Portal dos Dragões
·3 Juni 2026
João Costa: “Jorge Costa foi das pessoas que mais força fez para eu voltar”

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João Costa recordou a época em que o FC Porto regressou ao título de campeão nacional e traçou um retrato muito pessoal do balneário, das referências que o marcaram e da ambição que continua intacta. O guarda-redes falou da influência de Jorge Costa, da forma como procurou apoiar colegas como Rodrigo Mora e Bednarek, e ainda do futuro de Diogo Costa e da resposta que os rivais podem apresentar. Pelo caminho, deixou claro que a exigência continua a ser o ponto de partida e garantiu: “o melhor está sempre por chegar”.
No balanço de uma época de afirmação coletiva, João Costa apresentou-se com um discurso feito de memória, pertença e responsabilidade. O guarda-redes do FC Porto olhou para trás sem assumir um papel secundário e foi construindo uma ideia central ao longo da conversa: no Dragão, a influência também se mede fora dos minutos em campo.
Quando o tema passou para Jorge Costa, o tom alterou-se de imediato. Mais do que uma recordação, surgiu a figura de uma referência pessoal e do clube, alguém que, segundo o guardião, foi decisivo para o fazer regressar a casa.
“Foi uma das pessoas que mais força fez para eu voltar cá e também já me tinha tentado contratar enquanto treinador mais do que uma vez.”, afirmou. “Estive demasiado pouco tempo com ele no nosso clube e foi uma pessoa que me marcou. Era um ídolo, uma lenda do clube, alguém em quem eu me revia enquanto portista, tinha os valores do FC Porto em todos os momentos e desde a perda irreparável que tivemos, se houve algo em que tentei de certo modo foi representá-lo foi na representação desses valores e de transmitir o nosso ADN e a nossa mística.”
Nestas palavras, há mais do que gratidão. Há também a vontade assumida de prolongar um legado, de fazer da presença diária uma forma de representar um certo modo de ser FC Porto.
Esse lado mais discreto do balneário voltou a aparecer quando João Costa falou de Rodrigo Mora. Aí, o guarda-redes trocou a análise pelo cuidado, descrevendo uma ligação construída na rotina e na proteção.
“Passava o tempo todo com o Rodrigo Mora e tentei sempre ajudá-lo devido à época que teve. Vinha de ser um grande protagonista e nesta época…com a idade que ele tem, dei-lhe o máximo carinho, criámos uma amizade única e tenho um orgulho enorme de ver o homem que está ali.”
O elogio não se limita ao jogador e aponta diretamente à pessoa. João Costa surge como um elemento de apoio, alguém que percebeu o peso do contexto e escolheu estar próximo quando isso fazia mais sentido.
O mesmo padrão surgiu nas conversas com Bednarek, outro dos nomes trazidos para o centro do discurso. João Costa descreveu uma relação feita de perguntas, partilha e contextualização, como se o balneário também se construísse à mesa.
“Privava muitas vezes com o Bednarek, era o meu parceiro à mesa nos estágios, ao meu lado esquerdo.”, explicou. “Muitas vezes, perguntava-me como iriam ser os jogos, qual era a dificuldade deste estádio ou daquele, o que significava este jogo ou aquele para o clube. Perguntava-me também sobre a história do clube e tivemos muitas conversas sobre isso. Hoje revemos ali um verdadeiro portista, mas posso dar outros exemplos. Fiz questão de os apoiar e de tentar de certa maneira ajudá-los.”
O retrato é esclarecedor de uma liderança sem braçadeira, assente na pedagogia do dia a dia. João Costa sugere que a identidade do clube não se transmite automaticamente: aprende-se, passa-se e reforça-se diariamente.
Quando a conversa chegou à falta de minutos, a resposta manteve a mesma linha de ambição tranquila. Sem esconder a vontade de jogar mais, o guarda-redes recusou reduzir o seu papel a uma simples contabilidade de presenças.
“Peço sempre mais minutos. Isso é como todos os profissionais.”, sublinhou. “Todos queremos jogar o máximo possível, mas eu marquei a história do clube este ano tendo os minutos que tive, por isso quero sempre ter mais minutos. Mas a minha continuidade no clube não será por ter mais ou menos minutos, acredito que realmente que o melhor está sempre por chegar. Se a minha mensagem, a minha época e o meu propósito foi cumprido este ano, o próximo será ainda melhor.”
A frase tem peso e intenção: João Costa reclama relevância sem dramatizar a condição competitiva. É uma forma de afirmar espaço e de projetar o futuro, sempre a partir da ideia de missão cumprida, mas ainda incompleta.
Questionado sobre Diogo Costa, o guarda-redes preferiu elogiar em vez de especular. Reconheceu o estatuto do colega e falou como companheiro e portista, sem se colocar no centro de um cenário que não lhe cabe decidir.
“Sei que o Diogo é um dos melhores guarda-redes do mundo. Não tenho dúvidas que poderá ter interessados entre os melhores clubes do mundo, mas a maior prova que os portistas podem ter é o tempo que ele já cá está.”, reconheceu. “Isso não me deixa preocupado. Ele deve seguir o que o coração dele disser e, até o dia de hoje, o coração dele levou-o a estar cá. Por isso, não me cabe a mim dizer se o Diogo deve ficar cá ou não, mas enquanto portista é um orgulho enorme que ele esteja cá há tantos anos e faço aqui a mim um incentivo para que ele fique cá muitos mais anos.”
O discurso junta realismo e desejo, sem contradição. João Costa aceita a dimensão de mercado de Diogo Costa, mas agarra-se ao vínculo emocional como principal argumento para a continuidade.
Ao olhar para o que se segue, a euforia pelo título deu lugar à vigilância. João Costa recusou qualquer leitura de fragilidade dos adversários e colocou o FC Porto perante uma exigência ainda maior na defesa do estatuto conquistado.
“Acho que temos de olhar também muito para o nosso exemplo. Quem diria, há um ano, que estaríamos aqui hoje a falar de um FC Porto campeão e com a força que está neste momento?”, analisou. “Por isso não vejo fragilidade nos nossos rivais. Acredito que se vão preparar ainda melhor, tal como nós o fizemos nesta temporada. Isso só nos tem de levar a manter a guarda alta, nunca baixar. Tem de nos levar a manter a aspiração em querer ser campeões novamente. Será ainda mais difícil do que este ano, porque os nossos rivais vão preparar-se ainda melhor, mas tenho a certeza que estaremos à altura.”
É uma declaração que encerra o círculo da entrevista: memória, entreajuda e ambição, sempre com a guarda subida. No retrato que João Costa faz de si e do grupo, o título não representa um ponto de chegada; é apenas a obrigação seguinte a ganhar forma.







































