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·30 Juli 2026

Fim de uma era: Sem Howe e com perdas importantes no elenco, Newcastle busca nova identidade

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Em dezembro do ano passado, o canadense David Hopkinson havia assumido como novo chefe executivo do Newcastle com uma projeção ousada para os próximos cinco anos: "Vamos lutar para sermos o clube número 1 do mundo". Na semana da entrevista, o Newcastle empatou com o Tottenham em 2 a 2, e não deixou o meio de tabela que acabou sendo o destino do clube na temporada. Uma temporada abaixo das expectativas, que ficaram ainda menor com as mudanças no clube nesta janela de transferências. O cenário é de recomeço, com o fim de uma era. 

Os Magpies haviam começado uma nova era em 2021/22. O PIF, fundo saudita de investimento, concluiu a compra do clube junto com o PCP Capital Partners e Reuben Brothers, encerrando 14 anos da era Mike Ashley no comando do clube. 


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O 'novo Manchester City'

A expectativa era de que o clube se transformasse no "novo Manchester City", e tal promessa parece ainda rondar os bastidores da equipe, vide as declarações de Hopkinson. A primeira grande janela de transferências para iniciar essa revolução foi a do inverno (europeu) de 2022, mas antes disso veio a primeira grande decisão: contratar o técnico Eddie Howe

O técnico vinha de longo trabalho no Bournemouth, clube que colocou na elite inglesa com o título da Championship, mas que com o qual retornou para a segunda divisão em seu último ano. O novo projeto do Newcastle, entretantou, entendeu que ele seria o homem ideal para um projeto ambicioso na Premier League

Howe assumiu o lugar de Steve Bruce e comandou a equipe pela primeira vez dia 27 de novembro de 2021, derrota para o Arsenal, no Emirates. O Newcastle era o lanterninha da Premier League. A primeira vitória só veio na rodada 15, contra o Burnley, tirando o time da última posição. 

Com a força da janela de janeiro, que trouxe pilares como Kieran Trippier, o primeiro grande reforço do novo projeto, Bruno Guimarães, Chris Wood e Dan Burn, Howe evitou o rebaixamento em feito inédito: foi o primeiro time a não vencer as 14 primeiras rodadas que conseguiu evitar a queda. O Newcastle terminou em 11º lugar na tabela. 

Com forte aporte saudita, o Newcastle dobrou a aposta para a temporada seguinte e gastou 77,5 milhões de euros no atacante sueco Alexandre Isak, destaque na Villarreal. Nick Pope chegou para o gol e Botman reforçou a defesa por quase 40 milhões de euros. O esqueleto do time estava montado, e Howe conseguiu recolocar os Magpies na Liga dos Campeões após 20 anos. Os Magpies foram ainda vice-campeões da Copa da Liga. 

O primeiro grande objetivo foi alcançado e, apesar da campanha tímida na Champions, Howe deixou como legado o primeiro título do clube em 70 anos: o da Copa da Liga em 2025, com vitória sobre o Liverpool na final, gols de Burn e Isak. 

Quando as expectativas começaram a aumentar, porém, o time passou a não responder. A última temporada do técnico no cargo começou com uma grande novela envolvendo o futuro de Isak, que acabou forçando ida ao Liverpool. Apesar de ter investido forte no ataque, gastando 122 milhões de euros em Wissa e Woltemade, o Newcastle perdeu poder de fogo. A dupla marcou, junta, apenas 14 gols, contra 27 só de Isak na temporada anterior. 

A temporada foi decepcionante em todos os sentidos. O Newcastle viu o Sunderland ampliar para 15 anos a invencibilidade no Tyne-Wear derby pela Premier League, com vitórias no turno e no returno; caiu nas copas para o Manchester City; foi massacrado pelo Barcelona nas oitavas da Champions com um histórico 7 a 2; e terminou apenas em 12º lugar no Campeonato Inglês. 

Uma nova realidade

A previsão de David Hopkinson, citada no início da matéria, parece ainda mais utópica agora. Mas sem contar os resultados decepcionantes recentes, o clube ainda vive um desmanche, a começar pela decisão de Howe de deixar o comando técnico da equipe. Matthias Jaissle, ex-Al Ahli, deve assumir em seu lugar. 

Apesar de o investimento saudita indicar "dinheiro infinito", na prática o fairplay financeiro limita os gastos e o Newcastle precisa negociar atletas nesta janela de transferências. Alguns dos pilares do clube nos últimos anos estão de saída. 

Trippier já foi anunciado pelo Wolverhampton, Anthony Gordon foi negociado com o Barcelona e Sandro Tonali, com o Tottenham. O capitão Bruno Guimarães já deixou claro que quer sair e nesta semana,  Arsenal deu outro passo para assegurar sua contratação. 

Se por um lado está perdendo jogadores importantes, por outro o Newcastle não está conseguindo seduzir caras novas do tamanho da ambição do clube. Johan Manzambi, uma das revelações da Copa, preferiu o Aston Villa e Victor Muñoz, o Liverpool. 

Até o momento, o clube investiu apenas em jovens, apesar de ter perdido referências técnicas e líderes dentro do vestiário. Bazoumana TOuré veio do Hoffenheim por 50 milhões de euros, Bamba do Monaco por 35 milhões e Steur do Ajax por 23, além do goleiro Jaouen do Reims por 21. Todos têm 20 anos ou menos. 

Olhando para o futuro, mas sem poder perder de vista o presente, o Newcastle projeta uma nova era sob o comando de Jainssle. Resta saber se com a ambição de cumprir o que foi projetado para daqui a cinco anos... 

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