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·28 Juli 2026
Great Scott #391: Quem marca o primeiro golo em direto na SIC?

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O dia 17 Outubro é uma data especial para o Sporting em matéria de dérbi. Em 1965, é um domingo gordo em Lisboa: Benfica vs Sporting à tarde, Belenenses vs FC Porto à noite. De folga até à hora do jogo, os portistas Hernâni (capitão) e Flávio Costa (treinador) visitam a Luz e veem a primeira vitória do Sporting na casa do Benfica há 11 anos, desde Janeiro 1954. É também a primeira vez que o Benfica sofre quatro golos diante do seu público, ainda por cima todos do mesmo jogador.
Lourenço é o autor da proeza, um póquer jamais visto e nunca mais repetido. Que fenómeno. O número 8 divide o espetáculo com um bis em cada parte para o atarantado guarda-redes Melo, lançado às feras por doença de Costa Pereira. Do outro lado, Carvalho é tão seguro que se estreia na seleção daí a 15 dias, vs Checoslováquia, nas Antas, no tal jogo do apuramento definitivo de Portugal para o Mundial-66. Para o capitão benfiquista Coluna, «nada a dizer da vitória do Sporting nem dos golos que nasceram de magníficos lances, todos bem construídos»
Passam uns anos, já estamos em 1992. A SIC (Sociedade Independente de Comunicação) liga-se ao público a 6 Outubro 1992. Onze dias depois, eis o primeiro jogo em directo do canal privado de Pinto Balsemão. É um dérbi, Sporting vs Benfica. Jorge Perestrelo narra o jogo e começa por dizer naquele tom só dele: «14 câmaras instaladas, começa a rolar o esférico. E a bola já está no Hélder. Epá que ele já fez mal o passe. O Sporting atira, golo.»
A bola sai do Benfica. Um toque para a frente e dois para trás. Hélder entrega mal, recupera Iordanov, dá para Balakov, o búlgaro livra-se de Schwarz com uma voltinha sobre si mesmo e atira com o pé direito, bem fora da área. Silvino, vestido de verde, é apanhado de surpresa e a bola ainda bate no poste antes de entrar. É o delírio, aos 12 segundos. O primeiro golo da SIC é aos 12 segundos por entre uma nuvem de fumo provocada pelo lançamento de petardos da parte da claque do Benfica, atrás da sua baliza. Pela televisão, ninguém vê a bola entrar, só se ouve o rugido do leão, de contentamento.
Na segunda parte, o visível 2-0 por Iordanov, de cabeça, mergulho de peixe, após livre de Balakov na direita. É a primeira vitória do Sporting em casa vs Benfica desde os 7:1 em 1986 num dérbi com carregado de vermelhos. De cartões, queremos dizer. Os primeiros dois saem ao mesmo tempo para Filipe e Paneira, embrulhados num lance junto à linha lateral. O terceiro é para Iordanov, por pontapear a bola na direcção de Silvino depois do apito do árbitro. «Não ouvi nada e, claro, segui o meu instinto», diz o goleador.
À noite de glória, Sousa Cintra junta um toque histérico. «Se não fosse o árbitro, teríamos dado 6-0.» Já Tomislav Ivic desculpa a derrota pelo facto de ter estado 12 dias sem ver os jogadores convocados por Carlos Queiroz para o Escócia-Portugal do dia 14.
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