Calciopédia
·6 Maret 2026
Na 28ª rodada da Serie A, o dérbi entre Milan e Inter pode resolver a briga pelo scudetto

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A 28ª rodada da Serie A chega dominada por um clássico que concentra praticamente toda a atenção do fim de semana. No Giuseppe Meazza, o Milan recebe a Inter em um Derby della Madonnina que pode alterar de forma decisiva o rumo do campeonato. A diferença atual é de 10 pontos a favor da líder, margem que oferece à equipe nerazzurra a possibilidade de dar um passo quase definitivo rumo ao scudetto – que já está bem encaminhado, a bem da verdade. Para o Milan, por outro lado, o confronto representa talvez a última oportunidade real de reabrir a disputa, reduzindo a distância para sete e mantendo vivo algum grau de pressão sobre a rival.
O componente histórico recente acrescenta outra camada de tensão ao duelo. O time rossonera chega ao clássico sustentando uma sequência de seis partidas sem derrota contra a adversária, a mais longa desde a série de 10 encontros de invencibilidade registrada entre 2002 e 2005. Antes desse período, a Inter havia dominado o confronto com seis vitórias consecutivas, cenário que torna a atual comparação particularmente incômoda para o lado nerazzurro. Retomar a superioridade no dérbi não teria apenas valor simbólico: serviria também para reforçar a consistência de uma campanha bastante positiva e que pode terminar com título antecipado. Ademais, lembraria a torcida de quando o sucesso no clássico em 2024 resultou no scudetto daquele ano.
Enquanto o clássico milanês monopoliza o centro das atenções, o restante da jornada apresenta um quadro relativamente favorável para vários concorrentes às competições europeias. Boa parte deles enfrenta adversários situados na metade inferior da classificação, contexto que tende a preservar o desenho atual da zona continental. A exceção mais clara aparece em Bérgamo, onde a Atalanta mede forças com uma Udinese posicionada no meio da tabela e capaz de impor um grau maior de dificuldade em comparação aos demais compromissos do grupo que disputa vagas internacionais. Outro importante elemento narrativo do fim de semana surge na Ligúria, palco do reencontro entre Daniele De Rossi, técnico do Genoa, e a Roma. O treinador voltará a enfrentar a sua equipe de coração poucos meses depois do duelo ocorrido no Olímpico, na saideira de 2025.
Na região inferior da tabela, um embate relevante coloca frente a frente Fiorentina e Parma. A Viola segue pressionada pela necessidade de abrir margem em relação à zona de descenso, enquanto os gialloblù ocupam posição intermediária e alimentam a ambição de entrada no grupo dos 10 primeiros colocados neste fim de semana. O encontro, portanto, carrega implicações distintas para cada lado, mas mantém peso direto dentro do equilíbrio que marca a parte baixa da classificação. Confira a seguir a prévia da jornada.
Milan x Inter
O Derby della Madonnina da 28ª rodada coloca frente a frente dois rivais separados por 10 pontos na classificação. A líder Inter chega ao clássico com a possibilidade de transformar a vantagem em um passo quase definitivo rumo ao scudetto, enquanto o Milan encara o confronto como oportunidade de reabrir minimamente a disputa. Os rossoneri venceram o duelo do primeiro turno por 1 a 0, em 23 de novembro, e podem vencer a rival nos dois embates do campeonato pela primeira vez desde 2010-11, justamente na temporada de estreia de Massimiliano Allegri no clube, em sua passagem anterior pela Lombardia.
O momento no clássico é favorável ao Milan. O time rossonero está invicto há seis dérbis em todas as competições, com quatro vitórias e dois empates, sequência que sucede um período oposto, quando havia perdido os seis anteriores. Trata-se da série sem derrota mais longa do clube contra a rival desde o ciclo entre novembro de 2002 e abril de 2005, quando acumulou 10 partidas sem cair diante do adversário. Do outro lado, o incômodo é ainda mais evidente no setor ofensivo: a Inter não marcou nos dois confrontos mais recentes contra os rossoneri, pela Coppa Italia e pelo campeonato, algo que não ocorria desde abril de 2005, quando passou quatro jogos seguidos sem balançar as redes.
O retrospecto em campo rossonero oferece um contraste curioso com essa fase recente. O Milan venceu apenas uma das últimas 11 partidas como mandante contra a rival em todas as competições, com cinco empates e cinco derrotas – um triunfo por 3 a 2 em setembro de 2022. Os dois encontros mais recentes no mesmo cenário terminaram empatados, e um novo resultado idêntico produziria uma raridade histórica: apenas duas vezes o clássico registrou três igualdades consecutivas com mando milanista, entre 1934 e 1936 e de 1985 a 1986. A própria diferença de 10 pontos ou mais na tabela historicamente favorece o lado nerazzurro: em 17 dérbis disputados nessa condição na Serie A, a Inter permaneceu invicta em 15, com 12 vitórias e três igualdades, e apenas dois triunfos rossoneri, em 1939 e 2008.
Os números recentes de campeonato reforçam o contraste entre os rivais. O Milan somou apenas um ponto nas duas últimas partidas em casa e corre o risco de sofrer duas derrotas internas consecutivas na Serie A pela primeira vez desde novembro de 2023. A Inter, por sua vez, construiu uma sequência impressionante longe de seus domínios: nove vitórias seguidas como visitante, com seis clean sheets consecutivos. Um novo triunfo representaria 10 sucessos externos consecutivos, algo alcançado apenas uma vez na história do clube, quando obteve 11 entre 2006 e 2007, sob comando de Roberto Mancini. E um novo jogo sem ser vazada como hóspede igualaria o recorde de Simone Inzaghi, em 2024-25.
O duelo também coloca frente a frente tendências táticas opostas. A Inter lidera a Serie A em gols originados de bola parada, com 21 no total, sendo 15 após escanteios, ambos recordes da competição. O Milan apresenta justamente a maior vulnerabilidade proporcional nesse fundamento: 50% dos tentos sofridos no campeonato nasceram de lances de bola parada (10 de 20), incluindo 25% provenientes de escanteios.
Individualmente, Pulisic, autor do gol da vitória do Milan no primeiro turno, pode se tornar o primeiro jogador rossonero desde Kaká, em 2003-04, a marcar nos dois dérbis de uma mesma Serie A. Já Dimarco vive fase extraordinária em 2026, com participação direta em 12 tentos em 10 partidas – quatro anotados e oito assistências. É simplesmente o dobro dos sete atletas que dividem a segunda colocação neste recorte. O ala pode se tornar apenas o quinto interista a contribuir para bolas nas redes em sete jogos consecutivos de campeonato desde 2004-05, quando tais estatísticas passaram a ser computadas.
Prováveis escalações
Milan: Maignan; Tomori, De Winter, Pavlovic; Saelemaekers, Fofana, Modric, Rabiot, Estupiñán; Rafael Leão, Pulisic.
Inter: Sommer; Bisseck, Akanji, Bastoni; Luis Henrique, Barella, Çalhanoglu, Zielinski, Dimarco; Esposito, Thuram.
Napoli x Torino
O confronto entre Napoli e Torino na abertura da rodada coloca em jogo objetivos distintos dentro da Serie A. O time partenopeo ocupa a terceira colocação e chega ao fim de semana com vantagem de dois pontos sobre a Roma, quarta colocada, margem conquistada na rodada anterior e que precisa ser preservada para consolidar a posição na zona da Champions League. Do outro lado, a equipe granata tenta prolongar o efeito imediato da troca de comando técnico: a estreia de Roberto D’Aversa terminou com vitória e abriu a possibilidade de uma reação que afaste definitivamente a formação da região inferior da tabela.
O histórico recente do confronto cria um contraste interessante entre resultado recente e retrospecto mais amplo. No primeiro turno, o Torino venceu por 1 a 0 e pode derrotar o adversário nas duas partidas de uma mesma Serie A pela primeira vez desde 2008-09. Entretanto, o Napoli costuma impor domínio sobre os piemonteses quando atua em seu estádio. Os azzurri perderam apenas um dos 17 confrontos como mandantes contra os grenás no campeonato desde a introdução dos três pontos por vitória em 1994-95, acumulando nove triunfos e sete empates. Nesse intervalo mais recente, a equipe campana venceu três dos quatro encontros disputados em casa diante do rival, mantendo a baliza inviolada em duas ocasiões.
A campanha doméstica do Napoli também ajuda a explicar sua posição na tabela. A equipe soma oito vitórias e quatro empates diante de sua torcida nesta edição do campeonato e pode permanecer invicta nas primeiras 13 apresentações internas pela primeira vez desde 2018-19. Ao mesmo tempo em que o time partenopeo ainda não foi derrotado no Diego Armando Maradona na atual edição do certame, alguns empates recentes indicam equilíbrio maior do que o esperado: três das últimas cinco partidas em seu estádio terminaram igualadas, cenário que impediu os comandados de Antonio Conte de brigarem pelo título e de ampliarem com mais folga sua vantagem na disputa pelas vagas europeias.
O Torino chega ao duelo com a possibilidade de transformar a troca de treinador em impulso imediato de resultados. Após o triunfo na estreia de D’Aversa, o time pode vencer os dois primeiros compromissos sob nova direção técnica pela primeira vez desde 1981-82, quando iniciou aquela temporada com dois sucessos sob comando de Massimo Giacomini. Um novo resultado positivo fora de casa reforçaria o processo de recuperação e consolidaria a tentativa de distanciamento da zona de risco. Para tal, o novo comandante deve ficar de olho no jogo aéreo do Napoli. A equipe marcou nove gols de cabeça nesta Serie A, número igual ao total da Juventus e inferior apenas aos 14 registrados pela Inter.
No plano individual, alguns nomes chegam ao confronto próximos de marcas importantes. Højlund pode atingir pela segunda vez na carreira a barreira de 10 gols em uma temporada nos cinco grandes campeonatos europeus, depois de alcançar esse número em 2023-24 com o Manchester United, além de ter a chance de marcar em duas rodadas consecutivas da Serie A pela primeira vez com a camisa napolitana. Já Lukaku apresenta histórico expressivo contra o Torino, com participação direta em nove tentos no duelo – marcando cinco e fornecendo quatro assistências. Só contra o Genoa (10), participou de mais. Simeone, por sua vez, vive momento produtivo: em 21 partidas desta edição do campeonato igualou as seis bolas nas redes que havia colocado nas três temporadas anteriores, nas qual atuou pelo Napoli. Cholito, aliás, está a apenas uma contribuição de alcançar feito centenário no certame: colocou 79 pelotas na casinha e assinou 20 passes decisivos.
A Fiorentina recebe o Parma num confronto direto que pode ser fundamental para sua salvação (Getty)
Fiorentina x Parma
Fiorentina e Parma se enfrentam pela 28ª rodada em um duelo que reúne contextos distintos na tabela e também desperta certa nostalgia para quem acompanhou a Serie A nos anos 1990, quando a dupla brigava por títulos. Hoje o contexto é diferente: a equipe violeta aparece perigosamente próxima da zona de rebaixamento, na 16ª posição com 24 pontos, empatada com Cremonese e Lecce. Já o conjunto emiliano ocupa o surpreendente 12º lugar e pode terminar a jornada entre os 10 primeiros caso vença e ultrapasse Lazio e Udinese.
O histórico geral do confronto revela grande equilíbrio. O Parma é o adversário contra o qual a Fiorentina mais empatou em toda a sua trajetória na Serie A, com 20 igualdades em 51 encontros, além de 16 vitórias violetas e 15 triunfos ducali. O momento recente no duelo, entretanto, favorece os visitantes: o time emiliano permaneceu invicto em oito das últimas nove partidas contra a rival no campeonato, com três triunfos e cinco igualdades, enquanto o único sucesso toscano nesse período ocorreu em 2020, quando venceu por 2 a 1 no Ennio Tardini. Os ducali também não sofreram gols nos dois encontros mais recentes e podem alcançar três clean sheets consecutivos diante da formação florentina pela primeira vez na competição.
A posição delicada da Fiorentina também se explica pelo rendimento fraco em confrontos diretos contra adversários da metade inferior da classificação – e o Parma é um desses rivais. A equipe conquistou apenas 12 pontos em 12 partidas do tipo, marca superior apenas às registradas por Verona, com nove, e Pisa, com 10. Já o time do estreante Carlos Cuesta apresenta desempenho bem mais eficiente nesse cenário, somando 22 em 13 confrontos contra equipes desse mesmo grupo; 10 a mais que o conjunto toscano.
Apesar das contradições, vale destacar a reação da Viola sob o comando de Paolo Vanoli: a Fiorentina está invicta há cinco partidas no Artemio Franchi, com três vitórias e dois empates, depois de iniciar o campeonato sem triunfos nas primeiras sete apresentações diante da própria torcida, quando havia somado apenas dois pontos. Num recorte similar, porém, o Parma vem fortíssimo como visitante. Desde novembro, o time conquistou 17 pontos em oito partidas fora de casa, com triunfos vitórias, duas igualdades e apenas uma derrota. É uma média de 2,1 por jogo, inferior apenas a de líder e vice-líder do campeonato; ou seja, Inter (que ganhou todos) e Milan (ainda invicto fora de San Siro, com 2,4).
Olho ainda no desfecho do duelo – fator que tem influenciado a temporada dos dois times. Quatro dos últimos cinco gols do Parma no campeonato foram marcados nos 15 minutos derradeiros, fase de jogo em que o clube emiliano apresenta a maior proporção de tentos na Serie A: 35%, sete de seus 20 totais. A Fiorentina apresenta justamente a fragilidade oposta, já que perdeu nove pontos após conceder a rivais nesse mesmo recorte final das partidas, número inferior apenas ao registrado pelo Bologna, que desperdiçou 10.
Entre os protagonistas individuais, Kean surge como principal referência ofensiva do lado violeta, com sete de seus oito gols nesta Serie A marcados no Franchi, o maior total em partidas caseiras em 2025-26. No conjunto emiliano, Pellegrino se destaca pelo jogo aéreo: desde sua estreia na competição, em fevereiro de 2025, nenhum jogador marcou mais vezes com a cabeça na liga do que o argentino, autor de seis tentos – dentre 10. Entre atacantes com ao menos 10 bolas nas redes no torneio desde o retorno ao formato de 20 clubes em 2004-05, apenas o croata Bjelanovic apresentou proporção superior nesse fundamento, com 63%; o argentino registra 60%.
Sábado, 7/3, 11h Cagliari x Como
Sábado, 7/3, 14h Atalanta x Udinese
Sábado, 7/3, 16h45 Juventus x Pisa
Domingo, 8/3, 8h30 Lecce x Cremonese
Domingo, 8/3, 11h Bologna x Verona
Domingo, 8/3, 14h Genoa x Roma
Segunda, 9/3, 16h45 Lazio x Sassuolo









































