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·21 Juni 2026
Eloy Room: o guardião do sonho da menor nação da história do Mundial

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O guarda-redes com mais golos sofridos na primeira jornada do Mundial tornou-se o grande protagonista da segunda. O menor país de sempre a disputar um Campeonato do Mundo tem um herói para chamar seu: Eloy Victor Room. Passou do inferno ao céu numa semana e, depois de viver o seu próprio 7-1 contra a Alemanha, tornou-se o grande nome do histórico empate de Curaçao frente ao Equador, conquistando o primeiro ponto da história do país em Mundiais.
O guarda-redes mais batido no Mundial é, curiosamente, agora aquele com mais defesas na prova. Com as impressionantes 15 defesas diante dos equatorianos, Room chegou às 19 defesas na competição, dez acima do segundo classificado neste capítulo, o saudita Mohammed Al-Owais - que ainda joga este domingo, contra Espanha. Só para comparação, Vozinha fez sete defesas no empate de Cabo Verde com a Espanha.
Room nasceu nos Países Baixos - como boa parte da seleção de Curaçau -, representou as seleções jovens do país e defendia o Vitesse, da Eredivisie, quando recebeu a chamada de Patrick Kluivert. A estrela do futebol neerlandês tinha aceitado o desafio de se tornar selecionador de Curaçau e tinha como primeira grande meta convencer jogadores com raízes no país a representar a seleção.
Tal como Bacuna e Felitciano Zschusschen, Room aceitou o desafio e, a partir de 2015, passou a defender a seleção de Curaçau. Em pouco mais de dez anos, soma 74 jogos pelo país, com 135 golos sofridos.
«O motivo pelo qual escolhi Curaçau foi porque, quando era criança, tive um sonho: jogar o Mundial por Curaçau. Quando o Kluivert me contactou para jogar por Curaçau, antes de mais, senti-me verdadeiramente honrado por me ter telefonado, porque ele é uma lenda. Fiquei feliz, mas também orgulhoso. Foi um momento de orgulho para mim e para a minha família. Fui um dos primeiros a escolher jogar por Curaçau», recordou, numa entrevista recente ao site da FIFA.
Com Room na baliza, Curaçau, que criou a sua federação em 2011 — são 15 anos de federação, um por cada defesa de Room —, venceu a Taça das Caraíbas em 2017, frente à Jamaica, e qualificou-se para a Gold Cup, a primeira grande competição do país. A campanha terminou com derrotas para México, El Salvador e Jamaica, mas foi a primeira experiência do país num contexto competitivo mais exigente.
Na participação seguinte, em 2019, a equipa chegou aos quartos de final, caindo com uma derrota tangencial frente aos EUA. Depois de falhar o Mundial de 2022, Curaçau aproveitou o aumento de seleções para o Mundial de 2026 para assegurar a histórica qualificação após o empate com a Jamaica.
«Fechei os olhos e pensei em tudo o que tive de passar. Muitos dos jogadores que chegaram à equipa nos últimos jogos não estavam no início. Tento explicar-lhes o que aconteceu no começo e como tudo está melhor agora, mais organizado. Sempre acreditei que iríamos ao Mundial», disse o guarda-redes.
Na reta final da carreira, Room, que também jogou na MLS, ao serviço do Columbus Crew, representa o Miami FC, que compete na USL Championship. Aos 37 anos, no mesmo Arrowhead Stadium onde Messi brilhou há poucos dias, o guarda-redes fez a exibição perfeita no maior palco do futebol mundial, o Mundial.
«Para mim, como guarda-redes, foi praticamente o jogo perfeito», disse, após o empate 0-0 com o Equador. «Acho que preciso de uma estátua em Curaçao agora (risos)», acrescentou.
Na saída do relvado, ao receber o prémio de melhor jogador, Room mostrou uma camisola em homenagem ao guarda-redes Jairzinho Pieter, antigo companheiro de seleção que morreu de ataque cardíaco em 2019, durante o estágio da seleção no Haiti.
Com este ponto histórico, Curaçau está em terceiro lugar no grupo, com um ponto, à frente do Equador e atrás da Costa do Marfim (3) e da Alemanha (6). A menor nação deste Mundial e o guarda-redes Room têm 15 motivos para sorrir.
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