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·11 Juni 2026

Exclusivo: Rivellino relembra jejum do Corinthians, relação com a torcida e origem do apelido “Patada Atômica”

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  1. Por Lucas Barreiros/Redação da Central do Timão

Ídolo histórico do Corinthians, Roberto Rivellino concedeu entrevista exclusiva à Central do Timão, e num papo sobre o Alvinegro e as muitas fases da carreira, falou sobre aspectos como a relação com a torcida, a pressão pelo fim do jejum de títulos, a dolorosa derrota na final do Campeonato Paulista de 1974. Para o ex-meia, um dos aspectos mais marcantes de sua passagem pelo clube era a proximidade entre atletas e torcedores.

“Era fantástico, era maravilhoso. E a gente corria atrás de um título. O Corinthians já estava numa fila, e eu peguei o barco andando. O título de campeão paulista era o que o Corinthians queria.”


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Rivellino relembrou a rotina dos tempos em que ainda era um jovem jogador das categorias de base e destacou a convivência diária com os torcedores no Parque São Jorge.

“Eu levantava às 5h, 5h30 da manhã, porque morava na Zona Sul e precisava ir para a Zona Leste, onde ficava a Fazendinha. Pegava ônibus, atravessava a cidade para treinar. Depois voltava para casa e minha mãe me esperava para almoçar.”

Segundo ele, a relação com a torcida era muito diferente da que existe atualmente. O ex-jogador ainda destacou como era a convivência com os jornalistas.

“A gente entrava no Parque São Jorge e encontrava o torcedor, aquele frequentador do clube. Havia um contato direto porque a gente conversava. Toda hora tinha alguém falando: ‘Tudo bem? Vamos ganhar domingo?’. Eram aqueles papos legais.”

“A imprensa estava lá todos os dias. A gente falava com os jornalistas diariamente, parava para dar entrevista. Às vezes eu levava repórter no carro porque fazíamos praticamente o mesmo caminho.”

Ao falar sobre o longo período sem títulos vivido pelo Corinthians, Rivellino explicou o tamanho da cobrança existente na época em cima do título do Paulistão.

“Na verdade, antigamente, na minha época, o problema era ser campeão paulista. Você podia até ser campeão do mundo, por incrível que pareça, mas o que o torcedor corintiano queria mesmo era o título paulista.”

O ex-camisa 10 recordou especialmente a campanha de 1974, quando o Corinthians ficou perto de encerrar o jejum.

“Em 1974, nós batemos na trave. O primeiro jogo foi disputado no Pacaembu. Empatamos em 1 a 1. Na minha opinião, era um jogo que poderíamos ter vencido, porque jogamos bem. Não estou dizendo que, se a decisão tivesse sido disputada no Pacaembu, nós certamente ganharíamos. Mas a possibilidade seria maior, porque o Pacaembu era, de certa forma, a nossa casa.”

A ida para casa

“O que aconteceu ali? Ah, fui embora. Fui embora pensando na vida. Não olhava para ninguém. Porque, mais do que ninguém, eu queria ser campeão. Aí fui embora. Fui a pé. Fui embora a pé, pensando em tudo aquilo.”

“Até hoje eu penso nisso. Porque, na verdade, acho que Deus olhou para mim e disse: ‘Infelizmente, você não vai ser campeão pelo Corinthians’.”

Patada Atômica, escolinhas de futebol e bastidores

Outros temas da conversa foram a origem do apelido “Patada Atômica”, o trabalho desenvolvido em escolinhas de futebol e também a breve experiência que teve nos bastidores do Corinthians após encerrar a carreira como jogador.

“Desde garoto eu sempre chutei forte. Cheguei a quebrar o braço de um amigo com uma bolada. Na seleção brasileira aconteceu a mesma coisa. Em 1973, fizemos um jogo na Tunísia e acabei quebrando o braço do goleiro deles. Sempre tive esse chute forte. Quando fui para o México, começaram a explorar muito essa característica. Como eu realmente chutava muito forte, acabou surgindo o apelido de ‘Patada Atômica’.”

Envolvido atualmente em projetos de formação de jovens atletas, o ex-jogador lamenta a falta de espaços para que as crianças possam jogar futebol como antigamente acontecia.

“Antigamente a gente jogava futebol na rua, tinha espaço. Hoje acabaram esses espaços. Você vai jogar bola onde? Eu soltava pipa, jogava pião, bolinha de gude e futebol. Futebol era de manhã, de tarde e de noite.”

“Você vai a um restaurante e vê uma criança o tempo todo olhando para a tela. Muitas vezes os pais entregam o celular para o filho ficar quieto. O garoto passa o dia inteiro ali.”

Relembrando a passagem-relâmpago nos bastidores corinthianos, Rivellino admitiu que a experiência não correspondeu às expectativas.

“Eu queria colaborar com o Corinthians, ajudar o clube, mas acabei me decepcionando. Foi uma experiência que não me agradou. Sinceramente, me arrependi.”

Aos 80 anos de idade, o ídolo corinthiano ainda acompanha de perto o mundo do futebol. Mesmo sem ter conquistado o tão sonhado título paulista pelo Timão, ele permanece como um dos maiores nomes da história do clube e uma das principais referências para gerações de muitos torcedores.

Assista!

A entrevista na íntegra pode ser conferida no canal da Central do Timão, no YouTube. Clique aqui e acompanhe!

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