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·8 Juli 2026
Dia 28: Haissem Hassan, o homem que sentou os campeões do mundo sem olhar para trás

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·8 Juli 2026

Numa altura em que o futebol se torna cada vez mais mecanizado e, de certa forma, «sem sal», ainda existem alguns bravos guerreiros que desafiam o meta e as táticas planeadas ao pormenor no Excel.
Jogadores como Ricardo Quaresma, que penteava a bola da maneira que entendesse e não tinha medo de arriscar o drible, o um para um, o remate de meia-distância ou a irreverente «cueca». É precisamente nesse perfil de «artista de rua» que Haissem Hassan se enquadra: um disruptor nato, capaz de deixar os treinadores mais puristas de mãos na cabeça, mas que faz os adeptos levantarem-se das cadeiras.
Nascido em França, ali fez toda a sua formação e chegou a representar as seleções jovens gaulesas em várias ocasiões. Contudo, em março de 2026, o extremo tomou a decisão de representar a seleção nacional do Egito, uma mudança que redefiniria o rumo da sua carreira internacional.
O seu trajeto no futebol sénior começou a desenhar-se em 2020 quando, com apenas 18 anos, trocou o Châteauroux pelo Villarreal B, num negócio avaliado em dois milhões de euros. Após algumas épocas sem conseguir o espaço desejado no Submarino Amarillo, e com dois empréstimos pelo meio para ganhar estofo, rumou ao Real Oviedo. Nos Carbayones, assumiu-se como peça-chave na caminhada rumo à La Liga em 2024/25, rubricando 44 jogos, quatro golos e quatro assistências.
Na temporada de 2025/26, apesar do desfecho cruel que ditou a despromoção do Oviedo, Hassan voltou a remar contra a maré. Consolidou-se como o segundo melhor assistente da equipa e provou que o seu futebol não vive apenas de floreados. O comprometimento defensivo também saltou à vista, registando uma eficácia de 67 por cento nos desarmes (26 bem-sucedidos).
Esta consistência valeu-lhe o bilhete dourado para o Campeonato do Mundo de 2026, uma recompensa audaz para quem somava apenas duas internacionalizações pelos Faraós. Depois de uma fase de grupos discreta e de sair do banco apenas nos 16 avos de final, o destino reservou-lhe o palco perfeito. Foi no fatídico encontro diante da Argentina que o mundo parou para o ver jogar.
Aos 60 minutos, conduzindo com a magia do seu pé esquerdo pela ala direita, o extremo deixou dois defesas argentinos pregados ao relvado, fletiu para o meio com uma verticalidade desnorteadora e serviu Salah, que assistiu Zico para aquele que seria o segundo golo da partida. Um lance soberbo que acabou travado pelo VAR devido a uma suposta falta no início da jogada, muito contestada pelos egípcios.
Não baixou os braços e, uns escassos dez minutos depois, voltou a ativar os turbos. Deixou mais um internacional argentino para trás com facilidade e cruzou rasteiro para o coração da área. Zico voltou a aparecer no sítio certo para fuzilar as redes. Desta vez não houve qualquer irregularidade que o VAR pudesse apontar.
A exibição tem feito furor nas redes sociais, com adeptos de vários clubes a destacar o seu valor de mercado de três milhões de euros e a acessível cláusula de rescisão de apenas 12 milhões. Com apenas 24 anos, o extremo do Oviedo — clube recém-despromovido à segunda divisão — promete agitar o mercado de verão em Espanha. Além disso, o seu talento renova as esperanças da nova geração do Egito, que se prepara para a despedida a curto/médio prazo da superestrela Mo Salah.







































