Jornal do Fla
·1 Agustus 2026
Datafolha: Flamengo amplia vantagem sobre Corinthians e já tem nos ‘sem time’ seu maior rival nacional

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·1 Agustus 2026

O Flamengo não apenas segue com a maior torcida do Brasil: o clube abriu a maior vantagem recente sobre o Corinthians e chegou a um cenário simbólico em que nenhum outro time aparece tão próximo quanto o grupo de brasileiros que declara não torcer por clube algum. Na nova pesquisa Datafolha de julho de 2026, o Rubro-Negro alcançou 22%, contra 14% do time paulista (segundo colocado), uma distância de oito pontos percentuais. Já os “sem time” também registraram 22%.
O resultado muda a dimensão da liderança rubro-negra. Durante anos, a discussão girou em torno de Flamengo e Corinthians como duas forças nacionais relativamente próximas.
Agora, a fotografia é diferente: o clube carioca se descola do maior concorrente e passa a dividir o topo apenas com um grupo que, por definição, não representa escudo, camisa ou rivalidade esportiva.
A evolução da distância para o segundo colocado é um dos dados mais expressivos da série recente do Datafolha.
Em 2018, o Flamengo aparecia com 18% da preferência nacional, enquanto o Corinthians tinha 14%. A diferença era de quatro pontos percentuais e ainda permitia uma leitura de maior equilíbrio, especialmente quando considerada a margem de erro.
Nos levantamentos seguintes, porém, a vantagem rubro-negra começou a se consolidar. Em 2019, o placar passou a 20% contra 14%. Em 2023, o Flamengo chegou a 21%, enquanto o Corinthians registrou 15%. Em 2024, houve uma oscilação para 19% a 14%.
Agora, em 2026, o Flamengo alcançou 22%, seu maior número publicado na sequência, enquanto o Corinthians permaneceu em 14%. A distância chegou a oito pontos percentuais, exatamente o dobro da registrada em 2018.
Não se trata apenas de uma liderança mantida. Trata-se de uma liderança que se tornou mais larga enquanto o principal perseguidor permaneceu praticamente estacionado.

Foto: Lucas Figueiredo/Getty Images
O contraste entre os dois clubes ajuda a explicar o novo cenário.
Nas cinco pesquisas realizadas desde 2018, o Corinthians oscilou somente entre 14% e 15%. O Flamengo, por sua vez, saiu de 18% e entrou de forma recorrente na faixa dos 20%, chegando agora aos 22%.
Essa diferença de trajetória é mais importante do que uma análise isolada do último levantamento. O Flamengo conseguiu elevar seu patamar numérico, enquanto o Corinthians não apresentou movimento semelhante.
Naturalmente, pesquisas de opinião possuem margem de erro, e a passagem de 19% em 2024 para 22% em 2026 não deve ser tratada como prova definitiva de crescimento estatístico. Ainda assim, o fato central permanece: o Flamengo atingiu seu maior percentual publicado e abriu a maior distância recente para o segundo colocado.
A vantagem de oito pontos também supera os seis pontos registrados em 2019 e 2023 e os cinco de 2024. A disputa entre os dois maiores contingentes clubísticos do país, portanto, está menos apertada do que esteve em qualquer outro momento desta sequência.
Se o Corinthians ficou para trás, quem aparece ao lado do Flamengo no topo é um grupo sem identidade clubística declarada.
Os brasileiros que afirmam não torcer por nenhum time somam 22%, mesmo percentual do Flamengo. Esse empate produz uma das leituras mais provocativas da pesquisa: nenhum clube brasileiro consegue hoje se aproximar numericamente da torcida rubro-negra tanto quanto os “sem time”.
O dado não significa que Flamengo e desinteresse pelo futebol sejam fenômenos equivalentes. A pergunta sobre preferência clubística não mede necessariamente acompanhamento de partidas, consumo de conteúdo ou intensidade emocional. Uma pessoa pode se declarar flamenguista e assistir pouco futebol; outra pode acompanhar o esporte sem adotar um clube.
Ainda assim, o paralelo é revelador.
De um lado, está a maior identidade esportiva do país, construída por gerações, transmissões nacionais, herança familiar, conquistas e presença cultural. Do outro, um contingente igualmente numeroso de brasileiros que não se associa a escudo algum.
Entre esses dois polos, todos os outros clubes ficam distantes. Um bom exemplo é que, somadas, as torcidas de Palmeiras (7%), São Paulo (6%), Cruzeiro (4%) e Vasco (3%) têm 20% da preferência da população, ou seja, os três juntos não igualam o Flamengo.
Foto: Wagner Meier/Getty Images
A comparação não nasceu em 2026. Ao longo das pesquisas recentes, Flamengo e “sem time” já vinham protagonizando uma disputa numérica particular.
Em 2018, os “sem time” lideravam por 22% a 18%. Em 2019, a diferença caiu para 22% a 20%. Em 2023, o Flamengo passou à frente, com 21% contra 19%. No ano seguinte, o grupo sem clube retomou a dianteira, com 23% a 19%. Agora, ambos aparecem com 22%.
Essa alternância reforça uma conclusão: o Flamengo já se tornou grande demais para ter apenas outro clube como referência de comparação. Sua escala nacional permite que o debate avance para uma disputa mais ampla, envolvendo a própria capacidade do futebol brasileiro de criar e preservar vínculos.
O Rubro-Negro lidera entre os clubes. O desafio seguinte é ampliar sua presença sobre uma parcela da população que ainda não escolheu lado.
A força da torcida do Flamengo está ligada principalmente à sua capacidade de ultrapassar fronteiras regionais. Em 2026, o clube aparece com 29% no Nordeste e 34% no bloco formado por Norte e Centro-Oeste. No Sudeste, registra 16%, e no Sul, 11%.
É fora da região de origem que a vantagem nacional se torna decisiva.
Enquanto concorrentes mantêm bases muito fortes, mas mais concentradas territorialmente, o Flamengo consegue reunir torcedores em regiões diferentes, muitas vezes distante do Rio de Janeiro. Isso ajuda a explicar por que o clube amplia a distância para o Corinthians mesmo sem liderar numericamente o Sudeste no levantamento.
A torcida rubro-negra funciona como uma rede nacional, e não apenas como uma força local expandida.
Essa característica também reduz a dependência de ciclos esportivos imediatos. Títulos podem aumentar exposição, mobilização e orgulho, mas a preferência clubística é construída no longo prazo. Ela atravessa temporadas ruins, eliminações e mudanças de comando.
O dado de 2026 é um exemplo disso. O Flamengo alcança seu maior percentual publicado mesmo em um ambiente de oscilação esportiva e de redução do interesse geral dos brasileiros pelo futebol.
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A presença de 22% de pessoas sem time também deve acender um alerta para todo o mercado esportivo.
O Datafolha apontou queda do interesse geral pelo futebol entre 2023 e 2026. Ao mesmo tempo, o Flamengo preservou e até ampliou numericamente sua identificação nacional.
Isso sugere que o clube pode estar conseguindo proteger sua marca em um ambiente menos favorável ao esporte. Enquanto parte da população se distancia do futebol, o vínculo rubro-negro permanece resistente.
A provocação, portanto, é dupla.
O Flamengo abriu oito pontos para o Corinthians e não tem hoje um clube que ameace sua liderança de forma próxima. Mas o empate com os “sem time” mostra que o próximo território de crescimento talvez não esteja na disputa direta com Palmeiras, São Paulo, Vasco, Cruzeiro ou qualquer outro adversário tradicional.
O maior espaço disponível está entre aqueles que ainda não escolheram um clube.
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