Central do Timão
·15 Juli 2026
Justiça torna ex-funcionário e ex-dirigentes do Corinthians réus por suposto desvio de R$ 3,4 milhões

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A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e decidiu transformar em réus o ex-motorista do Corinthians, João Odair de Souza, conhecido como Caveira, por suposta prática de apropriação indébita. As acusações envolvem fatos ocorridos entre 2018 e 2023, período que abrange as administrações de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.
Além de Caveira, também passam a responder ao processo os ex-diretores financeiros Matías Ávila e Wesley Melo, bem como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli. Eles foram denunciados pelo crime de omissão relevante, sob a alegação de que deixaram de fiscalizar ou impedir o desvio de aproximadamente R$ 3,4 milhões pertencentes ao clube. Com a atualização monetária, o montante é estimado em cerca de R$ 7,3 milhões.

Foto: Divulgação/Corinthians
Como medida cautelar durante a tramitação da ação, a Justiça determinou a apreensão dos passaportes dos quatro acusados, além do bloqueio de seus bens. Eles também estão impedidos de acessar as dependências do Parque São Jorge enquanto o processo estiver em andamento.
Na denúncia encaminhada ao Judiciário, o Ministério Público solicita que Matías Ávila seja condenado a ressarcir R$ 6 milhões aos cofres do Corinthians, enquanto Wesley Melo é alvo de pedido de devolução de R$ 250 mil.
A investigação sobre a movimentação de dinheiro em espécie entregue a funcionários do clube teve início após o ge revelar despesas de caráter pessoal realizadas durante a gestão do então presidente Duilio Monteiro Alves.
Procurados pela reportagem, os acusados foram convidados a comentar o caso. Entre eles, apenas Wesley Melo preferiu não conceder entrevista. As manifestações apresentadas pelos demais foram divulgadas posteriormente.
Segundo a denúncia, João Odair de Souza, o Caveira, que atuava como chefe da segurança do Corinthians, recebeu mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo entre 2018 e 2023. A Promotoria sustenta que não houve comprovação documental da utilização da maior parte desses recursos.
Ainda conforme a acusação, os valores eram liberados como adiantamentos destinados a despesas relacionadas diretamente à presidência do clube, principalmente para custear serviços de segurança em eventos e outras demandas extraordinárias.
O Ministério Público também afirma que parte significativa dessas quantias foi depositada tanto na conta bancária pessoal de Caveira quanto na conta de uma empresa ligada a ele. Para os investigadores, essa forma de movimentação reforça a suspeita de que os recursos tiveram finalidade diferente daquela originalmente prevista.
Em entrevista concedida por telefone ao ge, em março deste ano, Caveira reconheceu que administrava pagamentos em dinheiro durante o período em que trabalhou no Corinthians e explicou por que não havia notas fiscais para parte das despesas.
“Aos sábados, domingos e feriados é preciso contratar muitos seguranças freelancers para o clube. Isso também acontecia quando havia protestos no CT ou no Parque São Jorge. Antes de eu assumir (a chefia da segurança) quem fazia isso era a Atual (empresa de vigilância), que cobrava mais ou menos R$ 450, mas pagava R$ 120, R$ 150 ao segurança. Eu conversei com o Andrés sobre isso, e ele mandou eu falar com o jurídico e o Roberto Gavioli (ex-gerente financeiro)”, disse Caveira.
“Dentro do clube tem uma série de esportes. Vai ter jogo de vôlei, basquete, futebol de salão…. São oito seguranças em cada evento desse. Evento na piscina? 20 seguranças. Teve dia de protesto que eu coloquei mais de 60 seguranças no CT. Muitos deles eram policiais em horários de folga. PM não dá nota fiscal. Eu não podia nem fazer ordem de serviço”, argumentou.
O ex-funcionário também afirmou que parte do dinheiro em espécie era utilizada para quitar pequenas despesas e conceder gorjetas quando desempenhava atividades ligadas aos então presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.
Por fim, Caveira declarou que sempre prestou contas dos valores recebidos ao departamento financeiro do Corinthians. Segundo ele, em nenhum momento houve questionamentos por parte do Conselho Fiscal do clube, órgão responsável pela análise e fiscalização das contas.
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