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·5 Juni 2026
Diogo Dalot: «Vamos lutar pelo Diogo Jota, ele queria ver Portugal campeão do mundo»

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·5 Juni 2026

Na primeira pessoa, através da plataforma The Players' Tribune, Diogo Dalot partilhou uma perspetiva sobre o seu percurso no futebol.
O lateral-direito português recordou os momentos de isolamento em Inglaterra, o impacto de Milão, as lições de Cristiano e a ambição de vencer o Mundial por Diogo Jota.
A mudança para Manchester SURGIU inesperadamente em 2018, quando Dalot tinha 19 anos e disputava a sua primeira época sénior pelo FC Porto, onde conquistou o campeonato. José Mourinho, que o havia observado num jogo da Liga dos Campeões contra o Liverpool, ligou-lhe diretamente e pediu que se mudasse para Inglaterra.
«Paraste o melhor extremo do mundo. Agora vem jogar para mim», disse-lhe o técnico, referindo-se à exibição do jovem defesa na marcação a Sadio Mané. Contudo, dias após o contacto, Dalot sofreu uma rotura no menisco lateral que o obrigava a uma paragem de cinco meses.
Com o negócio em risco, apenas uma nova chamada de Mourinho travou as dúvidas. «Estou a contratar-te para os próximos dez anos», assegurou o técnico.
A adaptação a Inglaterra sofreu um duro revés ao fim de três meses, com a demissão de Mourinho. Sob o comando de uma nova equipa técnica e com a contratação de outro lateral no verão seguinte, Dalot perdeu espaço, chegando a fazer apenas 11 jogos numa temporada completa.
Sem espaço nas escolhas e fisicamente apto, o defesa recorda «a vergonha» de se sentar na tribuna presidencial e ouvir os adeptos perguntarem por que razão não jogava. Para evitar o confronto, começou a refugiar-se sozinho no balneário a ver os jogos pela televisão.
«Eu jogava no FC Porto. Eu era considerado um dos grandes talentos. Agora nem sequer estou no banco. Estou a desperdiçar os meus anos», pensou o defesa, assolado pela frustração.
O empréstimo ao AC Milan, na época 2020/21, surgiu como o ponto de viragem necessário. Em Itália, Dalot deparou-se com uma cultura de exigência máxima personificada em duas figuras de peso: Paolo Maldini e Zlatan Ibrahimović.
Maldini acompanhava todos os treinos de perto, independentemente das condições meteorológicas, sempre vestido de fato. Já Ibrahimović, mesmo aos 40 anos e a regressar de paragens longas por lesão, entrava nos duelos de treino com agressividade máxima.
«Não venhas para aqui estragar o meu treino», avisava o avançado sueco. Dalot sublinhou o impacto desse ambiente na sua mentalidade: «Se desses apenas 99 por cento, estavas tramado.» Foi em Itália que se voltou a «sentir jogador de futebol».
Após garantir o regresso do Milan à Liga dos Campeões, Dalot seguiu para o Europeu de Sub-21, na Hungria e na Eslovénia, onde Portugal acabou por perder a final. Três dias mais tarde, já de férias no Dubai com a namorada, recebeu uma chamada de emergência que o avisara que teria de viajar de imediato para colmatar uma vaga de última hora na Seleção A.
«Eu nunca tinha jogado pela Seleção principal. Estava muito ansioso», admitiu. Foi no balneário do Euro 2020 que conheceu pessoalmente Cristiano Ronaldo, estabelecendo o primeiro contacto com o seu «ídolo».
O lateral conta que chegou a pensar mudar-se em definitivo para Milão, mas uma mensagem mudou tudo. «Miúdo, fica. Eu vou voltar para Manchester.» O aviso enviado por Cristiano alterou a trajetória do português e tirou-lhe todas as dúvidas.
A ligação iniciada na Seleção estreitou-se meses mais tarde, quando passou a partilhar o balneário do clube com o capitão. «Foi nessa época ao lado do Cristiano que comecei realmente a crescer como jogador e como pessoa», afirmou o lateral, que passou a observar de perto a ética de trabalho do avançado.
«Noutra ocasião, estávamos a almoçar antes de um jogo com o Young Boys para a fase de grupos da Liga dos Campeões e ele disse que estava nervoso. O homem já tinha conquistado cinco títulos da competição. Mas queria tanto ganhar o sexto. Achei sinceramente que estava a brincar. Depois olhei para baixo, a perna direita dele estava a tremer debaixo da mesa», contou o lateral.
O português ainda voltou a ressaltar o compromisso do capitão: «Para mim, é completamente absurdo que alguém sequer discuta se ele deve ou não estar num Campeonato do Mundo. Corre como corria aos 22 anos? Não. Marca praticamente um golo por jogo? Sim. Torna todos os que estão à sua volta melhores? Sim. O homem tem 41 anos.. Não precisa de estar ali, a competir ao lado de jogadores que podiam ser seus filhos. Mas continua lá. E sempre que falas com ele, sais um pouco mais sábio.»
Esta forte cumplicidade fez mudar o compromisso de Dalot. Deixou de «trabalhar o máximo possível» e passou a cuidar também do «mental»: «Passei a querer manter-me no melhor estado possível, tanto mental como fisicamente. E no United, acreditem, o jogo mental é o mais difícil de todos.»
O momento mais duro do relato foca-se no plano pessoal e humano, ao recordar a morte trágica do colega de equipa e de seleção Diogo Jota.
Dalot treinava sozinho em Portugal quando recebeu a notícia. «Mesmo quando a morte dele foi confirmada, parecia-me demasiado cruel para ser verdade», confessou o jogador, lembrando que poucas semanas antes haviam estado a festejar juntos a conquista da Liga das Nações.
Esta perda profunda acabou por se transformar na sua maior força. Dalot revelou que alimenta a esperança viva de vencer o Mundial como a derradeira homenagem. «Acho que tudo o que podemos fazer é perseguir o sonho dele. Ele queria desesperadamente ver Portugal tornar-se campeão do mundo. Não vamos lutar apenas pelo nosso país. Vamos lutar pelo Diogo», garantiu, concluindo com a ideia de que o Manchester United vai voltar a vencer.







































