Zerozero
·20 Juli 2026
<i>¡Y viva España!</i> - o triunfo da obsessão pela bola

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·20 Juli 2026

Antes da ode a Espanha e à masterpiece revista e atualizada por Luís de La Fuente, permitam-me a derradeira vénia a Lionel Andrés Messi Cuccittini. Rodeado de banalidade e aspereza, o génio de Rosario caminhou de cabeça baixa, em sentida solidão, até à porta de saída do gigantesco MetLife Stadium.
«Mostrem-me um herói e escreverei uma tragédia», anunciou um dia F. Scott Fitzgerald, criador do The Great Gatsby e de outras epopeias de ascensão e queda. Messi não merecia a ignomínia desta final, o peso de uma Argentina sem remates, sem futebol, impotente e vazia.
É impossível ver esta final de 2026 e não encontrar reminiscências de 1990, de uma Argentina maradoniana, batida pela RFA na final do Italia90. Uma Argentina também liderada por um D10S, mas castigada pela vulgaridade de apóstolos efervescentes e limitados.
Um penálti de Andreas Brehme pulverizou-os em 90, um pontapé fortíssimo de Ferrán Torres matou-lhes o sonho em 26.
A Espanha, agora: que equipa, que futebol, que pensamento! Podemos falar de organização e ordem (um golo sofrido em todo o torneio e dez remates concedidos à baliza de Unai Simon em oito jogos!), mas o principal sinal desta equipa continua a ser a obsessão pela bola.
Na língua de Cervantes, o argentino Jorge Valdano, poeta e goleador de ironias, diria que «o futebol é um estado de ânimo» e que esse espírito decreta opções e caminhos.
Se assim for, a esta Espanha só lhe resta a Gran Vía da Eternidade. Um colosso!
No tabuleiro de De la Fuente, Rodri é peão, cavalo, torre e bispo. Falta-lhe ser Rei, pois o trono da realeza está prometido a Lamine Yamal. Seja como for, as peças secundárias bastam-lhe e fazem-lhe justiça, como justiça lhe faz a entrega do troféu de Melhor Jogador do Mundial26 - perdão, Messi (a prata foi para o argentino e o bronze para Mbappé).
Com a mesma naturalidade, Pau Cubarsí foi eleito o Melhor Jovem e Unai Simon o Melhor Guarda-Redes do torneio norte-americano. ¡Y viva España!
Permitam-me uma deriva para uma liga diferente, a do show business. Para quem não assistiu ao Half Time Show da final de New Jersey, o resumo não muito rigoroso é este:
O dado é extraordinário, ainda mais agora embelezado com o título mundial. Fabián Ruiz soma 50 internacionalizações por Espanha e nem uma derrota para contar: 35 vitórias, 15 empates e participações fundamentais nas conquistas do Euro20 e do Mundial26, como bem anota o nosso Playmaker.
Deve ser a isto que chamam amuleto ou talismã.
Apesar dos visa cancelados, de cartões vermelhos trocados ao telefone por sabe-se lá o quê, da deportação de um árbitro e de um ou outro fait diver ridículo, o Mundial26 deu-nos jogos de futebol maravilhosos. Vai deixar saudades e muitas memórias para as conversas de café.
O que lhe perguntamos nesta edição vai nesse seguimento. Quem foi para si o melhor jogador do torneio? A FIFA optou por Rodri e nós juntamos-lhe Messi, Mbappé e Bellingham nas opções.
O Sporting oficializou uma importante contratação para a equipa de hóquei em patins. Nil Cervera é internacional por Espanha, tem 22 anos e um passado ligado aos históricos Igualada e Liceo da Corunha.
Em 25/26, o Sporting foi vice-campeão nacional, mas conquistou a Taça de Portugal, a Supertaça e o Mundial de Clubes.
Como se vive e se prepara uma final do Campeonato do Mundo? Carlos Ramos, enviado-especial do zerozero e do O Gol, mostra o dia de todas as decisões, numa procissão que arranca na tumultuosa Times Square e atravessa o Hudson para se abrigar em New Jersey.
Pode ler AQUI a reportagem assinada pelo nosso jornalista, a partir dos EUA.
Como se vive o futebol na ressaca do Mundial? Difícil. A sensação apodera-se de nós de quatro em quatro anos, talvez atenuada pelos Europeus. Mas é assim a vida e a normalidade é o futebol de clubes, com as suas características próprias e muito distantes do mundo das seleções nacionais.
Para começar, há já um interessante Sporting-Strasbourg esta segunda-feira (20h15), a jogar-se no Algarve. Bom teste para os leões contra a nova equipa de Hugo Oliveira.
Na quarta-feira, o FC Porto visita o Gil Vicente (20 horas) para um jogo já muito a sério e na quinta-feira há a estreia oficial de Marco Silva pelo Benfica.
O St. Gallen-Benfica arranca às 19 horas e pode valer uma vaga na Liga Europa.
A Argentina de Maradona e Messi não é, definitivamente, a Argentina dos maus modos de Leandro Paredes, dos erros de Molina, das limitações técnicas de Simeone, de faltas violentas e atitudes truculentas.
É possível amar o legado dos génios, de dois deuses, e abominar este grupo liderado por Scaloni? Tem coração, paixão, mas demasiado sofrimento e escassa lucidez. O selecionador teve o mérito de escolher ferramentas para entregar Leo Messi ao Olimpo em 2022 e até esteve perto de repetir o feito, mas perante a elite de Espanha as limitações foram sofríveis.
Mérito total de uma grande Espanha, onde o selecionador não cede a pressões clubísticas (nem um jogador do Real Madrid nos convocados) e onde a diversidade vai do País Basco às Canárias, da Catalunha à Andaluzia, até ao Gana (Williams) e a Marrocos (Yamal).
Uma Espanha onde os futebolistas, quase todos, ostentam consciência social e política. Daí ter sido especialmente conciliador, e uma luz de esperança, ter visto no pódio da final tantos deles a desprezarem na indiferença e no desvio de olhares aquele homem que não sabe o que é e o que significa um cartão vermelho.
Sabe quantas vezes um jogador saído do banco de suplentes decidiu a final de um Mundial? Ferran Torres não é o primeiro.
Se não quiser pensar na resposta e fazer uma aposta entre amigos, pode ir diretamente à resposta AQUI.
No zerozero, a ferramenta Squad Builder permite-nos construir as nossas equipas de sonho e dar-lhes os toques pessoais que considerarmos justos.
Experimente-a AQUI e faça o seu onze ideal do Mundial 26.
* por Pedro Jorge da Cunha







































