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·8 Juni 2026
Direitos TV: a Liga construiu uma fórmula para enfraquecer o Benfica

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A Liga aprovou esta segunda-feira, com 80% dos votos, a chave de distribuição centralizada dos direitos televisivos. Números expressivos numa votação, percentagem ridícula de justiça no resultado. Porque o que ficou decidido não é uma partilha equilibrada de receitas, é uma punição disfarçada de solidariedade.
Vejamos os factos. Apenas 17,5% da receita total é distribuída com base nas assistências médias nos estádios e nas audiências televisivas. Dezassete e meio por cento. Para um clube que é, fora das cinco grandes ligas europeias, um dos únicos a figurar nos rankings de melhores assistências da Europa, isto é uma afronta com matemática.
Não é um exagero retórico, é um facto concreto. Enquanto o Benfica investiu na ampliação da Luz, há clubes que literalmente reduziram a sua capacidade. E a fórmula aprovada, ao calcular médias em vez de números absolutos de espectadores, pode perfeitamente colocar um desses clubes a receber uma fatia comparável ou superior.
O mesmo raciocínio aplica-se às transmissões. A diferença de receitas entre um clube sem condições mínimas de produção televisiva e o Benfica, que já opera com infraestrutura compatível com transmissões em 5G, resume-se a 3% da distribuição total. Três por cento para separar o profissionalismo do amadorismo.
Não se constrói uma fórmula assim por distração. Quando se decide que a capacidade instalada, o investimento em infraestrutura e a dimensão real da audiência valem menos de um quinto da receita total, está-se a fazer uma opção política. A opção é clara: nivelar por baixo, tirar força a quem puxa o produto e garantir que ninguém cresce demasiado.
Um campeonato não se vende com solidariedade forçada. Vende-se com qualidade, com estádios cheios, com transmissões competentes e com clubes que funcionam como empresas sérias, não como projetos temporários à espera do próximo investidor de conveniência.
Se a Liga não quer potenciar o produto, o Benfica tem de construir o seu próprio. Abrir a BTV aos sócios com contrato na NOS é um passo. Montar ecrãs gigantes na Luz para os jogos fora, com uma experiência premium digna deste clube, é outro. Quando os adeptos ficarem em casa porque o produto televisivo rivaliza com a deslocação, muitos vão sentir a falta da receita que hoje desprezam.
A centralização era uma oportunidade. Transformaram-na numa armadilha.







































