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·23 April 2026
Luís Filipe Vieira, Benfica e todos os arguidos do processo ‘Saco Azul’ absolvidos: “Passados 10 anos é impossível fazer perícia informática”

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Todos os arguidos do processo ‘Saco Azul’, entre os quais o antigo presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, foram absolvidos esta quinta-feira, 23 de abril, com o tribunal a assinalar reservas quanto à acusação.
“Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos”, disse o juiz do tribunal de Lisboa.
Para o tribunal subsistem dúvidas sobre o que terá sido feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, da qual era proprietário, uma vez que o Ministério Público sustentou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio, pagos por esta e pela Benfica SAD.
“A questão tem que ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida”, explicou o juiz, acrescentando que “há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra”.
Além de Luís Filipe Vieira, que presidiu ao Benfica entre 31 de outubro de 2003 e 15 de julho de 2021, foram igualmente absolvidos os restantes arguidos: o ex-diretor executivo (CEO) do Benfica Domingos Soares de Oliveira, o antigo diretor financeiro do clube Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, os outros dois suspeitos de o terem ajudado no esquema, José Raposo e Paulo Silva, bem como a Benfica SAD e a Benfica Estádio.
“[Estou] muito satisfeito. Foram dez anos de um processo que termina hoje. É um resultado que esperávamos e desejávamos. (…) Dez anos é muito tempo em tudo. E no desporto envolve muito mais do que imagem pública, envolve também as áreas desportivas todas”, afirmou o atual presidente do clube, Rui Costa, que falou numa “vitória para o Benfica”, mas sublinhou que não deve ser “apagado tudo o que o Benfica foi prejudicado nos últimos dez anos”. “Foi feita justiça e o nome do Benfica foi ilibado”, acrescentou.
Os crimes em causa estão ligados a um alegado esquema, entre 2015 e 2018, montado pelos arguidos para, através de contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário.
Face à acusação do Ministério Público e depois de toda a prova analisada em julgamento, o tribunal entendeu que “não é possível, a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm” chegar a uma conclusão sem dúvidas.









































