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·30 April 2026

Em noite tensa, Conselho do Corinthians barra texto-base da reforma e aprova voto do Fiel Torcedor

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  1. Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians rejeitou, nesta quarta-feira (29), o texto-base da proposta de reforma estatutária do clube por 93 votos contrários e 60 favoráveis, em reunião realizada no Parque São Jorge. Apesar da decisão, o colegiado aprovou entre os destaques a concessão do direito de voto ao associado do programa Fiel Torcedor a partir de 2026.

A sessão voltou a discutir mudanças consideradas fundamentais  para o futuro do clube, entre elas a possibilidade de voto ao Fiel Torcedor, a adequação do clube para uma eventual transformação em SAF, mudanças estruturais de governança e novas regras para o sistema eleitoral alvinegro.


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A reunião foi conduzida pelo presidente em exercício do órgão Leonardo Pantaleão. Também compuseram a mesa o presidente do Conselho de Orientação (Cori) Miguel Marques e Silva, o presidente da Comissão de Reforma do Estatuto Dalton Gioia e a primeira secretária do CD Maria Ângela Ocampos.

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Foto: Henrique Vigliotti/Central do Timão

Antes mesmo da abertura oficial dos trabalhos, o conselheiro Felipe Ezabella utilizou a palavra para explicar os motivos da liminar obtida na Justiça, que suspendeu a Assembleia Geral de sócios marcada por Romeu Tuma Júnior – licenciado do cargo em razão da decisão judicial – para votação da reforma estatutária.

Ezabella afirmou haver ilegalidades no processo de reforma conduzido por Tuma. Após a manifestação, o conselheiro tomou a palavra para declarar que discordava das acusações e que não se pronunciaria naquele momento para não tumultuar a sessão, informando, contudo, que se manifestaria posteriormente por escrito contra as declarações de Ezabella.

Na sequência, Leonardo Pantaleão abriu oficialmente os trabalhos e informou que a votação seria nominal, sendo a primeira matéria analisada o texto-base do projeto de reforma. Segundo ele, caso o texto-base fosse reprovado, a reunião seria encerrada sem discussão dos demais pontos.

O conselheiro trienal Rozallah Santoro pediu a palavra e afirmou que todo o conteúdo debatido nas audiências públicas teve caráter de “brainstorming” consultivo, e não deliberativo. Também declarou tratar-se de um texto totalmente novo e sugeriu que temas importantes, como o voto do Fiel Torcedor, fossem destacados para eventual inclusão no estatuto atual caso o texto-base fosse rejeitado, propondo ainda votação extraordinária artigo por artigo. A manifestação foi amplamente aplaudida pelo plenário.

Em seguida, o conselheiro Herói Vicente declarou concordar integralmente com Rozallah e afirmou que o ponto mais importante naquele momento era a reforma política do clube. Segundo ele, o modelo permaneceria o mesmo caso continuasse sendo conduzido da forma atual.

Herói também mencionou sua proposta de alteração referente à participação do Fiel Torcedor, que não foi acolhida pela Comissão de Reforma. Pantaleão respondeu que não reabriria a discussão de propostas, mas registrou a manifestação e afirmou respeitar a posição de Herói.

Romeu Tuma Júnior pediu a palavra para contestar a declaração de Herói sobre a suposta ausência de debate em torno da reforma. Segundo ele, a proposta do conselheiro havia sido discutida na audiência pública sobre o Fiel Torcedor, ocasião em que também foram explicados os motivos de sua não aprovação.

O presidente licenciado do CD ainda levantou questão de ordem para que fosse refutada qualquer medida que impedisse a realização da reunião e da votação desta quarta-feira. Além disso, defendeu que, independentemente da decisão do Conselho, fosse convocada a Assembleia Geral dos associados.

Sobre a sugestão apresentada por Rozallah em relação ao texto-base, Tuma afirmou que a proposta deveria seguir para a Assembleia Geral independentemente da decisão do Conselho, sendo vaiado por parte do plenário. Antes do início da votação do texto-base, Tuma e Ezabella voltaram a se desentender.

Os conselheiros vitalícios foram os primeiros a votar e, em sua maioria, rejeitaram a proposta. Rubens Gomes, o Rubão, pediu a palavra para justificar seu voto contrário ao texto-base. Apenas cinco vitalícios aprovaram a proposta: Antônio Roque Citadini, Dalton Gioia, José Augusto Cardoso Mendes, Miriam Athiê e Romeu Tuma Júnior.

Na sequência, votaram os conselheiros trienais. Ao final da apuração, o texto-base foi rejeitado por 93 votos contrários, contra 60 favoráveis. Houve forte manifestação de torcedores organizados do Corinthians após a proclamação do resultado. “Os vitalícios não vão tomar o clube de assalto”, “A torcida vai tomar o clube” e “Estão contra a democratização do clube” estiveram entre os gritos entoados no local.

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Foto: Henrique Vigliotti/Central do Timão

Pantaleão afirmou, então, que a reforma estatutária seguiria para a Assembleia Geral. Inicialmente, mesmo com a rejeição do texto-base no CD, os destaques seriam votados separadamente no plenário. Após contestação de conselheiros, ele decidiu abrir nova votação para definir se os destaques seriam efetivamente analisados.

Neste momento, houve tumulto e discussões acaloradas no plenário. O conselheiro vitalício Alexandre Husni partiu em direção ao trienal Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, mas foi contido por seguranças.

Muitos conselheiros deixaram o Parque São Jorge antes do resultado final da nova votação, que definiu, por 79 votos a 57, que os temas destacados no projeto de reforma estatutária seriam apreciados separadamente pelo colegiado. A votação teve início logo em seguida, com 15 temas em pauta – veja o modelo da cédula de votação dos destaques abaixo.

No primeiro item em destaque, referente a Sociedades Empresárias, a opção que mantinha a regra atual recebeu 83 votos, contra oito da proposta alternativa, além de duas abstenções.

A votação então passou para um dos temas mais debatidos e aguardados: o direito de voto ao associado de futebol (Fiel Torcedor). Neste momento, Pantaleão informou que os temas seguiriam para a Assembleia Geral com o texto integral e as alternativas apresentadas, independentemente da decisão do CD.

As opções submetidas ao plenário foram as seguintes:

Opção 1 – Associado de Futebol passa a ter direito a voto a partir de 2030, com exigência de quatro anos de contribuição no programa Fiel Torcedor e pagamento de taxa especial correspondente a um quarto da contribuição patrimonial. Opção 2 – Associado de Futebol passa a ter direito a voto a partir de 2026. Para este pleito, seriam considerados os últimos quatro anos de inscrição no programa Fiel Torcedor, sem exigência da taxa especial. Nos pleitos subsequentes, todos os requisitos passariam a valer, inclusive a taxa. Opção 3 – Manutenção da regra atual, sem direito a voto ao Associado de Futebol. Opção 4 – Abstenção.

Ao final da votação, foram registrados nove votos para a primeira proposta, 79 votos para a segunda e dois votos para a terceira. Com isso, o Conselho aprovou a possibilidade de voto ao Fiel Torcedor já em 2026. O resultado foi aplaudido pelos representantes das torcidas organizadas presentes.

A reunião foi suspensa antes do início da votação do terceiro item e terá continuidade na próxima segunda-feira (4), quando serão apreciados os demais destaques.

Antes do encerramento, Rozallah Santoro discutiu com Romeu Tuma Júnior e defendeu que apenas os pontos aprovados pelo Conselho deveriam seguir para a Assembleia Geral. Tuma, por sua vez, sustentou que a proposta deveria ser encaminhada na íntegra. Pantaleão afirmou que pretende deliberar o tema com a Comissão de Reforma, mas indicou que, em seu entendimento pessoal, os pontos apreciados pelo CD devem ser encaminhados aos sócios, responsáveis pela decisão final.

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