Portal dos Dragões
·22 April 2026
“Fazer 50 anos de sócio do FC Porto é um feito só ao alcance da excelência”

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“Ter 50 anos de FC Porto ao peito, com número de sócio em dia e com quotas pagas é um vício saudável” e André Villas-Boas classificou essa distinção como “um feito só ao alcance da excelência”. Na cerimónia de entrega das Rosetas de Ouro aos associados que têm “uma vida de dedicação e amor singular por uma causa”, o presidente fez “uma viagem no tempo” e recordou que “o FC Porto não seria o que é sem sócios”.
“Um Clube pode ter grandes jogadores e grandes treinadores, mas só um Clube de sócios tem esta profundidade. Só um Clube com sócios tem esta identidade”, afirmou o dirigente, para quem a Roseta de Ouro é “um símbolo de quem esteve cá antes de ser fácil, antes de ser natural, antes de ser quase inevitável o FC Porto vencer”, atribuído por “um Clube que sabe de onde veio e que respeita quem o acompanhou” em cada fase.
Porque “o futuro se constrói com sócios que dão a cara, que sustentam, que exigem, que empurram e que nunca deixam o Clube sozinho”, André Villas-Boas destacou “a constância, a exigência, o apoio, o espírito crítico e o sentido de pertença” dos portistas, que são “testemunhas e parte ativa de uma das maiores transformações de um clube europeu no último meio século”.
Exemplos de lealdade
“Fazer 50 anos de sócio do FC Porto é um feito só ao alcance da excelência. São décadas de presença, de identidade, de orgulho e, tantas vezes, de resistência. Enquanto há títulos que se ganham num jogo, e amanhã esperamos ter uma vitória que nos leve ao Jamor, este ganha-se numa vida de dedicação e amor singular por uma causa. A isto chama-se lealdade. E deixem-me começar com uma provocação em tom de brincadeira: estou cheio de inveja da boa. Não vejo a hora de estar no vosso lugar. Imagino o que vos vai na alma e a alegria intensa e imensa que estão a viver.”
50 anos de história
“Em segundo lugar quero que façamos uma viagem no tempo a estes que são os vossos e os nossos 50 anos. Vocês foram sócios numa fase em que Portugal mudou de forma abrupta. O fim da ditadura, a chegada da Liberdade. O 25 de Abril de 1974 marca a mudança social, política e cultural que todos ansiávamos. Mudou o país, mudou a vida das pessoas e a sua forma de estar, mas, no meio dessa transformação, manteve-se uma luz constante: o FC Porto. Não como diversão social, mas sim como âncora. Como casa, como pertença, como lugar mágico onde, pela mão de um avô, de um pai, de um tio ou de um amigo começou a vossa vida portista. Memórias únicas que nos marcam profundamente a infância e que fazemos questão que os nossos descendentes a vivam da mesma forma.”
Sempre presentes
“No desporto, e no futebol em particular, também viram um mundo a ser virado do avesso. Da rádio e do relato na sala, ao ecrã gigante, ao minuto-a-minuto, às redes sociais e ao julgamento permanente. Do futebol de domingo ao futebol global, onde tudo se comenta e tudo se tenta condicionar. E agora vem o ponto que interessa: o FC Porto não se limitou a sobreviver a esse tempo. O FC Porto afirmou-se nesse tempo. Há 50 anos, ser do FC Porto era, muitas vezes, acreditar antes de confirmar. Era saber que a grandeza estava lá, mas que o caminho para chegar ao topo ia exigir muito mais do que aos outros. E vocês estavam lá quando esse ciclo começou a mudar.”
O fim do jejum
“Vocês estavam lá quando o Clube rompeu um jejum que parecia interminável: o título de 1977/78, com José Maria Pedroto. Um campeonato que não foi apenas um troféu, foi um ponto de viragem e foi o dia em que o FC Porto voltou a dizer ao país, com factos, que não aceitava viver de promessas. E é impossível falar desses anos sem falar de figuras e símbolos como João Pinto, para quem peço uma especial salva de palmas, Fernando Gomes, Lima Pereira, António Oliveira, Cubillas, Zé Beto, Rui Barros e tantos outros que marcaram uma geração.”
Um símbolo dourado
“Por isso, quando recebem esta Roseta de Ouro não recebem uma medalha, recebem um símbolo. Um símbolo de quem esteve cá antes de ser fácil, antes de ser natural, antes de ser quase inevitável o FC Porto vencer. Recebem o reconhecimento de um Clube que sabe de onde veio e que respeita quem o acompanhou em toda esta fase da sua vida. Termino com a mesma frontalidade com que comecei: o FC Porto continua a precisar de vocês. O futuro não se espera, constrói-se. E constrói-se precisamente com esta base, com sócios que dão a cara, que sustentam, que exigem, que empurram e que nunca deixam o Clube sozinho. Por isso, parabéns. Parabéns por 50 anos de associativismo e por 50 anos de FC Porto. Parabéns por terem sido testemunhas e parte ativa de uma das maiores transformações de um clube europeu no último meio século. E sim, tenho muita inveja e muitos ciúmes, porque vocês já fizeram 50 anos desta história e eu ainda tenho de esperar mais dois. Como todos os portistas, quero continuar a escrevê-la convosco. Viva o Futebol Clube do Porto.”
Langsung









































