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·5 Juni 2026
Guia do Mundial: tudo o que precisa de saber sobre o Grupo A

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·5 Juni 2026

Começamos, naturalmente, pelo Grupo A desta fase de grupos. Realisticamente não se trata de um grupo rico em potenciais candidatos à conquista do troféu - esse lote segue restrito e vai pouco além dos oito anteriores vencedores -, mas é, ainda assim, rico em histórias e conta com três países que sabem o que é organizar um Mundial.
O México é um desses três, bem como um dos três anfitriões desta edição em conjunto com Estados Unidos e Canadá. Sabem o que é receber edições memoráveis da prova, fizeram-no em 1970 e 1986, mas também a África do Sul entrou na cabeça dos adeptos de futebol em 2010. Curiosamente, as duas seleções voltam a juntar-se, na quinta-feira, para o que será a primeira reedição de um jogo de abertura da prova.
De resto, o Grupo A conta com uma Coreia do Sul que é cada vez mais experiente nestes palcos e foi co-anfitriã em 2002, tendo brilhado com uma caminhada até às meias, e uma Chéquia de regresso após duas décadas de ausência e cujo passado inclui a riqueza de duas finais.
Número de participações: 18
Melhor prestação: quartos de final
É uma das mais frequentes cores do Campeonato do Mundo, embora isso nunca se tenha traduzido em grandes sucessos. Aliás, a queda na fase de grupos em 2022, depois de sete idas consecutivas aos oitavos (mais que isso só nos anos em que foi anfitrião), ajudou a criar a ideia de que o México é uma seleção em queda. Não é bem o caso.
A seleção mexicana está, na verdade, a viver um momento bastante promissor. Numa altura em que é difícil determinar qual o troféu mais importante da CONCACAF - a Gold Cup ou a Nations League -, a resposta pouco importa porque no ano passado ambos os troféus foram levantados pelos mexicanos, que ainda contam com alguns veteranos (Ochoa estará no Mundial) mas também têm juventude entusiasmante.
A arma maior é mesmo o fator casa. O empate (0-0) de Portugal no Azteca, em março, foi só mais um ponto numa longa série de jogos sem perder em solo mexicano. E não estamos a exagerar, já que a última derrota caseira foi há oito anos, frente ao Chile (0-1). Este é um dos argumentos que mais entusiasma este país de mais de 130 milhões de habitantes.
O nome soa-lhe familiar? Até pode ser por ter estado recentemente na La Liga ao leme do Mallorca, mas mais provavelmente será precisamente pelas passagens pelo leme da seleção mexicana. Esta é a terceira, depois de uma primeira entre 2001-2002 e uma segunda em 2009-2010, e talvez a mais interessante. Já valeu dois troféus e uma grande confiança (principalmente defensiva) na chegada ao Mundial.
Oito anos depois da passagem pelo Benfica, Raúl Jiménez é um jogador diferente. O avançado, 125 vezes internacional A, não está no auge - esse terminou depois da fratura no crânio há alguns anos -, mas soube reinventar-se e continua a ser um nome relevante no México e na Premier League, onde representa o Fulham. Não jogará 90 sobre 90, dificilmente seria o caso aos 35 anos, mas será importante.
Em solo mexicano o nome que mais entusiasma é o de Gilberto Mora. O criativo do Club Tijuana tem apenas 17 anos e já sabe o que é brilhar na seleção, tendo sido parte da conquista da Gold Cup. Sofreu alguns problemas físicos ao longo da temporada, mas já está de volta aos relvados e espera-se que tenha tempo de jogo durante o Mundial. Caso tenha, o passo para a Europa será natural.
Outros jogadores importantes: Edson Álvarez (Fenerbahçe), Johan Vásquez (Genoa), Julián Quiñones (Al-Qadsiah), Alexis Vega (Toluca) e Obed Vargas (Atlético Madrid)
Número de participações: quatro
Melhor prestação: fase de grupos
Que soem as vuvuzelas, porque a seleção da África do Sul está de volta ao Campeonato do Mundo! Foram 16 anos de espera, com alguma amargura pelo caminho. Depois de um penálti fantasma frente ao Gana tirar esta seleção do último Mundial, desta vez a utilização de um jogador inelegível deduziu três pontos na fase de qualificação, o que assustou, mas mesmo assim a bafana bafana conseguiu ficar à frente da poderosa Nigéria no grupo de qualificação.
À semelhança do México é um país com uma liga doméstica bem desenvolvida, o que aumenta muito a lista de potenciais jogadores selecionáveis, mas o outro lado dessa moeda é que muitos dos sul-africanos não se aventuram para o estrangeiro e por consequência não atingem um nível superior. Nesse aspeto é até uma versão menos desenvolvida e talentosa que os mexicanos.
Essa qualidade reduzida joga contra a seleção sul-africana, assim como a inexperiência na competição, mas há atenuantes. Trata-se de uma equipa confiante e com queda para um futebol mais técnico, que pode levar até momentos entusiasmantes enquanto todo o planeta assiste. E mesmo no capítulo da experiência, há um grupo grande de jogadores que estiveram no Mundial de Clubes.
Conhecido por ter treinado ao longo de duas décadas alguns dos maiores clubes da Bélgica, de onde é natural, mas também por ter levado a seleção dos Camarões à conquista do CAN, Hugo Broos está desde 2021 ao leme da seleção da África do Sul e está no melhor momento desde a chegada. Já confirmou que este Mundial será a sua derradeira experiência enquanto treinador de futebol.
Não é a mais entusiasmante das figuras das respetivas seleções neste Mundial, mas é por direito o melhor jogador da atualidade nesta nação do futebol. Lyle Foster não conseguiu marcar qualquer golo pelo Vitória SC, mas depois disso construiu uma carreira sólida que o levou até à Premier League, onde jogou pelo Burnley. Na seleção, o ataque passa muito pelos seus pés.
Um defesa central de 177 centímetros? Em teoria, a moldura física do esquerdino será impedimento de uma carreira ao mais alto nível, mas não tem sido entrave desde a primeira explosão há cerca de um ano. Desde então transferiu-se para o Chicago Fire por 2,5 milhões de euros, onde se estreou na MLS com dois cortes em cima da linha de golo, e mostrou qualidades técnicas raras para um defesa - incluindo uma queda para os golaços.
Outros jogadores importantes: Ronwen Williams (Mamelodi Sundowns), Bongokuhle Hlongwane (Minnesotta United), Teboho MOkoena (Mamelodi Sundowns), Samukelo Kabini (Molde) e Themba Zwane (Mamelodi Sundowns)
Número de participações: 12
Melhor prestação: meias-finais
Ao contrário do que escrevemos em relação a outras equipas deste grupo, a seleção da Coreia do Sul não chega ao Campeonato do Mundo deste verão com os níveis de confiança no máximo.
Têm melhor plantel do que muitas das nações presentes, incluindo jogadores que somam minutos em equipas como PSG ou Bayern, mas isso não se traduz necessariamente no futebol praticado nem nos resultados recentes. A qualificação foi alcançada sem problemas num grupo em que a Jordânia foi a segunda melhor equipa, mas os amigáveis frente a oposição mais forte revelaram as dificuldades.
Ainda assim, o grupo é acessível e por isso as ambições coreanas estão firmes numa passagem à próxima fase. Essas super estrelas que dão vida à equipa, mesmo que não rodeadas por outras caras reconhecíveis, podem ser o suficiente o máximo já alcançado desde a prestação caseira: os oitavos de final.
136 vezes internacional A numa carreira que, tal como a de Son, passou por Los Angeles, Hong é agora, aos 57 anos, o selecionador nacional. É a sua segunda passagem pelo cargo, 12 anos depois de ter levado a equipa a um empate e duas derrotas no Mundial do Brasil. Pelo meio, fez carreira entre a Liga Chinesa e a K-League.
Já caímos no erro, no passado, de olhar para craques do futebol e dizer que se estão a preparar para jogar o seu último Mundial. No caso de Son, a afirmação parece pouco arriscada. Perto dos 33 anos, o atacante já não leva a sua seleção às costas na maior parte dos jogos, mas continua a ser a figura maior da mesma e tem apresentado bons números desde a transferência para o Los Angeles FC, da MLS.
Não é uma cara nova na esfera do futebol internacional, mas a verdade é que a juventude está em falta na atual equipa sul-coreana, pelo que não há nada mais interessante para acompanhar do que a potencial transição do jogador do PSG desde um papel secundário para o centro das atenções. Aos 25 anos leva dez golos em 46 internacionalizações.
Outros jogadores importantes: Kim Min-jae (Bayern München), Hwang Hee-chan (Wolverhampton), Oh Hyun-gyu (Besiktas) e Hwang In-beom (Feyenoord)
Número de participações: dez (duas como Chéquia; oito como Checoslováquia)
Melhor prestação: final
Por mais que seja uma nação com alguma história no futebol internacional, pelo menos a história herdada, a verdade é que só pisou o palco que é o Campeonato do Mundo por quatro vezes desde 1970. É a primeira presença desde 2006, o que se traduz, naturalmente, em inexperiência: nenhum dos jogadores sabe o que é jogar um Mundial.
A luta pelo bilhete foi intensa e particularmente interessante na sua fase final. Os checos terminaram no segundo lugar do Grupo L, bem mais próximos do terceiro (Ilhas Faroé) que do primeiro (Croácia) e tiveram de ir ao playoff, onde beneficiaram do fator casa para eliminar a República da Irlanda (2-2) e depois a Dinamarca (2-2) em dois jogos decididos nas grandes penalidades.
A boa prestação de Kovár nesses desempates significa que Hornicek, guarda redes do SC Braga, dificilmente conseguirá a titularidade no Mundial. Também isso ajuda a ilustrar a qualidade do plantel checo, que certamente ambiciona mais do que a passagem desta fase de grupos.
Este treinador de 74 anos chegou ao cargo no seguimento do despedimento de Ivan Hasek em dezembro. O drama dos playoffs de qualificação para este Mundial, já referido acima, foi mesmo a primeira experiência do técnico ao leme da sua nação. Fez a carreira principalmente na Liga Checa, pelo que viverá nesta competição o seu ponto mais alto enquanto profissional.
A inexperiência cinge-se mesmo ao Mundial, já que Schick passou por um pouco de tudo na sua carreira até ao momento. O goleador do Bayer Leverkusen é um ponta de lança tradicional, com muita capacidade física e potência no remate, e já brilhou na esfera internacional em dois Campeonatos da Europa (seis golos em sete jogos). Muito passará por ele.
Uma vez mais, um espaço que tantas vezes é reservado para uma jovem promessa vai ser entregue a um jogador mais velho. Krejci tem 27 anos, mas não é um nome com peso internacional. Ainda não o é, pelo menos. A ascensão tem sido veloz e o central do Wolverhampton, que também pode jogar a médio, foi eleito capitão da seleção este ano. Celebrou a promoção com duas exibições monstruosas nos jogos do playoff que valeu o apuramento para o Mundial-
Outros jogadores importantes: Tomas Soucek (West Ham), Martín Vitík (Bologna), Pavel Sulc (Lyon), Matej Kovar (PSV) e Vladimír Coufal (Hoffenheim)
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