Ex-atacante do Brasil exalta Seleção, aposta em Ancelotti e 'reza' por Neymar 100% | OneFootball

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·3 Juli 2026

Ex-atacante do Brasil exalta Seleção, aposta em Ancelotti e 'reza' por Neymar 100%

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Em entrevista ao podcast El Fútbol, o lendário ex-atacante Careca analisou a crise de identidade da Seleção, o papel de Neymar e relembrou os anos dourados ao lado de "El Pibe de Oro" na Itália.

Antônio Careca é uma autoridade quando o assunto é balançar as redes em Copas do Mundo.


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Vice-artilheiro do Mundial de 1986 e dono de uma trajetória invejável com a camisa amarela, o ex-jogador abriu o jogo no podcast El Fútbol sobre o atual momento do Brasil, as memórias de seus tempos de Seleção e a profunda amizade que construiu com Diego Armando Maradona.

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📸 RUDI SCHRADER - 2011 AFP

Seleção Brasileira

Para Careca, representar o Brasil no maior torneio do planeta nunca foi apenas mais um jogo.

Ele relembra os esquadrões de 1982 e 1986, repletos de craques como Zico, Sócrates e Falcão, descrevendo a mistura de pressão e glória que define a Seleção:

"A gente sempre sente uma pressão muito grande porque o time está lá representando seu país. É sempre uma grande responsabilidade, mas era um orgulho. Toda vez que ganha, é um fenômeno. Mas quando perde, é uma merda. É assim."

O ex-camisa 9, no entanto, olha para o atual jejum de 24 anos sem o título mundial com preocupação.

Para ele, o problema vai além das quatro linhas e passa por um esvaziamento do sentimento de pertencer à equipe nacional.

"É importante [falar disso] porque perdemos um pouco a nossa identidade ao vestir a camiseta amarela. São jogadores que não queriam mais usar a camisa, não queriam mais jogar no Mundial. Antigamente, eu tinha mais paixão de vestir a camisa do Brasil, porque é um orgulho."

Analisando o elenco que caminha para a Copa de 2026, Careca vê uma dependência crônica de Neymar, a quem considera o último ídolo indiscutível do país, capaz de inspirar a nova geração que hoje compõe o elenco.

"Hoje estamos em uma situação difícil, mas temos jovens em quem eu acredito muito, como Endrick, o Rayan e o Vinícius Júnior, que é um grande lá no Real Madrid. Mas acho que falta um grande ídolo. Espero que o Neymar consiga estar 100% fisicamente nas fases finais para ajudar a Seleção a chegar um pouco mais longe."

Questionado sobre a chegada do técnico italiano Carlo Ancelotti ao comando do Brasil, o ex-atacante admitiu se tratar de um ineditismo histórico que divide opiniões, mas defendeu a aposta com base na capacidade de gestão humana do treinador.

"Isso é uma aposta, vamos dizer assim. Uma grande aposta. Mas ele sabe fazer o vestiário, né? Sabe trabalhar o jogador mentalmente. Ele é um pouco pai de todos. O Ancelotti é um grande gestor de personagens, de pessoas, de grandes ídolos. Por isso estamos confiantes de que possa ser um bom trabalho."

Devoção a Maradona

O caminho de Careca pela Seleção esbarrou de frente com a Argentina na Copa do Mundo de 1990, um duelo tenso e marcado pela rispidez dos defensores argentinos.

Curiosamente, a amizade com o camisa 10 rival era tão forte que, após a desclassificação brasileira, Careca admitiu ter mudado de lado na arquibancada: "A partir daquela eliminação, sou argentino e vou torcer pela Argentina".

Essa lealdade a Maradona nasceu muito antes, quando Careca rejeitou propostas do Torino e do Real Madrid para assinar com o modesto Napoli.

O motivo? Jogar ao lado do ídolo. E a química não demorou a aparecer.

"Era um sonho realizar isso junto com o Diego. Quando cheguei em 1987, conheci o Diego lá e em cinco ou dez minutos já estávamos nos compreendendo. Foi tudo um espetáculo."

Mais do que um gênio da bola, Careca descreve o amigo como um pilar fundamental para sua adaptação no sul da Itália, onde a paixão da torcida chegava a ser sufocante, impedindo que os jogadores tivessem uma vida normal nas ruas de Nápoles.

Longe dos holofotes e dos fotógrafos que cercavam suas casas, os dois criaram um vínculo familiar.

"Diego era uma pessoa muito simples, amável, com um coração gigante. Ele estava sempre na minha casa para comer a feijoada com feijão preto que ele gostava, e também o assado, que, para mim, o assado brasileiro é melhor que o argentino."

A notícia do falecimento de Maradona, anos depois, pegou Careca de surpresa de forma cruel: ele foi avisado por telefone pelo ex-jogador Vampeta enquanto este estava ao vivo em um programa de rádio.

Sem acreditar, desligou o telefone e buscou a confirmação com Claudia, ex-esposa do craque argentino.

"Era uma amizade, um amor verdadeiro e sincero. Porque eu queria muito bem ao Diego. É um pecado que tenha ido muito cedo. Hoje não temos mais o Diego, mas ele está no nosso coração."


📸 NELSON ALMEIDA - AFP

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