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·6 Agustus 2026

Flamengo é cobrado por torcedores após déficit milionário no 1º semestre

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Grupo de conselheiros pressionou o Flamengo após R$ 33 milhões de déficit


O balanço financeiro do Flamengo referente aos seis primeiros meses de 2026 segue repercutindo nos bastidores da Gávea. Após o clube divulgar um déficit acumulado de R$ 33,8 milhões, um grupo formado por 12 conselheiros protocolou dois documentos cobrando maior transparência da diretoria e medidas previstas no Estatuto.

Os ofícios foram entregues na última terça-feira (04) à secretaria do clube e são direcionados aos presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal. Entre as solicitações, estão a divulgação do orçamento da temporada e a análise da suspensão da autonomia administrativa da atual gestão.


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O QUE OS CONSELHEIROS COBRAM DA DIRETORIA DO FLAMENGO?

Os documentos foram encaminhados a Ricardo Lomba, presidente do Conselho Deliberativo, e a Paulo Roberto Gomes, presidente do Conselho Fiscal. No primeiro ofício, os conselheiros solicitam que o Flamengo volte a divulgar o orçamento anual da instituição, prática adotada até 2024 no site oficial do clube. Além disso, cobram a apresentação dos relatórios de execução orçamentária referentes ao primeiro semestre de 2026, detalhando as previsões financeiras e o déficit registrado no período.

Já o segundo documento pede que o Conselho Fiscal intime a diretoria a apresentar o orçamento de 2026 no prazo de 48 horas. Os signatários também defendem que seja analisada a aplicação do artigo 146 do Estatuto Social, dispositivo que prevê a suspensão da autonomia do Conselho Diretor em determinadas situações de desequilíbrio financeiro.

O QUE DIZ O ARTIGO 146 DO ESTATUTO?

Os conselheiros baseiam o pedido no inciso III do artigo 146 do Estatuto do Flamengo. O trecho determina que a autonomia da diretoria pode ser suspensa caso os balancetes trimestrais comprovem que o déficit acumulado ultrapassou 3% da receita prevista no orçamento aprovado.

Caso essa condição seja confirmada, todos os contratos, acordos, empréstimos e antecipações de receitas passam a depender de autorização prévia do Conselho de Administração enquanto a irregularidade persistir. Lomba e Paulo Roberto ainda não se pronunciaram sobre o caso.

QUAIS FORAM AS CRÍTICAS AOS CONSELHOS DELIBERATIVO E FISCAL?

No documento destinado ao Conselho Deliberativo, os conselheiros afirmam que Ricardo Lomba teria sido omisso ao não apresentar os relatórios de acompanhamento da execução orçamentária ao longo do exercício de 2025. Foi justamente neste ano a posse do presidente do CoDe.

Em relação ao Conselho Fiscal, o grupo solicita que Paulo Roberto Gomes cobre oficialmente da diretoria a entrega do orçamento de 2026. Além disso, pede que seja feita uma análise sobre a aplicação do artigo 146 para evitar eventual responsabilização dos integrantes do próprio Conselho Fiscal.

Os documentos também mencionam o artigo 69 do Estatuto do clube, que prevê responsabilidade solidária de presidentes e vice-presidentes em casos de prejuízos ou atos considerados lesivos ao Flamengo quando houver culpa no exercício das funções.

COMO O FLAMENGO EXPLICOU O DÉFICIT?

No balancete divulgado na última semana, o Flamengo atribuiu o resultado negativo, principalmente, à amortização contábil de R$ 192,4 milhões referente aos direitos econômicos de atletas contratados na janela de transferências de janeiro. Só Lucas Paquetá, por exemplo, custou mais de R$ 315 milhões.

Segundo o clube, o déficit representa uma consequência natural dos investimentos realizados no elenco. A diretoria também destacou que, desconsiderando operações de compra e venda de jogadores e os efeitos financeiros do Mundial de Clubes de 2025, o desempenho recorrente do primeiro semestre é o melhor registrado nos últimos cinco anos.

Os requerimentos são assinados por Alvaro Luiz Ferreira, Carlos Bogel Borges, Eduardo Olivieri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Julio Cesar Gomes da Silva, Julio Frederico Pollastri Gomes da Silva, Luiz Desiderati Junior, Marcelo Haberlehner, Marcelo Vargas, Maria Cristina da Cruz Silva, Otabio Katsuo Nakamura e Wallim Cruz de Vasconcellos Junior.

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