso o time perca esses dois importantes jogadores. As decisões no futebol são complexas, e jamais podemos subestimar os riscos de um ultracompetitivo Campeonato Brasileiro da série A.

A literatura científica especializada define a faixa etária entre os 24 e os 27 anos como o auge de capacidade física de um jogador de futebol, em termos de velocidade, explosão e resistência. A partir dessa idade se inicia um período de declínio da capacidade atlética dos indivíduos. A metade dos contratados, 30 entre 60, já chegou ao Clube na fase de declínio físico.

Esses fatos mostram que a estratégia de trazer jogadores já com mais experiência traz riscos embutidos. Declínio físico ao final das partidas, maior propensão a lesões e maior tempo de recuperação dos lesionados são fatos que observamos no time do São Paulo dos últimos anos. Não se pode colocar a culpa na preparação física, ou no departamento médico, se a raiz do problema está em um elenco com elevada média de idade.

A lenda do “jogador que vem de graça”

Não existe o jogador que vem de graça. Mesmo que não sejam pagos direitos para o clube de origem do atleta, existe sempre um valor de luvas contratuais e taxas de intermediação que são contabilizadas como custo de contratação. Nossos demonstrativos financeiros dos últimos cinco anos mostram os seguintes números de investimento anual em contratações.

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Investimentos do SPFC na contratação de atletas, 2021 a 2025

Entre 2021 e 2025 o SPFC investiu praticamente R$ 375 milhões em contratações de atletas profissionais. Os valores relativos ao ano de 2026 serão publicados apenas no próximo ano. O que vemos é que o SPFC não deixou de investir nesses anos de dificuldade financeira, apenas mudou a forma de fazê-lo, concentrando os valores em luvas e taxas de intermediação, e não em direitos pagos a outras agremiações.

Conclusão

Ainda que exista um grau de subjetividade nas classificações, o percentual de contratações de sucesso foi muito baixo nesses últimos quatro anos. Uma estrutura profissional composta por um Diretor Executivo de Futebol, um Coordenador Técnico, equipes de análise de desempenho e análise de mercado, além do treinador do time principal, não pode se contentar com uma taxa de sucesso de 1 jogador a cada 6 contratados. O panorama fica ainda pior se pensarmos que Calleri e Lucas foram praticamente pedidos da torcida, e não exatamente uma escolha racional dos responsáveis pela equipe.

Os milhões de reais gastos em 27 contratações fracassadas, entre o valor dos direitos, comissões, luvas, salários, encargos, direito de imagem, prêmios e outros benefícios poderiam ter sido canalizados para trazer 4 ou 5 jogadores de alto nível, que fariam a diferença. A diretoria, contudo, preferiu contratar em grande quantidade, incluindo alguns jogadores fraquíssimos como Cédric Soares e Juan Dinenno, para citar exemplos recentes, e não visando à qualificação do elenco.

Essa é a minha opinião. E você, leitor, o que pensa?

Flavio Marques                                    30/06/2026

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